Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense
Nasceu a 11 de Julho de 1846 na cidade de Sobral e foram seus progenitores O Major Miguel Francisco do Monte, nascido a 1.° de Janeiro de 1812 e D.a Anna Clara Francisca do Monte, nascida a 1." de Agosto de 1819. São seus irmãos:
José Clementino do Monte, nascido a 14 de Novembro de 1839 e casado com D.a Maria Bernarda da Silva Monte; Pharmaceutico João Francisco do Monte, nascido a 18 de Setembro de 1844 e casado com D.a Bemvinda de Almeida Monte; D.a Ernestina Olivia da Silva Monte, nascida a 17 de Janeiro de 1850 e casada com o Dr. Helvécio da Silva Monte, sergipano ; D.a Maria Carolina do Monte Mendes, casada com Francisco Fernando Pereira Mendes; D.a Anna Clara do Monte, D.a Candida Rosa do Monte, D.a Adelaide Francisca do Monte e Miguel Francisco do Monte Junior.
Foi-lhe conferido o grau de Bacharel em sciencias jurídicas e sociaes pela Faculdade de Direito do Recife a 7 de Novembro de 1870, tendo obtido approvação plena em todos os annos do curso, e logo depois, de Março a Abril, exerceu a promotoria publica da Comarca de Sobral por nomeação interina do Juiz de Direito, Dr. Vicente Alves de Paula Pessoa.
Retirando-se em 1871 para o sul do Império fixou residência em Santa Maria Magdalena, termo e comarca de Can-tagallo, Província do Rio de Janeiro, e entregou-se alli ao exercício da advocacia.
Por acto de 27 de Janeiro de 1872 o Presidente Josino do Nascimento e Silva nomeou-o promotor publico de Cantagallo, cargo que deixou no mesmo anno.
Deixando o exercício do cargo de promotor publico da comarca, empossou-se em Fevereiro de 1873 do de juiz municipal e de orphãos do termo de Mangaratiba, para o qual fora nomeado pelo Ministro da Justiça Duarte de Azevedo pro Decr. de 27 de Novembro de 1872. Accumulou ao exer-cio deste cargo o de inspector das escolas, e de ambos elles foi exonerado por ter sido acommettido de moléstia grave, que o obrigou a retirar-se para o Ceará em 1874.
De regresso ao Ceará, nomeou-o o Presidente Heraclito Graça para promotor publico da comarca de Canindé, cargo que exerceu de 24 de Novembro a Fevereiro de 1876, dahi foi removido pelo vice-presidente Esmerino Gomes Parente para a comarca do Aquiraz e dessa por acto de 4 de Abril ainda no mesmo anno para a de Maranguape.
Era então presidente o Dr. Francisco de Faria Lemos. Por Decr. de 23 de Fevereiro de 1878 sendo nomeado chefe de Policia do Ceará assumiu o exercício do cargo a 13 de Março e nelle se manteve até 12 de Fevereiro de 1880. Foi a sua uma administração policial tormentosa, na quadra de uma secca terrível, infestado o interior da Província de bandos de criminosos, e como nella se houve dizem-o bem um honroso officio que lhe dirigiu a 12 de Fevereiro o presidente Dr. José Julio e as manifestações a elle feitas pelo povo de Maranguape a 5 de Fevereiro e por vários chefes políticos da Capital a 28 de Abril.
Durante o tempo de sua chefatura de policia foram capturados 314 criminosos.
Por Dec. de 8 de Fevereiro de 1879 foi nomeado 4.° vice-presidente do Ceará, cargo de que não tomou posse, e pelo de 28 de Agosto de 1880 juiz de direito da comarca da Imperatriz, em Alagoas, cargo que exerceu apenas um mez, e pelo de 5 de Março de 1881 chefe de policia da Província do Pará quando se teve de executar pela primeira vez a eleição directa, no ministério Saraiva.
Retirando-se da chefatura de policia do Pará foi-lhe designada por Dec. de 14 de Novembro de 1881 a comarcade Sant'-Anna do Acarahú, nesta Província, para exercer nella o cargo de juiz de direito, e desse sahiu para o de presidente da Parahyba por Carta Imperial de 9 de Agosto de 1884, que começou a exercer a 31 do mesmo mez e deixou a 8 de Julho do anno seguinte.
Do modo como desempenhou essa commissão em epo-cha agitada, quando se tratava de uma eleição, que ia resolver o problema do elemento servil, dizem os jornaes do tempo quer conservadores, como O Jornal da Parahyba, quer liberaes como O Liberal Parahybano, quer neutros, como o Diário de Noticias e Diário da Parahyba.
No exercício dessa presidência veio surprehendel-o um officio do Presidente da Republica de Venezuela cobrindo o titulo em virtude do qual o condecorava com a commenda do busto de Simão Bolivar.
Em 1885 voltou ao exercício de sUa comarca de Sarif-Anna, e nelle esteve ininterrompidamente até Janeiro de 1891 quando foi pelo Governo Provisório da Republica removido para a 2.a vara eivei de Fortaleza por Dec. de 27 de Dezembro de 1890.
No exercício dessa vara tomou assento no 1.° Congresso Constituinte do Estado, fazendo parte da commissão que elaborou a primeira Constituição e no Congresso, na sua primeira serie, e fora delle, na segunda organisação do Estado, collaborou na confecção de suas mais importantes leis.
Na organisação da magistratura do Estado, feita pelo General José Clarindo de Queiroz, foi nomeado Desembargador do Tribunal da Relação por acto de 27 de Junho de 1891, Procurador Geral do Estado por acto de 18 de Fevereiro de 1892 firmado pelo vice-governador Benjamin Liberato Barroso e Secretario dos Negócios da Justiça por acto de 12 de Julho de 1900 do presidente Dr. Pedro A. Borges.
Além de trabalhos por elle produzidos em virtude dos cargos, que ha exercido, o Dr. Antonio Sabino do Monte é autor do !
Bibliografia3
- Conflicto de jurisdição administrativa com o Rio Grande do Norte levantado pelo Procurador Geral do Ceara Ex.m0 Snr. Desembargador Antonio Sabino do Monte sobre os limites dos mesmos Estados, Fortaleza, Typ. d'A Republica, rua do Senador Alencar, 16 B, 1894.
Esse trabalho encontra-se reprodusido na Revista do Instituto do Ceará, vol. de 1897.
- Relatório apresentado ao Ex.mo Sr. Presidente do Estado do Ceará Dr. Pedro Augusto Borges pelo Secretario dos Negócios da Justiça Desembargador Antonio Sabino do Monte, Junho de 1901, Typ. Moderna a vapor, Ateliers Louis, rua Formosa 71, Ceará—Fortaleza.
- Parecer do Ex.m0 Sr. Procurador Geral do Estado Desembargador Antonio Sabino do Monte sobre Custas e Porcentagens aos juizes e secretários dos feitos da fazenda, Empreza Typographica 27, rua Major Facundo, 1905.
Segundo 1001 Cearenses Notáveis
Grafado como Antônio Sabino do MONTE
Nasceu em Sobral, 11 de julho de 1846, filho de Miguel Francisco do Monte e Ana Clara Francisca do Monte. Bacharel pela Faculdade de Direito de Recife (1870); Promotor Público da Comarca de Sobral Radicou-se em Santa Maria Madalena (RJ), e ali exerceu a advocacia. Promotor Público de Cantagalo, juiz municipal e de Órfão de Mangaratiba. Inspetor Escolar. De regresso ao Ceará, ocupou cargos de Promotor Público de Canindé e .Maranguape, e Chefe de Policia do Ceará. Serviu em Alagoas e Pará. Presidente da Paraíba (1884). Titular da 2ª Vara Cível de Fortaleza (1990), teve assento no 10 Congresso Constituinte do Estado e fez parte da Comissão que elaborou a primeira Constituição Cearense. Desembargador do Tribunal da Relação (1891), Procurador-geral do Estado (1892) e Secretário dos Negócios da Justiça (1900). Autor de estudos sobre o Conflito de Jurisdição Administrativa com o Rio Grande do Norte e sobre os limites desse estado com o Ceará (1894). Escreveu relatórios e pareceres sobre matérias de competência dos cargos que exerceu.