Filho de Joaquim Gonçalves Bezerra e D.a Anna Gonçalves d'Oliveira, nasceu em Arneiroz (Inhamuns) a 6 de Dezembro de 1865.
Tendo sido o sertão do Ceará assolado pela terrível secca de 1877 a 1879, veiu elle em Abril de 1878 para a Fortaleza em companhia de cinco irmãs e dois irmãos mais velhos, uni dos quaes se encarregou de maudal-o a educar. Seus progenitores já tinham lallecido.
Matriculou-se em Março de 1879 na escola primaria regida pelo distineto professor Tristão Pacheco Spinosa e ahi fez exame final de primeiras letras em 1881, sendo approvado com distincção.
No anno seguinte matriculou-se nas aulas de Português e Arithmetica do Lvceu, mas não se dedicou ao estudo com o mesmo enthusiasmo com que estudara primeiras letras, e logo nos primeiros mezes abandonou as aulas.
Somente em 1885 fez exame de Português.
Depois de ter adquirido alguns conhecimentos da língua vernácula apaixonou-se pela literatura pátria e lia avidamente quanto livro, jornal ou revista encontrava.
Data de 1887 sua estréa na imprensa do Ceará.
Seu primeiro artigo foi publicado no jornal “A Idéa”, ergam da sociedade 25 de Março, sendo seus companheiros de redacção Américo Barreira e Lagos Filho.
Simultaneamente começou a collaborar activamente no “Meirinho”, que se transformara em jornal de propaganda republicana.
Nesse jornal escreveu com Adolpho Caminha, Américo Barreira, Thiago Ribas, Lopes Filho, Sabino Baptista e outros, cumprindo não esquecer o poeta satyrico Antonio de Lafayette (vide) que era redactor principal e quasi dono do “Meirinho”.
De então até hoje tem collaborado em diversos jor-naes e revistas, sendo as mais notáveis as seguintes : “O Pão”, orgam da Padaria Espiritual; “Praça do Ferreira”, fevista de Francisco Gonçalves, José Sombra, Bruno Barbosa, Godofredo Maciel, Paulo Aguiar e outros moços de talento; “Fortaleza”, revista de Raul Uchôa, Mario Linhares e outros; e finalmente “A Jangada”, que fundou com Ltberato Nogueira, Elcias Lopes, Mario Linhares e Gil Amora.
É redactor da revista “Panóplia”, onde têm collaborado Dr. Soriano de Albuquerque, Rodolpho Theophilo, Antonio Salles, Dr. Pedro de Queiroz.
Foi sócio fundador da “Padaria Espiritual”; sócio honorário da “Mina Litteraria”, do Pará ; da “Iracema Litteraria” e da sociedade litteraria “11 de Janeiro”, de Sant’Anna do Cariry.
Durante 6 mezes exerceu as funcções de correspondente da “Província do Pará”, no anuo de 1899, tendo escripto 20 correspondências.
Entrou para a vida publica em 1892 e é actualmente Director de Secção da Secretaria dos Negócios do Interior do Ceará.