Nasceu em Fortaleza, 17 de dezembro de 1910, filha do Juiz Dr. Daniel de Queiroz e Clotilde Franklin de Queiroz. Tinhas apenas 5 anos quando a terrível seca de 1915 varreu o Ceará, principalmente a zona de Quixadá, o que levou a família a emigrar para o Rio de Janeiro: as cenas dantescas do sofrimento de sua gente, mesmo daqueles mais afortunados como seus pais, ficaram indelevelmente gravadas na memória da garota viva e esperta que, com 20 anos incompletos, ingressou no jornalismo, iniciando uma carreira oem sucedida. A cultura brasileira vivia naquele tempo momentos de grande agitação, que se haviam seguido à Semana de Arte Moderna realizada em São Paulo com grande estardalhaço. Rachei sentiu no tema das secas preciso manancial para a literatura em que então se iniciava, e colocando alma e coração em sua criatividade escreveu as páginas fulgurantes de O Quinze, com que deflagrou a monumental fase do romance nordestino, em que brilharam as figuras marcantes de José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Jorge Amado e ,outros escritores notáveis que sonharam traduzir em palavras o angustiante drama de seus irmãos condenados ao sofrimento e à miséria pela secular catástrofe das secas.
O romance alcançou projeção nacional e a ele se referiram encomiasticamente as vozes mais altas de crítica literária do país. Era o tempo em que Clóvis Beviláqua se indispunha com a Academia Brasileira de Letras, da qual era Membro fundador, por vedar o ingresso de sua esposa Amélia de Freitas Beviláqua no quadro acadêmico pelo simples fato de ser mulher, ninguém poderia supor que aquela jovem iniciante, conterrânea de Clóvis, viesse, cerca de quatro décadas após, com o vigor de sua literatura, vingar a desfeita do vetusto sodalício ao insigne jurisconsulto. Isto ocorreu em 1977, após a morte de Cândido Mota Filho, quando Rachel conseguiu transpor a barreira do machismo acadêmico e ser eleita; para a cadeira n° 5 (patrono: Bernardo Guimarães). Escrevendo diariamente nos jornais, tem publicado bom número de livros que, mesmo não se igualando ao da estréia, mantiveram o seu nome no primeiro plano dos escritores brasileiros e americanos deste século: João Miguel; Caminho de Pedras; As Três Marias; Dora Doralina; A Beata Maria do Egito; A Donzela e a Moura Torta e o recente sucesso de O Memorial de Maria Moura. Sua trajetória existencial é pontilhada de participações importantes na vida cultural do país: durante 22 anos foi Membro do Conselho Federal de Cultura, representou o Brasil na 21a Assembléia Geral da ONU (1966), foi distinguida com importantes prêmios literários só em 1993, o Camões e o Jabuti, recebeu títulos de doutor Honoris Causa e medalhas de mérito altamente honrosas e teve promovida pela Biblioteca Nacional, em 1970, uma exposição de sua obra, em comemoração aos quarenta anos de publicação de O Quinze.