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Biografia

Francisco Alves Vieira

nasceu em 1855

Este nome aparece em outro verbete do acervo Francisco. Alves VIEIRA 1855 · Soure
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Filho de Raymundo Alves Vieira e D.a Demitildes Vieira da Costa, nasceu em Soure a 3 de Dezembro de 1855.

Aos seis annos de edade e já morto seu pai entrou para a escola publica de Fortaleza, regida pelo professor Luiz Carlos da Silva Peixoto.

Devido em parte aos methodos pedagógicos da época nenhum progresso apresentou em seus primeiros estudos, tendo ao contrario creado verdadeira aversão a tudo quanto se relacionava a ensino, não hesitando mesmo a abandonar o lar materno no intuito de livrar-se do encommodo da escola. Tal era o estado do seu espirito,—quando sua mãe, já cançada de lutar, quiz dar-lhe outra direcção, e por isso foi aos doze annos de idade servir como caixeiro do poeta Juvenal Galeno em um pequeno quarto da feira de Pacatuba, e posteriormente de Frederico Nunes de Mello em Fortaleza.

Essa nova vida, que durou pouco mais de um anno, não lhe sorriu, de sorte que já na adolescência e ainda quasi analphabeto, teve á vista da energia excepcioual de sua mãe de decidir-se a reencetar os estudos primários. Mas agora entrava expontaneamente aos quinze annos de edade na escola primaria do professor Pedro Pereira da Silva Guimarães. Tendo-se matriculado pelo meiado do anno lectivo, no anno seguinte concluiu o curso primário e obteve attestado de exame para cursar as aulas do Lyceu, onde estudou alguns preparatórios.

Pobre e victima dos preconceitos sociaes, estava fatalmente votado ao funccionalismo publico uma vez que não podia ser Dr. Faltando-lhe apenas tres mezes para dezoito annos, edade exigida para concorrer a um logar de Praticante no Thezouro Provincial, não lhe foi possível conseguir do digno vigário José Lourenço da Costa Aguiar (mais tarde Bispo do Amazonas) certidão de idade exigida para a inscripção. Estava resignado a esperar, outra opportunidade, quando vagou o logar de Amanuense da Cadeia Publica e para elle foi nomeado com o ordenado de Rs. 30$ mensaes pelo Dez.or Esmerino Gomes Parente, então na Presidência da Provincia.

Entrou posteriormente em dois concursos em que foram nomeados Raymundo Antonio da Rocha Lima e Benjamin Moura. Mais tarde matriculou-se no Lyceu tendo obtido previamente exoneração do cargo de Amanuense, e em 1878, devido a um caso de beriberi em pessoa de sua família a quem teve de acompanhar, foi ao Rio de Janeiro, onde continuou no mosteiro de S. Bento os estudos de humanidades que lhe eram dados gratuitamente. Para a sua subsistência material conseguiu uma collocaçáo na revisão da Gazeta de Noticias do Rio de Janeiro, onde trabalhava á noute. Feitos os preparatórios para pharmacia, matriculou-se no primeiro anno d'esté curso, que não fez em consequência de moléstia que o obrigou a deixar o Rio par algum tempo para restabelecer-se.

No commando do Major José Alexandre Nunes de Mello occupava o cargo de Secretario da Guarda Urbana da Corte e á noute trabalhava como auxiliar da redacção da Folha Nova, jornal que tendo sido, aliás, bem acceito pela opinião publica, teve pouca duração em consequência de suas tendências escravocratas posteriormente reveladas.

Tomou parte activa na campanha abolicionista e foi o promotor da "Sociedade Abolicionista Cearense" que com outros fundou. A sua sessão inaugural realisou-se em uma casa da rua da Misericórdia e desde a installação occupou elle o cargo de 1.o Secretario.

Filiou-se ao partido republicano a 2 de Outubro de 1881, data em que foi aceita a proposta de sua admissão para membro do Club Tiradentes do Rio de Janeiro.

Por portaria de 31 de Março de 1884 foi nomeado Praticante da Secretaria de Estrangeiros pelo ministro Francisco de C. Soares Brandão ; promovido a Amanuense por portaria de 20 de Abril de 1885 pelo ministro Manoel Pinto de Sonza Dantas ; a 2.o Official pelo ministro Rodrigo A. da Silva por Decreto de 26 de Janeiro de 1880; a 1.o Official pelo ministro Carlos Augusto de Carvalho por Decreto de 31 de Dezembro de 1894.

Foi Official do Gabinete do ministro João Felippe Pereira durante a revolta da Armada e serviu interinamente de Director de Secção da Secretaria do Estado dos Negócios Estrangeiros.

Por Decreto de 30 de Dezembro de 1895 foi nomeado Consul Geral de 2.a classe pelo ministro Carlos Augusto de Carvalho, sendo designado para servir em commissão no Vice-Consulado em Francfort sobre o Meno, d'onde foi transferido para o Consulado em Londres pelo ministro Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira.

Por Decreto de 24 de Janeiro de 1901 foi posto em disponibilidade pelo ministro Olyntho Máximo de Magalhães, mas o ministre Rio Branco fel-o voltar a exercer o cargo de Consul em Londres por Decreto de 24 de Janeiro de 1903, e o promoveu a Consul Geral de 1.a classe por Decreto de 28 de Fevereiro de 1906.

A 20 de Maio de 1889 casou-se no Rio de Janeiro com D.a Olga Weguelin, filha de Augusto Weguelin, Consul Geral da Suissa.

Francisco Alves publicou1

  1. Conferencia realizada no dia 11 de Fevereiro de 1908 no Museu Commercial do Rio de Janeiro.