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Biografia

Aderbal FREIRE FILHO

nasceu em 1941

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Nasceu em Fortaleza, 8 de maio de 1941, pertencente pelo lado materno à tradicional família cearense que tem entre seus ancestrais a grande figura do Senador Tomás Pompeu.

O pai, o paraense, Aderbal Nunes Freire, domiciliou-se muito jovem no Ceará e integrou a turma de 1930 da Faculdade de Direito. Iniciou-se como ator em pequeno papel na montagem de A Lenda do Mosteiro, de J. Narbal e, como simples soldado, em Cristo no Calvário, realização de Waldemar Garcia. Integrou o Teatro Experimental de Arte, um dos responsáveis pela renovação da cena cearense, e organizou um conjunto de jograis. Foi locutor da Rádio Dragão do Mar e, em 1960, fez uma primeira viagem ao Rio de Janeiro, para inteirar-se do que se fazia por aqui em matéria teatral. Retornando à terra natal, cheio de idéias, participou de espetáculos selecionados, que o projetaram com um dos melhores intérpretes do Estado: Médico à Força, de Molière; O Pagador de Promessas, de Dias Gomes; Eles não Usam Black-tie, de Gianfrancesco Guanieri; O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, e outros igualmente importantes, dirigidos principalmente por B. de Paiva. Fundou com o piauiense Marcus Miranda e Maria Luísa Moreira o Teatro Novo, que estreou com Deu Freud Contra, de Silveira Sampaio. Vieram, depois, Liberdade, Liberdade, Armadilha para um Homem Só e a peça Soninha Toda Pura, do autor cearense Ilclemar Nunes, com que o grupo excursionou vitoriosamente até São Luís (MA). Ainda protagonizou Aquela Garota dos Olhos Grandes, de Rubem Rocha Filho, e, já formado em Direito, demandou em definitivo o Rio de Janeiro. Exerceu diferentes atividades para se manter; amando o teatro mais do que tudo, pouco se lhe dava o que fazia ou onde morava Integrou a Cia. Milton Carneiro na inauguração do Teatro Carlos Gomes, de Vitória “(ES), e excursionou com a Companhia de Neusa Amaral. Sua primeira ousadia foi O Diário de um Louco, que Francisco Dantas adaptou do romance de Gogol; um ônibus de turismo, saía todas as noites da Praça General Osório num passeio pela cidade, conduzindo um grupo de quarenta pessoas, que vibravam, entusiasmados, com a trama e o inusitado do espetáculo por ele idealizado.

Trabalhou com Teresa Raquel na montagem de A Mãe, de Witkiewicz, no Teatro da Maison de France, e em 1977, na estação do metrô, no Largo da Carioca, consagrou-se em definitivo com a apresentação da peça de Georg Buchner, A Morte de Danton. Continuou trabalhando intensamente em espetáculos como Besa-me Mucho, de Mário. Prata; Uma Peça como Você Gosta, adaptação de As you like it, de Shakespeare; Mephisto, de Klaus Mann e Mnouchlánne; A Bandeira dos Cinco Mil Réis, de Geraldinho Carneiro. Com Gardel, uma Lembrança, em 1987, apresentou-se em Montevidéu na Mostra Internacional de Teatro do Uruguai. Em 1988, tendo ganho da Fundação Vitae uma bolsa para realização de pesquisa sobre João de Minas, inspirou-se em um dos livros do escritor, transformou-o em peça de teatro e logrou imensos aplausos com A Mulher Carioca aos 22 Anos. No ano seguinte, conseguiu a concessão do Teatro Gláucio Gil, reformou-o e criou o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo, onde apresentou uma ótima montagem de Lampião. Ocupou o Palácio do Catete com O Tiro que Mudou a História, (parceria com Carlos Eduardo Novais), reproduzindo in loco o suicídio do Presidente Getúlio Vargas. O espetáculo, que deveria ter somente uma apresentação, permaneceu e-m cartaz mais de um ano e meio, tão grande foi a sua aceitação. Outra tentativa de inovação: Tiradentes. Ator consagrado, diretor que foge aos padrões conservadores da arte teatral, “homem de teatro completo - como o classificou a Secretária de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, Aspásia Camargo, vencedor de dois prêmios “Mambembe”, um .Molière e sete vezes Melhor do Ano, Aderbal Freire Filho enfrentou, a burocracia estadual para recolocar em funcionamento o antigo Teatro Carlos Gomes, totalmente renovado.