Manchete · O Nordeste · julho de 1947 e dezembro de 1957
Discos voadores n'O Nordeste: suspeita em 1947, ironia em 1957
Em dez anos, o jornal católico de Fortaleza passou da desconfiança política ao deboche.
Em 11 de julho de 1947, poucas semanas depois do início da onda mundial de relatos de discos voadores, a coluna "O Facto do Dia", d'O Nordeste, desconfiava do fenômeno. O colunista observava que os discos "começaram a aparecer nos Estados Unidos" e "depois surgiram nos céus do Brasil", e levantava a hipótese de uma "guerra de nervos", como as praticadas pelos nazistas. Sugeria que a "mentalidade comunista" poderia ter planejado a história, já que os objetos eram vistos "por meia duzia de privilegiados". Era o início da Guerra Fria, ano em que o Partido Comunista foi posto na ilegalidade no Brasil.
Dez anos depois, em 30 de dezembro de 1957, o padre Adalberto de Paula Nunes escrevia no mesmo jornal, na coluna "Bilhetes de São Paulo", ironizando quem se ocupava dos discos em vez dos problemas do país. Citava um professor de Direito que foi à televisão contar sua viagem, um mecânico que dizia ter passado oito horas em outro planeta e a atriz Dulcina de Moraes, que "não viu nenhum disco, embora deseje muito trabalhar nos teatros de Marte".
Nenhum dos dois textos relata avistamento no Ceará. As páginas mostram como o assunto chegou a Fortaleza, filtrado pelas preocupações de cada momento.
- Fonte
- O Nordeste
- Data
- julho de 1947 e dezembro de 1957
- Temas
- costumes imprensa tecnologia