Capa · O Nordeste · 18 de dezembro de 1951
Piquet Carneiro, 1951: "o maior desastre sucedido entre nós"
O Nordeste acompanhou por semanas o descarrilamento de um trem de passageiros no sertão central.
Na manhã de segunda-feira, 17 de dezembro de 1951, um trem de passageiros da Rede de Viação Cearense virou no quilômetro 322, entre as estações de Ibicuã e Piquet Carneiro. No dia seguinte, a capa d'O Nordeste abriu com "Jogados ao chão como animais", sobre a chegada à Estação Central de Fortaleza da máquina 604, que trouxe 78 feridos. Mais de duas mil pessoas esperavam na estação.
O número de mortos mudou a cada edição e, conforme a fonte, ficou entre 37 e 53. O vigário de Piquet Carneiro, padre Antônio Freire, relatou que passageiros acusavam o maquinista de excesso de velocidade e que houve tentativa de linchá-lo. A direção da Rede o defendeu, e um telegrama posterior afirmou que o trem não vinha em velocidade excessiva. A acusação nunca foi comprovada.
Em 23 de janeiro de 1952, um editorial ainda cobrava o resultado do inquérito sobre "o maior desastre sucedido entre nós", criticava os trilhos velhos e o socorro "falho e moroso" e informava que o deputado Armando Falcão levaria à Câmara Federal um projeto de indenização às famílias. Na época, a ferrovia era a principal ligação do sertão central e do Cariri com Fortaleza.