Ilustração · Revista do Instituto do Ceará · 1919
"A Botija": o conto de assombração ilustrado por Raimundo Cela em 1919
A gravura do artista sobralense mostra o homem que cava atrás de dinheiro enterrado sem ver a cobra.
Em 1919, o sobralense Raimundo Cela ilustrou o livro de contos Senzalas, do escritor sergipano Alberto Deodato, publicado no Rio de Janeiro. Uma das gravuras acompanha o conto "A Botija" e mostra um homem enterrado até a cintura no buraco que cavou, com uma cobra enrolada no tronco e no pescoço e a picareta caída ao lado.
Na história, um homem cobiçoso vive num casarão mal-assombrado e imagina que a alma penada que anda pelo solar enterrou dinheiro ali. Cava o chão sem descanso, "sem perceber a cobra que desliza por seu corpo até sufocá-lo enrodilhada em seu pescoço". Trata-se de uma obra de ficção, sem local definido.
A ilustração foi apresentada por Lúcio Alcântara no artigo "Raimundo Cela, ilustrador", publicado em 2017 na Revista do Instituto do Ceará. Segundo o artigo, Cela, nascido em Sobral em 1890 e morto em Niterói em 1954, foi o primeiro professor de gravura da Escola Nacional de Belas Artes. A botija, pote de dinheiro enterrado que uma alma revela em sonho, é crença ainda viva no interior do Nordeste, e a gravura dá forma a um dos medos associados a ela.