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Biografia

Carlos Augusto Peixoto de Alencar

1852–1900

Este nome aparece em outro verbete do acervo Carlos Augusto Peixoto de ALENCAR 1852–1900
4 min de leitura 745 palavras

Nasceu a 22 de Outubro de 1852.

Assentou praça voluntariamente a 7 de Abril de 1869 e foi promovido a Alferes a 13 de Julho de 1876, a Tenente por estudos a 21 de Fevereiro de 1880, a Capitão por estudos em Julho de 1886 e a Major por merecimento a 12 de Janeiro de 1893.

Em 1882, sendo secretario do Commando das Armas do Amazonas, encetou a libertação dos escravos daquella província e fundou alli o primeiro club republicano tendo por companheiros o Dr. Jonathas Pedrosa, hoje senador, e outros.

Em 1883 tomou parte activa no movimento abolicionista do Ceará, indo em commissão ao Icó, Acarape e Mecejana.

Fazia parte no Rio de Janeiro da Confederação abolicionista. Seguindo para Matto-Grosso, lá tratou activamente da libertação dos captivos conseguindo em pouco tempo a libertação dos de Corumbá e Cuyabá. Na primeira dessas cidades fundou o jornal O Escravo.

Em viagem pelo interior de Matto-Grosso com o virtuoso Bispo D. Carlos Luiz d'Amour por todas as cidades por onde passava conseguiu alforrias de escravos.

A 15 de Novembro de 1877 fundou com o Dr. Souza Campos, José do Patrocínio, Padre Trindade, Dr. Almeida Pernambuco, e mais cinco companheiros o club republicano de S. Christovão, que funccionava dentro da Quinta-Imperíal. Quando proclamou-se a Republica estava desterrado em S. Borja.

Dado o golpe de Estado pelo Marechal Deodoro, Carlos de Alencar, que era Capitão do 3.” regimento de caval-laria de guarnição naquella cidade, levantou o referido regimento e poz-se ao lado da Constituição violada, publicando

a seguinte ordem do dia:

Quartel no Passo de S. Borja, 11 de Novembro de 1891. Ordem do dia n.° 1. Por delegação de sua oficialidade, e por me competir por lei, com a destituição do cidadão Major Pacifico Goulart Pinto, assumo o cominando da Guarnição e Fronteira de Missões e do 3.° regimento de cavallaria, neste periodo critico por que passa a Patria brasileira, ameaçada em sua integridade e offendida em sua honra pelo caudilho audacioso, que a fatalidade das circumstancias collocou á frente do poder executivo, Acceitando tão alta responsabilidade, devo declarar que não foi um poder envelhecido que cahiu e que o que se levanta é um outro poder amparado nas bayonetas do grande exercito nacional ! Não ! O que cahiu foi o que pretendia se erguer do seio ensanguentado e revolto da Patria—a anarchia e a desordem ; e o que permanece é o que existia — o respeito á lei, á ordem e á constituição Federal, que juramos defender até a morte. Coherente com as tradicções do exercito, que, desde o fundo de nossa historia, tem sido sempre o orgam das grandes aspirações populares, em 1789 com Tiradentes, em 1822 com a Independencia, em 1888 com a libertação dos escravos, em 1889 com a Republica, e 1891 com a garantia da liberdade e da ordem, o 3.° Regimento de cavallaria cumprindo com a sua augusta missão de manter a lei declara que não reconhece poder algum senão o que provém do Congresso Nacional, representante immediato do Povo, logo personificação da Patria “.

Tomou parte também na revolta de ó de Setembro de 1893 em defeza da Constituição.

Em Março de 1894 seguiu commandando o 1.° Regimento de cavallaria para o Estado de Paraná, travando diversos combates no Estado de S. Catharina com as forças federalistas, o que lhe deu direito a receber do Marechal Floriano Peixoto encomiásticos telegrammas.

Em 1897 (Abril) seguiu na expedição Arthur Oscar para Canudos, tomando parte em todos os combates e assaltos até o 1 de Setembro, data em que se recolheu ao Rio por ter sido dissolvido o Corpo que commandava, o qual quasi todo foi morto em combate.

O Major Carlos de Alencar falleceu na Capital Federal a 20 de Março de 1900.

Era condecorado com o Habito de Aviz por contar mais de 20 annos de serviços á Patria.

Tem seu nome a Praça principal de Campos Novos, Estado de Santa Catharina.

Publicou2

  1. Discurso lido pelo Snr. Carlos Augusto Peixoto de Alencar, presidente da Libertadora Cearense, nos festejos patrióticos realisados pela Sociedade Libertadora Cearense em Manáos no palácio da Presidência a 24 de Novembro de 1882, Typ. do “Commercio do Amazonas”, 1882.
  2. Excavações históricas. Felippe Camarão'? ligeiros traços biographicos, no intuito de dizer que esse illustre indígena era filho do Ceará, opinião, aliás, que não partilho.

    Em 1888 representou-se em Rio Grande do Sul uma comedia de sua composição intitulada A procura de um casamento, que agradou geralmente.