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Biografia

Domingos Antonio Alves Ribeiro

1834–1909

Aracaty Desembargador
Há outro cearense de mesmo nome no acervo Domingos Antônio Alves RIBEIRO sem datas
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Filho de Antonio Manoel Alves Ribeiro, fallecido a 19 de Agosto de 1851 com 48 annos e de sua mulher, sua prima, D.a Alexandrina Mendes da Cruz Guimarães, fallecida a 7 de Março de 1860, neto paterno de Manoel Antonio Alves Ribeiro e de sua mulher D.a Angela Moreira, filha de José Antonio Moreira e de sua mulher D.a Martha da Costa, e neto materno de José Mendes da Cruz Guimarães e de sua mulher D.a Angelica Moreira, filha de José Antonio Moreira e de D.a Martha da Costa, nasceu em Aracaty a 12 de Maio de 1834.

Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife, 1857, seguiu a carreira de magistratura na qual foi aposentado como Desembargador da Relação de Pernambuco em Novembro de 1890.

Falleceu no Rio de Janeiro a 21 de Outubro de 1909.

Escreveu1

  1. Um conto politico. Acontecimentos parlamentares do segundo reinado a datar de 1863, Rio de Janeiro, Typ. Cosmopolita 31, Rua do Regente, 1879,, offerecido ao Conselheiro José Liberato Barroso e Dr. Antonio Joaquim Rodrigues Júnior.

“ Acabo de cumprir dolorosissimo dever. Venho da Egreja de S. Benedicto, onde, com um grupo de dedicados amigos daqui e dos filhos, fui assistir á missa do sétimo dia da morte do venerando Desembargador Domingos Antonio Alves Ribeiro, ex-chefe de policia e juiz da provedoria da Capital de S. Paulo e Desembargador da Relação do Recife. Cearense, formado em Olinda, casado com pernambucana, uma santa, digna e virtuosíssima senhora, amiga e enthusiasta dessa nossa bôa terra; conhecendo o sertão do norte onde exerceu a judicatura, o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul; muito viajado; optimamente relacionado; magnifico causeur; espirito culto e alma singela e bôa; era o meu bom vizinho aqui da rua Santo Antonio, onde, durante mais de seis annos, mantivemos as mais estreitas e intimas relações; um bom, um justo e um adiantado. Na sua pequena e escolhida bibliotheca encontravam-se as obras completas de Taine. Bossuet, Fenelon, Carlyle e outros; e a sua companhia era a mais escolhida, instructiva e deleitavel possível. Marcam os nossos serões na casa do Desembargador algumas das horas mais agradáveis da minha vida.

Alli se reuniam Eduardo Prado, Theodoro Sampaio, José e André Rebouças Sobrinho, Monsenhor Passalaqua e outros e as horas passavam-se suave e gostosamente, relem-brando-se factos da nossa historia, costumes da nossa terra, os nossos grandes vultos do passado e até... a miséria do presente. Discutiam-se os Sertões, de Euclydes da Cunha e a Chanaan, de Graça Aranha, e fazíam-se commentarios sobre as noticias e artigos do Jornal do Commercio, que o velho Domingos Ribeiro lia religiosamente todas as manhãs, marcando a lápis vermelho as passagens mais interessantes e indo levar-mas á casa, sempre alegre e satisfeito, cheio de meiguices e carinhos para os meus filhinhos, que idolatravam o bom amigo do “papae”. Amigo intimo de João Alfredo e Joaquim, como chamava ao Nabuco, mantinha com elles repetida correspondência e ficava radiante de alegria quando recebia cartas e trabalhos delles. Então era certa a visita de Domingos meia ou uma hora depois da passagem do carteiro; entrava-me pela casa a dentro e mostrava-me ou lia, com verdadeiro orgulho e satisfação, a carta ou papeis recebidos.

Graças a esta privança, óptima camaradagem e intimidade fraternal, fui eu o primeiro a ler em S. Paulo a Chanaan, de Graça Aranha, enviada pelo Joaquim Nabuco. E então as horas passavam ligeiras, pois o Domingos Ribeiro era uma chronica viva. Que memoria admirável e que amor ás cousas pátrias e aos grandes homens do nosso paiz ! Só havia uma noticia que acabrunhava o meu inolvidável amigo: era a que lhe transmittia o compadre Dantas sobre o seu sertão da Parahyba, nas vizinhanças do nosso Recife. Livre pensador até uns quinze ou vinte annos passados, abandonou tal modo de pensar, dedicando-se inteiramente ao Christianismo; irmão do Carmo, tomava completamente a serio todos os seus deveres e era um encanto ouvil-o mostrar as bellezas do culto e o bem estar e elevação de sentimentos nascidos do cumprimento de taes deveres. E então citava a Passalaqua factos da vida de D. Luiz dos Santos, o bispo do Ceará e arcebispo da Bahia; de D. João Esberard; de D. Jeronymo Thomé; do cardeal Arco-Verde; e de quanto padre e frade notável houve por este nosso norte e pelo sul do paiz. Conversava sobre magistrados, engenheiros, políticos e tutti quanti com muito critério e uma verve inexgottavel. Depois, ou nos jantares de anniversario, ou nas modestas ceias, ao lado dos amigos, em numero pequeno, mas infallivel, era o visível e manifesto prazer da vida da família, que o Desembargador Domingos Ribeiro cultivava com requintes de enthusiasta, com um “savoir faíre” de mestre competentíssimo.

Para conseguir naturalmente aquellas tão boas e sãs reuniões, era-lhe poderoso auxilio, senão encantador incentivo a sua respeitabilissima e santa senhora. Que alma angélica e pura a de D.a Carlota Inglez de Souza Ribeiro e que coração nobilíssimo e bem formado!... Comprehende-o bem quem avalia quanto é grato, consolador e bom ter-se ao lado da esposa e das filhas um anjo de bondade e de pureza.

Eu vi hontem, em S. Benedicto, meu Domingos Ribeiro, pintadas, no semblante de todos os amigos alli Dresentes ou representados, a dôr e o pezar sincero pelo desapparecimento daquelle privilegiado casal, que tanto nos amou e tanto bem nos fez. E ao separar-nos, tristes e abatidos, ouvi, com a sinceridade dos julgamentos expontâneos e devidos, estas expressões: Cumpriu bem a sua missão: foi um justo, um honesto, um bom”.