Filho de Octaviano Machado e D.a Honorina Machado, nasceu no logar denominado Volta na Barra do Figueredo, termo do Limoeiro, a 25 de Agosto de 1874. Seu pae, pernambucano, era descendente da família Nunes Machado, e sua mãe da importante familia Castro da cidade de Aracaty.
Creado no sertão até os 15 annos, veio em 1888 encetar os primeiros estudos em casa do Dr. Antonio Augusto de Vasconcellos, fazendo em 1889 os primeiros preparatórios como alumno do collegio Anacleto
A amizade de Thiago Ribas fêl-o cultivar as letras, das quaes era apaixonado o moço soldado morto em Cayenna
Sob a direcção espiritual de Ribas escreveu no Meirinho versos, chronicas, phantasias, contos, etc. com diversos pseudonymos.
Do Meirinho, cadinho por onde passaram muitos homens de letra cearenses, Themistocles Machado teve ascenção para a Patria e successivamente para o Libertador e Norte.
Foi um dos fundadores da Padaria Espiritual em 1892.
Em junho desse anno seguiu para o Rio de Janeiro, onde matriculou-se na Academia Livre de Direito e collaborou em diversos jornaes, evidenciando-se na Semana, apresentado ao publico por Valentim Magalhães com lisongeiras palavras.
Voltando ao Ceará em 1894, congregou os rapazes de letras formando o Centro Litterario do qual foi o primeiro Director.
Seguiu para o Amazonas em 1895 e foi nomeado pelo governo de então Promotor de Justiça Publica da Capital, cargo que exerceu por muito tempo.
Em Manáos assumiu a redacção da Federação, órgão do Partido Republicano Federal e metteu-se na politica á qual, aliás, eram avessos seu gênio de bohemio e seu temperamento de sonhador. Sob sua direcção sustentou a Federação a phase mais difficil e, pode-se dizer, brilhante do Partido.
Em Julho de 1896, com a ascenção ao poder do Dr. Fileto Pires deixou a Federação e entrou no Amazonas Commercial no qual escreveu uma longa serie de artigos de critica social e humorística com os pseudonymos de Padre Theobaldo, João da Ega, Alfredo Cezar, etc.
Em Agosto de 1897 publicou o seu primeiro livro de versos—Myrthos com um bello prefacio de Valentim Magalhães, livro que foi auspiciosamente recebido pela imprensa brasileira e portuguesa.
Incompatibilisado com a politica do Governador Ramalho pela má vontade que este mostrava á colonia Cearense, representada pela Patria, Themistocles dedicou-se á advocacia, seguindo para o Acre em fins de 1899 como advogado da casa Guilherme Miranda e patrono de um aviado do mesmo, o celebre Guimarães, conhecido em todo o Acre.
Não conseguiu fazer a defeza no jury por ter fallecido o criminoso.
Doente, Themistocles Machado voltou para o Ceará onde passou um anno entre a vida e a morte, e melhorado de saúde exerceu o cargo de professor de Português do 1.o anno da Escola Normal.
Regressando para o Norte, exerceu alli cargos na magistratura, como o de promotor publico de Guamá. De volta definitivamente á Fortaleza occupa um logar na Repartição das Obras do Porto.
Alem do Myrthos, já citado, publicou5
- O caso do Amazonas. A Fileteida. Poema heroico-cômico. Versos macabros, 1898, com duas edições de mil exemplares cada uma.
- A Esmola (scenas da miseria) Poemetos. Edição especial e única, cuja venda foi destinada a ser applicada em beneficio dos indigentes cearenses. Editor Louis C. Cholowiecki, Ceará, Novembro de 1900.
- O Maldicto. Scenas dos crimes do celebre faccinora José Lopes de Souza, que envenenou ires esposas e dois filhos. Manáos, Typographia Palais Royal, 1901, in 8.o de 25 pp.
- Pela Republica, verso e prosa, Fortaleza, Typ. Econômica n.o 43, Praça do Ferreira, 1902. É um trabalho de propaganda.
- Invocação de victima. (Para as victimas da politicagem cearense). Pará, Typ. de A. Loyola & Soeiro, 1904, 13 pp. in-8.°
Tem entre mãos a feitura de um romance A Victima, cujo entrecho se desenrola nas regiões Amasonicas, e do livro Perfis amigos, contendo biographias de rapazes de letras do Ceará, hoje fallecidos.