Filho do Cons. José Pereira da Graça, Barão do Aracaty, nasceu na cidade de Quixeramobim a 6 de Março de 1849.
Matriculou-se na Escola Militar em 1865 e conquistou durante o curso o 1.o logar entre seus collegas.
Capitão de mar e guerra, por merecimento, a 9 de Agosto de 1894, occupa hoje o alto posto de Contr'Almirante. Também foram por merecimento suas promoções a capitão tenente e a capitão de fragata.
Como 2.° tenente, serviu de professor de historia e tactica naval, hydrographia e direito internacional á turma de guardas marinha de 1871 e 1872 em viagem aos Estados Unidos e á Europa; como 1.° tenente, foi professor de direito internacional marítimo nas viagens de instrucção realisadas nas corvetas Vital de Oliveira e Nicteroi em 1877 e 1880.
Em Novembro de 1881 foi escolhido para fazer parte da commissão de reforma de signaes sob a presidência do capitão de fragata Saldanha da Gama e em 1882 exerceu o cargo de secretario do capitão de mar e guerra Carneiro da Rocha, incumbido de inspeccionar os estabelecimentos navaes e navios da Armada desde o Espirito Santo até Manáos. Foi 2.° commandante dos cruzadores “Almirante Barroso” e “Guanabara” e immediato dos encouraçados “Javary” e “Riachueío” na esquadra de evolução sob o commando do Barão de Jaceguay. Passou depois a commandar a canhoneira “Marajó”, em a qual fez o serviço sanitário dos portos de Victoria e da Bahia e procedeu ás sondagens no mar dos Abrolhos, determinando um baixo nas proximidades da Ilha de Santa Barbara ao qual por este serviço o Barão de Teffé, chefe da commissão, deu o nome de Banco de Marajó. Commandou o vapor “Madeira” e o “Purús” em o qual levantou a planta do porto de Itarussá. Foi inspector do Arsenal de Marinha da Bahia, onde, alem de muitos serviços locaes, auxiliou efficazmente ao Governo na promptificação dos navios da esquadra legal destinada a bater-o” revoltosos de 6 de Setembro de 1893. Serviu o cargo de Vice-inspector do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e cumulativamente o de membro effectivo da commissão tech-nica militar consultora.
Promovido a capitão de mar e guerra, foi nomeado commandante da flotilha de Matto Grosso, na qual esteve desde 12 de Outubro de 1894 a 11 de Março de 1895. Exerceu em seguida o cargo de commandante do corpo de infantaria, que acabava de ser creado e que augmentou consideravelmente, disciplinou e instruiu. Em Janeiro de 1897 foi nomeado commandante do “Riachuelo”, posto em que se conservou até 5 de Maio de 1893.
A 6 de Maio entrou no exercício de membro effectivo do Conselho Naval, em que foi relator de grande numero de consultas publicadas nos relatórios do ministério da marinha de 1899, 1900 e 1901 ; mais tarde foi investido das funcções de membro da commissão de revisão de Ordenança Geral da Armada.
De muitas de suas commissões apresentou relatórios a seus chefes; e destes, e do Governo Imperial recebeu elogios calorosos freqüentes por seu zelo, proficiência, actividade e dedicação ao serviço.
Possue as medalhas da campanha do Paraguay e da Argentina e foi condecorado pelo Governo do Império com a insígnia de Cavalleiro de Aviz e pelo Governo Provisório com o officialato da mesma Ordem em attenção aos serviços prestados á Pátria.
Foi promovido a guarda-marinha em 1868. Tendo sido promovido a vice-almirante em 1911, reformou-se no mesmo anno (28 de Dezembro) no posto de almirante.
Falleceu a 4 de Junho de 1913 em Montreux, Suissa, onde estava em tratamento havia um anno.