Nasceu a 25 de Novembro de 1855 na cidade de Jardim, sendo seus progenitores o capitão Manoel Francisco Cavalcante de Albuquerque Mello e D.a Generosa Cândida Brazil de Albuquerque Pennafort.
Em 1873 matriculou-se no curso theologico do Seminário da Fortaleza e em 1878 foi concluil-o no Seminário do Carmo em Belém do Pará, recebendo as ordens sacras das mãos do Bispo D. Antonio de Macedo Costa a 2 de Maio de 1880.
O Cónego Ulysses Pennafort, que collaborou em differentes jornaes do Ceará e Pará, redigiu o Zuavo, jornal abolicionista e religioso, publicado em Caeté (1882-1884), Caeteense, que substituiu ao Zuavo (1885-1889), A Tuba (1896), jornal nativista da cidade de Maracanã, antiga Cintra, e orgam da importante associação Arcádia Americana de que elle foi Reitor, o Século XX e o Guajará, publicado em Vigia, Pará, onde é actualmente vigário.
É membro correspondente da Academia Cearense, de L'Union des Associations de La Presse Ibero-Ameriquaine, Miembro Cooperador de La Union Católica dél Peru, Membro Cooperador Salesiano do Instituto D. Bosco de Turim e Nictheroy, Socius et Confrater Ordinis Praedicatorum vel SS. Rosarii (Decretum datum Romae die 13 Mensis Februarii Anni 1892—á Magistro Generali Fr. A. Fruhwirt—Ord. Praed, Sócio correspondente da A.rcadia Fluminense, da Arcádia Romana, do Instituto Histórico Paraense, da Mina Lideraria do Pará, da Iracema Litteraria do Ceará, da Academia Polyglota da Itália e da Société Asiatique des langues Orientales vivantes de Paris.
É auctor dos seguintes trabalhos15
- Échos d'Alma. Pará, 1881.
- Monsenhor Pinto de Campos. Estudos biographico-litterarios publicados no Caeteense (1884-1885).
- A Egreja Catholica e a Abolição. 1884.
- Os Retirantes. Poemeto. Pará, 1887.
- Os Esplendores do Culto Marianno. Caeté, 1890.
- O Novo Morto Immortal ou Memoria Monographa dos Grandes Méritos e Actos Illustres do Arcebispo D. Antonio de Macedo Costa, o Apostolo d'Amazónia. Typ. do “Caeteense”, 1891.
- Discurso Ontológico. Pará, 1892.
- Cenontologia ou Ensaios de Sciencia e Religião. Pará, Typ. e Encad. de Pinto Barbosa e C.a, Trav. 7 de Setembro, esquina da Rua 13 de Maio,/1894. O auctor deu esse nome á conferencia que pronunciou em Marapanim por occasião da inauguração do paço municipal d'alli, e a qual fez preceder de uma longa introducção em que discute varias questões philosophicas. Acompanha ainda a esse trabalho um prospecto do collegio Christoforo ou Instituto Pennafort.
- Memorial Synoptico sobre a Glorificação do Padre Antonio Vieira no segundo centenário de sua morte, a Reivindicação do nome aborigene de Maracanan, in-8.°, 93 pp.
- Orações Patrióticas pronunciadas por occasião das festas republicanas celebradas na Capital do Estado do Pará em os memoráveis dias 15 e 16 de Novembro de 1898, Typ. Imprensa Economica, 1898.
- Quadro Synoptico dos Nomes Indo-Brazilenos, sua Reivindicação e Pororocas, Belém. Typ. Economica, Rua 13 de Maio n.o 38, 1899.
- Monochromo, Pequeno Conto Parâuâra em prol dos mendigos da Secca do Ceará e dos que vam em demanda da Nova Kanaan. A. M. D. G. Typ. Moderna a vapor—Ate-hers-Louis, 71, rua formosa, 71, Ceará, Abril, 1900.
- Brazil Pre-historico. Memorial Encyclographo. A propósito do 4.° centenário do seu descobrimento. Ceará, Typ. Studart, Rua Formosa n.o 46, 1900, in 8.o de 358 pp. e um Appendice.
- Mandú. Romance lndo-brazileno, Typ. Moderna a vapor—Ateliers-Louis, Ceará, 1901, in-16.0 de 289 pp.
- Philologia comparada. Estudos sobre a Palingenesia da Língua Tupy. Publicado na “Revista da Academia Cearense”, 1903.
No canhenho de família podemos traçar tres linhas: A B C—Aleth, Brazil e Cavalcanti.
l.a A linha A da nossa genealogia tem por progenitor o franco Joseph Aleth Douillétte—francez de nação, o qual, diz o nobre e douto Barão de Studart, fazia parte dc uma communidade de Jesuítas em Pernambuco, quando o pérfido marquez de Pombal expulsou esses beneméritos religiosos. Muito moço e sem ter-se ligado ainda por votos ou Ordens Sacras, conseguiu evadir-se, e ganhando o sertão, veiu ao Umary onde constituiu família. Alli vendo a difficuldade com que eram conduzidas os cadáveres para ser sepultados no cemitério do Icó, animou a idéa da construcção de uma Egreja pondo-se a frente desta empresa. Assim foi que se construiu a Matriz de S. Gonçalo, sede da freguezia do Umari (Vide “Revista da Academia Cearense”, de 1905).
Desta linha A ou Douétte procedem os 4 irmãos: — Padre José Maria Douétte, Leonardo José Douétte, Raymundo José Douétte e Thereza de Jesus Douétte.
De Leonardo José Douétte, nosso tio, casado com D.a Maria José Douétte, procede o distincto padre Laurindo Justiniano Douétte, que também nasceu, como o seu co-irmão cónego Ulysses de Pennafort, na cidade do Jardim no valle do Cariry.
O Padre Douétte regeu successivamente as parochias de Souza, Pombal, S. José, Triumpho, todas pertencentes á actual Diocese de Olinda ; ulteriormente foi nomeado parodio de S. José de Bizerros no Estado de Pernambuco, que he hoje uma das mais piedosas, a qual elle cultiva com zelo e óptimos fructos, no dizer do nobre Sr. Barão de Studart. Mr. Douétte foi o único Vigário que teve coragem de abrir lucta com o regulo e dictador de Pernambuco—o Dr. Barbosa Lima, sahindo sempre victorioso na liça contra os adversários da religião e da pátria.
2.a Esta linha B he o liame das linhas precedentes— A o e e tem por progenitores D. Joaquim Gomes de Campos Pennafort, oriundo do tronco ancetral dos Pins e dos catalões da nobre casa de S. Raymundo de Pennafort, e D.a Maria Thereza Renovata, d'onde procede o sesmeiro José Joaquim Gomes de Sousa Brazil,—que consorciou-se com D.a Thereza de Jesus Douétte, nossa avó, d'onde procedem Marcolino Aléth Douétte e João de Souza Douétte, pae de nossa co-irman Madame Francisca Douétte, Carolina Douétte e Generosa Cândida de Souza Brazil Douétte Pennafort, que se casou com o capitão Manoel Francisco Cavalcânti de Albuquerque Mello, pae do cónego Raymundo de Pennafort.
D'esta liftha B origina-se a familia Souza Brazil e Alencar de que são vultos salientes os Senadores Th. Pompeu de Sousa Brazil ejosé Martiniano de Alencar e Monsenhor llypolito Gomes Brazil, cujo ramo prende-se aos Gomes de Mattos do Icó, Lavras, Crato e Jardim.
3.a Por Manoel Cavalcanti de Albuquerque, filho de João Carlos Cavalcanti de Albuquerque Mello e de D.a Francisca Xavier Arcoverde de Albuquerque, que são nossos avós-paternos, a linha A B prende-se a linha e ou Cavalcantis, originários de Pernambuco, por parte do capitão-mór Jeronymo de Albuquerque Maranhão—o primeiro governador da capitania do Maranhão nascido em Olinda; seu pae era o capitão Jeronymo Cavalcanti de Albuquerque, o qual teve por progenitor brazileno o celebre cacyk—Uyrá-uby que na lingua tupy significa—Arco-verde, donde procede o primeiro cardeal da America do Sul—D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.