Nasceu em Fortaleza, 6 de novembro de 1901, pertencia ao importante clã dos Alencar, sendo filho de João de Alencar Araripe e Antônia de Faria Ramos, mais conhecida como Dona Nenê Ramos, professora primária, com quem aprendeu os primeiros rudimentos de gramática e aritmética, revelando desde criança acentuada tendência para as letras. Fez o curso da Escola de Comércio Fênix Caixeiral, recebendo o diploma de Contador, após o que veio para o Rio de Janeiro continuar os estudos de Administração e Finanças, que completou em 1929 na primitiva Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil. Dedicou-se ao jornalismo: fundou e dirigiu a Revista “Fanfarra”, foi redator de “O Dia” e de outros jornais, aos quais deu importante contribuição com suas crônicas, estudos e ensaios sobre variados assuntos, notadamente música e carnaval. Colaborou nos jornais de Fortaleza, “O Povo” e “Tribuna do Ceará”, e alcançou renome.nacional sob o pseudônimo de Aladino, que usou durante mais de dez anos, redigindo a seção “Garotas”, com que o desenho de Alceu Pena ilustrava as páginas da excelente revista “O Cruzeiro”, integrante da cadeia dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Com a implantação da primitiva previdência social no Brasil, logrou ingressar no antigo Instituto dos Comerciários, onde fez brilhante carreira e alcançou posições de relevo na hierarquia funcional; coube-lhe, no particular, entre outras, a delicada missão de instalar os serviços da Carteira Predial do IAPC em cidades do porte de São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Curitiba e Fortaleza, no que se houve sempre com a maior elevação.
Aposentado depois de mais de 30 anos, ligou o seu nome à história da Previdência Social no Brasil, a que dedicou sempre o melhor de suas capacidades. Na linha de seus ancestrais, Edigar foi acima de tudo um intelectual de gabarito, memorialista, poeta, trovador, cordelista, ensaísta, crítico e pesquisador da música popular brasileira, tendo escrito e publicado importantes assuntos sobre: A Modinha Cearense; Nosso Sinhô do Samba: O Fabuloso e Harmonioso Pixinguinha e Vida e Morte Gloriosa do Grande Músico Pixinguinha.
O seu livro. O Carnaval Carioca, Através da Música atingiu cinco edições, esgotadas rapidamente. Apaixonado pelo futebol, foi um dos primeiros intelectuais a focalizá-lo do ponto de vista literário, com o aplaudido livro que escreveu sobre O Flamengo - Força e Alegria do Povo. Sua obra poética está contida nos volumes Carnaúba (1932); Mocorocó (1942); Cantigas de Enleio e Desencanto (trovas, 1954); Galé Fugido (1957); Poesia Quase Perdida (1973) e Claridade e Sombra de Poesia (1984). A Assembléia Legislativa do então Estado da Guanabara outorgou-lhe o título de Carioca Honorário e recebeu outras valiosas condecorações. Um dos fundadores da Academia Cearense de Ciências, Letras e Artes do Rio de Janeiro, onde ocupou a cadeira n° 4 (patrono: Américo Facó). Morreu em 24 de abril de 1993.