Filho de João Rodrigues Souto e D.a Francisca de Almeida Souto, nasceu em Fortaleza a 12 de Maio de 1826 e foi baptisado pelo Revd. Padre Manoel Severino Duarte na Egreja do Rosario, antiga Matriz, sendo seus padrinhos Manoel Caetano de Gouvêa e sua mulher D.a Francisca Agrella de Gouvêa.
Estudou humanidades nas aulas avulsas de preparatórios, então existentes em Fortaleza, e no Lyceu, sendo que foi elle o 1.o alumno a prestar exame de latim nesse estabelecimento, ha pouco creado. Foram seus examinadores os Padres Th. Pompeu e Severino Duarte e o Dr. Marcos Theophilo. Foi isso em Novembro de 1845, A acta respectiva o dá então com 19 annos de edade.
Por officio ou portaria do vice-presidente João Chrysostomo de Oliveira, de 21 de Agosto de 1847, foi nomeado para reger interinamente a cadeira de latim, vaga pêlo fallecimento do respectivo professor Padre Manoel Severino Duarte.
Inaugurado o antigo Lyceu a 19 de Outubro de 1845, foi nomeado, mediante concurso, substituto das cadeiras de Francês e Inglês (Portaria de 4 de Outubro de 1847), e vagando a cadeira de Inglês, por opção que fez do logar de Guarda-mór da Alfandega o então professor Jorge Acursio e Silveira, foi nomeado, ainda precedendo concurso, lente da referida cadeira (Portaria de 24 de Novembro de 1848), e nella se aposentou por Portaria de 7 de Fevereiro de 1882.
No concurso da substituição da cadeira de francês com elle competiu o Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe, mais tarde Senador do Império e Visconde de Jaguaribe.
A lei provincial de 3 Outubro de 1852 lhe tendo concedido 5 annos de licença, com ordenado mas com a obrigação de deixar substituto a expensas sins, seguiu para o Recife cuja Faculdade cursou, obtendo o diploma de Bacharel a 3 de Dezembro de 1857. De volta reassumiu o exercício da cadeira a 24 de Dezembro.
Foi Procurador Fiscal interino da antiga Thesouraria de Fazenda, no impedimento do Dr. Manoel Soares da Silva Bezerra (Portaria de 16 de Janeiro de 1858); Promotor Publico interino no impedimento do effectivo, Dr. Joaquim Mendes da Cruz Guimarães (Officio do juiz de Direito Manoel Joaquim Ayres do Nascimento, de 12 de Abril dei858); Delegado da Companhia Internacional Forense (Alvará de 2 de Julho de 1858); Substituto do Juiz Municipal de Fortaleza (Titulo de 18 de Janeiro de 1866); Secretario do Governo (Dec. de 27 de Janeiro de 1866), posto de que foi exonerado com a nova situação politica por Dec. de 5 de Agosto de 1868; Defensor dos casamentos (Provisão do Vigário Geral Monsenhor Hippolyto Gomes Brazil, de 13 de Agosto de 1 873); Cavalleiro da Ordem de Christo por serviços prestados á Instrucção Publica (Dec. de 31 de Janeiro de 1872, e Delegado Especial da Instrucção Publica primaria e secundaria (Dec. de 26 de Setembro de 1889), cargo que lhe foi confiado de novo em 1899.
Proclamada a Republica foi eleito Senador Estadual nas eleições procedidas a 15 de Agosto de 1891, (teve 1043 votos, sendo o mais votado dos quatro opposicionistas eleitos), e a 10 de Abril de 1892.
Promulgada a Constituição de 12 de Julho de 1892 e refundidos Senado e Camara, foi no dia 15 eleito Presidente da Assembléa Legislativa (tal o nome que tomou o novo corpo legislativo) servindo durante toda a sessão, que terminou a 5 de Novembro, e mais tarde 3.o vice-presidente do Estado na sessão de 8 de Julho de 1893.
Tem desde 1899 occupado uma das cadeiras dos deputados federaes pelo Ceará.
É membro da Sociedade de Geographia de Paris por diploma de 18 de Novembro de 1887.
Com o Secretario do Bispado padre Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, depois Bispo de S. Paulo, fundou em 1866 o jornal Tribuna Catholica em cuja redacção esteve até 1875.
Em 1890, na Gazeta do Norte escreveu muitos artigos assignados, impugnando as medidas odiosas do Governo Provisório contra a Egreja e o Clero.
Em 1875 publicou em folheto a traducção, em verso, de fragmentos do Paraíso Perdido, e mais tarde na Republica, de Fortaleza, differentes artigos sobre assumptos religiosos, e Odes de Horácio, também traduzidas em verso.
A Galeria Cearense estampou outros fragmentos do poema de John Milton, cuja traducção tem-a elle completa, aguardando opportunidade para dal-a á imprensa.
A Revista da Academia Cearense de 1898 traz um seu Discurso proferido perante aquella douta aggremiação sobre o acadêmico José Carlos da Costa Ribeiro Júnior.