FP

Biografia

Francisco Mendes Pereira

1830–1896

Fortaleza Bacharel
Este nome aparece em outro verbete do acervo Francisco Mendes PEREIRA 1830–1896 · Fortaleza
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Filho de outro do mesmo nome e de D.a Joaquina Vieira Mendes. Nasceu em Fortaleza a 14 de Outubro de 1830:

Concluido seu curso primario, frequentou as aulas de latim, francês e inglês, regidas, aquella pelo Ps Manoel Severino Duarte, e estas pelo Professor Jorge Acursio Silveira.

Em 1845 seu pae, que era commerciante, viu-se obrigado a liquidar seus negocios e emigrar com toda familia para Maranhão, afim de evitar o flagelo da secca que então devastava a Província.

Alli concluiu elle seu curso de humanidades no Seminario, figurando entre os mais distinctos alumnos, pele comportamento, intelligencia e applicação.

Mas outra vez foi obrigado a mudar de residencia para a Provincia do Pará, por ter sido seu pae exonerado do logar de administrador da Capatazia, que exercia no Maranhão, e então dedicou-se ao magisterio, em collegio particular.

E taes foram seu comportamento e correcção, que adqueriu as relações dos homens mais prestigiosos daquelle tempo, e estes conseguiram que fosse elle, subvencionado pela Província, encetar os estudos academicos.

Matriculado na Academia de Direito d'Olinda, terminou seu curso, obtendo em todos os annos approvação plena.

Bacharelando-se em 1857, regressou ao Pará e foi logo nomeado juiz municipal da Vigia.

Findo o quatriennio foi nomeado Juiz de Direito de Santarém, e depois removido para Monte-Alegre e d'ahi para a Capital.

Com o advento do regimen republicano foi nomeado a 29 de Novembro de 1890 juiz dos casamentos, a 19 de Maio de 1891 auditor de guerra e a 18 de Julho do mesmo anno juiz seccional do Pará.

No exercício deste importante cargo teve de tomar conhecimento de uma petição, que lhe dirigiram os desterrados políticos de Cucuhy, impetrando a concessão de habeas-corpus.

Os fundamentos de seu despacho, indeferindo essa pretenção, valeram-lhe convite honroso para occupar um logar no Supremo Tribunal Federal, honra de que declinou por não poder abandonar, alem de seus filhos, a família de sua velha mãe viuva e irmans de quem era o único arrimo.

Casou-se com uma senhora de família distincta do Pará.

Enviuvando, não passou a 2.as núpcias, entregou-se dedicadamente á educação de 4 filhos menores, sendo 2 do sexo masculino.

O primogénito foi cursar a Faculdade de Direito do Recife, onde fez brilhante figura, obtendo approvação com distincção em quasi todos os annos, mas suecumbiu a uma violenta febre depois de laureado com o grau de Bacharel em Sciencias Jurídicas e Sociaes.

Este fatal acontecimento feriu de morte a seu velho pae, que tendo vindo antes duas vezes á terra natal aspirar o seu clima benéfico, não pôde realisar a 3.a viagem visto ter na véspera do embarque sido atacado por um insulto apopléctico.

Falleceu no dia 4 de Maio de 1896.

Francisco Mendes Pereira alem dos conhecimentos que tinha de jurisprudência, era mui preparado em Historia, principalmente a antiga.

De uma memoria prodigiosa, retinha e expunha com critica admirável os factos mais intricados e importantes. Era alem disso um colleccionador de anedoctas, cada qual a mais chistosa.

Em uma das ferias de seu tempo de academico, que passou em Fortaleza em casa do cunhado Francisco Emígdio Soares da Camara, Inspector de Fazenda aposentado, encontrou-se com o grande poeta maranhense Antonio Gonçalves Dias, com quem aprendeu a jogar xadrez; tornou-se tão notável neste passatempo, que entretinha correspondência com jogadores abalisados da Europa, enviando-lhes valentes problemas para serem resolvidos, e bem assim com o grande Brasileiro Almirante Saldanha da Gama, um de seus maiores apreciadores.

Conheço delle

Bibliografia2

  1. Discurso que proferiu na assembléa legislativa da província do Gram Pará na sessão de 12 de Outubro de 1861. Santarém. 1862, in 4." de 40 pgs.
  2. Resposta que o juiz de direito de Vigia, servindo de desembargador, deu á suspeição opposta no julgamento de um aggrave de petição entre partes Bacharel V. Chermont de Miranda e Octaviano José de Paiva, Pará, 1879, in 8.o.