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Biografia

Boanerges de Queiroz Facó

nasceu em 1882

Bacharel
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Nascido em Beberibe, da comarca de Cascavel, a 30 de Setembro de 1882, descende das famílias Queiroz e Ferreira. É filho do Coronel José Balthazar Ferreira Facó e D.a Anna Maria Ferreira Facó, e neto pelo lado paterno, de Francisco Balthazar Ferreira Facó e, pelo lado materno, de D.a Laurentina de Queiroz Ferreira, filha de Pedro de Queiroz Lima, um dos que combateram ao lado de Tristão pela Republica do Equador.

Começou os seus estudos em Beberibe, onde foi professor de português e 2.° Secretario do Gabinete Beberibense de Leitura.

Em 1903, em vista de seu desejo de proseguir nos estudos, teve um convite de sua tia D.a Anna Facó—distincta preceptora e talentosa belletrista—em cujo lar encontrou óptimo acolhimento.

Fez o curso de humanidades exigido pela Academia em 4 annos, prestando exames, avulsamente, no Lyceu Cearense e bacharelou-se na Faculdade de Direito do Ceará a 25 de Novembro de 1911 tendo obtido as melhores notas da turma.

Pertenceu, quando preparatoriano, ao corpo redactorial e foi collaborador, com Américo Facó, Meira Filho e outros, das revistas “Bohemia dos Novos” e “Bric-à-Brac”-, e do. “Jornal do Domingo”. Então collaborava também, algumas vezes, nos jornaes “A Republica”, “A Tesoura”, “O Guarany”, e fazia parte do Gremio Literario “Rocha Lima”, onde lia, aos domingos, os seus trabalhos literarios-contos, discursos.

Nos tempos academicos fundou com Joaquim Pimenta e Adonias Lima “O Demolidor” e collaborou, algumas vezes, no “Jornal do Ceará”, “Unitario”, “Revista Escolar” e “Fortaleza” e escreveu um artigo sobre a sciencia do justo, no Brazil, em “O 11 de Agosto”, salientando os seus vultos mais eminentes. Julgo os seus trabalhos mais importantes dessa época — A execução de Ferrer e A republica portugueza.

Durante os seus cursos preparatorio e jurídico leccionou humanidades em collegios e casas particulares.

Em 1912, apoz a deposição do presidente Dr. Nogueira Accioly, foi-lhe offerecida a Promotoria de Maranguape, que recusou. Dirigia elle, então, “O 24 de Janeiro”, jornal independente, de orientação político-democrática e a Escola “Humanidade Nova” cujo fim era “educar a creança sob os pontos de vista physico, orgânico, intellectual e moral, de accordo com o seu desenvolvimento physio-psychi-co, illuminando-lhe a razão e educando-lhe o coração”.

A 6 de Junho de 1913 foi nomeado Promotor de justiça de Baturite, e removido para egual cargo em Fortaleza a 3 de Fevereiro do anno seguinte, dizendo, então, o lIlustrado juiz de direito daquella Comarca em officio ao dr. Secretario da Justiça: — “o exercício do nobre funccionario, nesta comarda, foi o mais brilhante, onde a sua personalidade se affirmou de modo positivo e eloquente, quer pelas qualidades de intelligencia e saber, quer pelas virtudes edificantes de seu bello caracter”.

A 26 de Março de 1914 foi removido da comarca de Fortaleza para a de Lavras pelo governo do General Fernando Setembrino, acto contra o qual protestou.

Actualmente exerce o magisterio particular e a advocacia, e collabora nas revistas “Panoplia” e “Revista Commercial”, e nos jornaes “A Tarde” e “A Palavra”, de Fortaleza.

Tem escripto sobre varios assumptos, batendo-se sempre, com sinceridade e ardor, pelas ideias novas e emancipadoras.

Tem o Dr. Boanerges Facó prompta para o prelo uma obra com o titulo--Pela emancipação humana, dividida em tres partes — Varios estudos, Paginas verdadeiras e A questão do ensino, e tem em elaboração Paginas de historia do Ceará, Empecilhos ao desenvolvimento humano e O poder emancipativo da educação.