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Biografia

Gonçalo Ignacio de Loyola Albuquerque Mello Mororó

datas não informadas no verbete

Padre
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Nasceu na povoação do Riacho Guimarães. Foram seus paes o Rio Grandense do Norte Felix José de Souza e Oliveira e D.a Theodosia Maria de Jesus Madeira, natural da freguezia de Sobral, casados a 5 de Agosto de 1765.

Avós paternos: Francisco de Souza e Oliveira e D.a Tecla Rodrigues Pinheiro, naturaes do Rio Grande do Norte.

Avós maternos: Manoel Madeira de Mattos, natural da freguezia de S. Bento do Arcebispado de Coimbra, e D.a Francisca de Albuquerque e Mello, natural de Goyana ou Serinhaem em Pernambuco.

Ordenou-se no Seminário de Olinda, onde alem des estudos ecclesiasticos dedicou-se aos das sciencias physicas e naturaes.

De volta ao Ceará foi capellão da lagar Boa Viagem (1810) e mais tarde (1814) de Tamboril.

Favorecido com a amisade do governador Sampaio, for, nomeado professor de latim da viila do Aracaty (1818) de que se demittiu em Dezembro de 1821, passando então a morar em Campo Grande, outr'ora Villa Nova d'EI-Rei, para onde chamou para sua companhia, afim de educal-os, ao C:' Felix José de Sousa, seu sobrinho, e Francisco José de Sousa, seu. primo, que residia em Campo Maior, Capella das Barras ; de. Campo Grande passou-se para a Barra do Sitia e depois para a fazenda Cannafistula e finalmente para Quixeramobim. Nesta cidade fez a câmara reunir-se em grande sessão a 9 dc Janeiro de 1824 e declarar decahida a dynastia Bragantina.

Foi esse o inicio da revolta, que tantas lagrimas e tanto sangue custou ao Ceará.

Destroçados os republicanos em S. Rosa, feita a contra-revolução do Crato, proclamada de novo a monarchia por José Felix, que ficara na presidência da Província como substituto de Tristão Gonçalves, seguiu-se a perseguição dos prii-cípaes chefes, a captura dos cabeças da republica.

O Padre Mororó, preso em Fortaleza, á Rua dos Mercadores hoje Senna Madureira, e condemnado á pena ultima, como o foram também seus companheiros de ideias Anta, Bolão, Carapinima e Pereira Ibiapina, foi fusilado na actual Praça dos Martyres, angulo norte do Passeio Publico, a 30 de Abril de 1825. Partilhou com elle o supplicio o Coronel de milícias João de Andrade Pessoa Anta.

Profundo latinista, bom pregador sacro, jurisconsulto, botânico, foi Mororó também o director e redactor do 1.o jornal publicado no Ceará, o Diário do Governo do Ceará, sabido á luz a 1 de Abril de 1824.

Do Diário dei uma noticia um tanto desenvolvida nos Annaes da Imprensa Cearense, publicados pela Revista do Instituto Histórico e Geographico Brazileiro em 1908.

A elle cabe também a gloria de ter sido o secretario na sessão memorável de 26 de Agosto de 1824 chamada Grande Conselho em que foram proclamadas a Republica no Ceará e sua completa adhesão á Confederação do Equador.

Era Cavalleiro da Ordem de Christo.

Encontra-se sua biographia com detalhes nos trabalhos do Coronel João Brigido intitulados Miscelanea Histórica, 1889, e Biographias, Revista do Instituto do Ceará, 1889, e nos de Paulino Nogueira na mesma Revista, anno de 1889, pag. 204, e anno de 1894, pag. 18. Damasceno Vieira (Mem. Hist. Bras., Tomo 2.”) erra-lhe o nome, chama-o Gonçalo Ignacio de Albuquerque Maranhão Loyola Mororó.