FB

Biografia

Francisco de Paula Barros

nasceu em 1858

Este nome aparece em outro verbete do acervo Francisco de Paula BARROS sem datas · Fortaleza
4 min de leitura 820 palavras

Filho de Francisco de Paula Barros e D. Maria de Paula Barros, nasceu em Fortaleza.

Negociante, official de marinha e empregado publico. Suicidou-se na sua própria Repartição no Rio de Janeiro vindo a fallecer a 22 de Junho de 1891. Occupava então o posto de chefe de secção na Secretaria da Agricultura.

É autor do opúsculo Palavras a noiva, offerecido a Exm.a D.a Emilia de Castro Medeiros, e de um livro de poesias e prosa sob o titulo Escriptos de hontem, publicados em 1865 no Rio de Janeiro. Dessa obra conheço a edição sahida da Typ. Brazileira, Rua Formosa 88, 1870, Fortaleza. É volume de 207 paginas de prosa e 88 de versos.

Prosa e Verso, editor T. Cameron, Petrópolis, Typ. do Mercantil de Bartholomeu Pereira Sodré, rua do Imperador n.o 4, 200 pgs., 1865, é outra producção sua.

Escreveu também uma scena dramática, O Capitão Hippolyto, representada no theatro Pedro II pelo actor Amoedo. Rio de Janeiro. 1877, 13 pags. in 4.o, e um Compendio Elementar da physica, que teve tres edições, 1881 (100 pags.), 1882 (118 pags.) e 1885. Esta 3.a edição in 8.o tinha o titulo Compendio de physica, para leitura, destinada ás escolas primarías e adoptado na Corte e provincias de Minas Geraes, S. Paulo, Piauhy e Rio Grande do Sul.

Pertencia á Sociedade Internacional União Ibero-Americana de Madrid.

Francisco de Paula Ney—Nasceu em Fortaleza a 2 de Fevereiro de 1858, sendo seus paes o artista Mariano de Mello Ney e D.a Carlota Cavalcante Ney.

Foi nomeado pelo Marechal Floriano Peixoto director da hospedaria de Emigrantes, cargo de que foi distituido pelo governo do Dr. Prudente de Moraes.

Publicou com Coelho Netto e Pardal Mallet O Meio, social, politico, litterario e artístico, 1889, impresso a principio nas officinas d'0 Dia e depois na Typ. A. F. Reynaud, n.o 77 rua d'Alfandega, Rio.

Ao morrer occupava o logar de amanuense da directoria geral de Saúde Publica, de que então era chefe Nuno de Andrade.

Falleceu na Capital Federal, casa n.o 57 da rua Buarque de Macedo, a 13 de Outubro de 1897, victima de tuberculose pulmonar.

Seu enterro constituiu-se uma apotheose á imprensa de que foi elle um dos mais constantes e intelligentes collaboradores, e aos grandes dotes de seu coração de patriota e de homem caridoso.

Sobre a sua morte disse a Republica, do Rio :

Não é talvez dizer muito affirmando que elle foi o moço mais popular do Rio de Janeiro, e um dos que melhor justificaram essa popularidade.

Dotado d'um talento másculo para se fazer admirado, o poeta cearense reunia todas as qualidades do bohemio, espirito em alto gráo, despreso absoluto dos pequeninos nadas, que constituem quasi sempre a origem das grandes misérias humanas, e um grande coração, tão grande mesmo que para elle a amisade não era só uma virtude, era pouco menos que uma religião”.

Fallando do triste acontecimento se expressou assim A Noticia, da mesma cidade :

Foram em vão todos os recursos da sciencia dispensados com desvelos inexcediveis. Paula Ney succumbiu hontem, depois de cruciantes padecimentos, a essa complicação de moléstias que de muito tempo lhe vinham minando o organismo, frágil envolucro de um grande espirito e de um grande coração.

O nome d'esse inolvidável rapaz ficará como uma tradição imperecedoura da bohemia incomparável, que de vinte annos para cá fez a alegria e a gloria das nossas gerações litterarias.

Talhado para as lutas em que todas as faculdades da intelligencia se retemperam e vigoram, dispondo de um verbo fluente, impetuoso e cantante, cheio de fantasia e de graça e de louçania no imprevisto da imagem como no da simples exposição—discursando ou conversando — Paula Ney era o encanto de todos os seus ouvintes, não exceptuando mesmo aquelles a quem a sua palavra ardente fustigava pela ironia, pela satyraou pela apostrophe.

Quantos o ouviram alguma vez guardarão a memoria da melopéa que dava corpo á sua oratória caprichosa, tantas vezes extravagante, mas sempre imaginosa e alevantada, que era, conforme o assumpto e as circumstancias, a hilaridade e a fascinação”.

Seu compendio de Physica teve uma 4.a edição, cuja resenha é a seguinte:

Compendio de Physica para leitura destinado ás Escolas Primarias, adoptado nos Ministérios do Império e da Marinha e nas Províncias de Minas Geraes, S. Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauhy, Amazonas, Pará e Matto Grosso. Illustrado de gravuras sob madeira e escripto por Francisco de Paula Barros, 4.:l edição, Rio de Janeiro, 1889. Cartonado in-8.o com X-f-162 pp. Ainda ha uma 5.a edição, de 1902, publicada pela Papelaria Macedo, rua da Quitanda, Rio. Foi também adoptado no ensino das escolas regimentaes do exercito.

Seu livro Prosa e Verso é uma brochura in-8.o peq., com 5 pp. sem numero e 200 numeradas de 2 em diante. Traz uma introducção assignada pelo autor (Paula Barros), uma novella com IX capítulos e um epilogo, intitulado “Etelvina”.

Bibliografia1

  1. Conto ao Luar, tres contos e diversas poesias.