Nasceu a 22 de Outubro de 1852.
Assentou praça voluntariamente a 7 de Abril de 1869 e foi promovido a Alferes a 13 de Julho de 1876, a Tenente por estudos a 21 de Fevereiro de 1880, a Capitão por estudos em Julho de 1886 e a Major por merecimento a 12 de Janeiro de 1893.
Em 1882, sendo secretario do Commando das Armas do Amazonas, encetou a libertação dos escravos daquella província e fundou alli o primeiro club republicano tendo por companheiros o Dr. Jonathas Pedrosa, hoje senador, e outros.
Em 1883 tomou parte activa no movimento abolicionista do Ceará, indo em commissão ao Icó, Acarape e Mecejana.
Fazia parte no Rio de Janeiro da Confederação abolicionista. Seguindo para Matto-Grosso, lá tratou activamente da libertação dos captivos conseguindo em pouco tempo a libertação dos de Corumbá e Cuyabá. Na primeira dessas cidades fundou o jornal O Escravo.
Em viagem pelo interior de Matto-Grosso com o virtuoso Bispo D. Carlos Luiz d'Amour por todas as cidades por onde passava conseguiu alforrias de escravos.
A 15 de Novembro de 1877 fundou com o Dr. Souza Campos, José do Patrocínio, Padre Trindade, Dr. Almeida Pernambuco, e mais cinco companheiros o club republicano de S. Christovão, que funccionava dentro da Quinta-Imperíal. Quando proclamou-se a Republica estava desterrado em S. Borja.
Dado o golpe de Estado pelo Marechal Deodoro, Carlos de Alencar, que era Capitão do 3.” regimento de caval-laria de guarnição naquella cidade, levantou o referido regimento e poz-se ao lado da Constituição violada, publicando
a seguinte ordem do dia:
Quartel no Passo de S. Borja, 11 de Novembro de 1891. Ordem do dia n.° 1. Por delegação de sua oficialidade, e por me competir por lei, com a destituição do cidadão Major Pacifico Goulart Pinto, assumo o cominando da Guarnição e Fronteira de Missões e do 3.° regimento de cavallaria, neste periodo critico por que passa a Patria brasileira, ameaçada em sua integridade e offendida em sua honra pelo caudilho audacioso, que a fatalidade das circumstancias collocou á frente do poder executivo, Acceitando tão alta responsabilidade, devo declarar que não foi um poder envelhecido que cahiu e que o que se levanta é um outro poder amparado nas bayonetas do grande exercito nacional ! Não ! O que cahiu foi o que pretendia se erguer do seio ensanguentado e revolto da Patria—a anarchia e a desordem ; e o que permanece é o que existia — o respeito á lei, á ordem e á constituição Federal, que juramos defender até a morte. Coherente com as tradicções do exercito, que, desde o fundo de nossa historia, tem sido sempre o orgam das grandes aspirações populares, em 1789 com Tiradentes, em 1822 com a Independencia, em 1888 com a libertação dos escravos, em 1889 com a Republica, e 1891 com a garantia da liberdade e da ordem, o 3.° Regimento de cavallaria cumprindo com a sua augusta missão de manter a lei declara que não reconhece poder algum senão o que provém do Congresso Nacional, representante immediato do Povo, logo personificação da Patria “.
Tomou parte também na revolta de ó de Setembro de 1893 em defeza da Constituição.
Em Março de 1894 seguiu commandando o 1.° Regimento de cavallaria para o Estado de Paraná, travando diversos combates no Estado de S. Catharina com as forças federalistas, o que lhe deu direito a receber do Marechal Floriano Peixoto encomiásticos telegrammas.
Em 1897 (Abril) seguiu na expedição Arthur Oscar para Canudos, tomando parte em todos os combates e assaltos até o 1 de Setembro, data em que se recolheu ao Rio por ter sido dissolvido o Corpo que commandava, o qual quasi todo foi morto em combate.
O Major Carlos de Alencar falleceu na Capital Federal a 20 de Março de 1900.
Era condecorado com o Habito de Aviz por contar mais de 20 annos de serviços á Patria.
Tem seu nome a Praça principal de Campos Novos, Estado de Santa Catharina.
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- Discurso lido pelo Snr. Carlos Augusto Peixoto de Alencar, presidente da Libertadora Cearense, nos festejos patrióticos realisados pela Sociedade Libertadora Cearense em Manáos no palácio da Presidência a 24 de Novembro de 1882, Typ. do “Commercio do Amazonas”, 1882.
- Excavações históricas. Felippe Camarão'? ligeiros traços biographicos, no intuito de dizer que esse illustre indígena era filho do Ceará, opinião, aliás, que não partilho.
Em 1888 representou-se em Rio Grande do Sul uma comedia de sua composição intitulada A procura de um casamento, que agradou geralmente.