Filho do Capitão de ordenanças Thomaz Antonio Pessoa de Andrade, de quem tratei á pag. 290 e de D.a Francisca Maria de Jesus Motta, nasceu em Granja a 23 de Dezembro de 1787. Negociante e criador.
A seus esforços e poderoso concurso mallogrou-se a tentativa de Fidié para apoderar-se da villa de Parnahyba, que se declarara pela Independência. Esses e outros importantes serviços á causa publica valeram a João de Andrade a nomeação de Coronel de milícias e o Officialato do Cruzeiro.
Opposicionísta a Pedro José da Costa Barros e adheso ás idéas da Republica do Equador, que, aliás, desconfessou logo que teve noticia do bloqueio de Fortaleza por Cochrane e da completa transformação de José Feliz, substituto de Tristão no governo da Republica, o Coronel Pessoa Anta foi por denuncia e traição dos seus escravos José e Francisco entregue a Conrado de Niemeyer a quem insuflava Marcos Antonio Brício, seu inimigo pessoal, e, depois de condemnado pela celebre Commissão Militar, foi espingardeado ao lado do Padre Gonçalo Mororó a 30 de Abril de 1825.
A essa execução se referem dois interessantes documentos publicados ás pags. 37 e 38 das minhas Datas e Factos para a historia do Ceará, vol. 2.o.
Nestes termos é concebida a despedida de Pessoa Anta
á família e aos amigos.
Manos, patrícios e amigos, envio a todos perpetua saudade muito especialmente a meus filhos, masculinos e femininos.
Oratório, 28 de Abril de 1825.
Hoje pelas 3 horas da tarde foi-me intimada minha sentença de morte! prasa a Deus que fosse por Deus assim destinado, como meu verdadeiro Author.
Peço a todos que não se magoem por minha morte por não ser ella motivada por crime que mereça execração publica e sim por opinião que segui; e se tiverem noticia que em o cadafalso mostrei alguma fraquesa, não deve ser reparada, porque o homem não pode resistir aos effeitos da natureza.
Peço a todos incessantemente que roguem a Deus por minha alma nas suas orações diárias, porque meus rogos talvez não sejam .capazes de obter.
O Supremo Dictador da natureza vos dê melhor sorte, que eu saudoso vos deixo. Não sou mais extenso porque já me vae faltando o tempo para os negócios d'alma.
Sou o mais amante dos patrícios, e á minha nação amarei
ainda na sepultura.
Adeus meus charos filhos até o dia tremendo —João de Andrade Pessoa Anta”.
A 15 de Julho o ministro da guerra João Vieira de Carvalho ordenava a Conrado que informasse uma petição que a 12 de Fevereiro Pessoa Anta dirigira á Imperatriz!
Dando conta do assassinato dos dous infelizes patriotas cearenses escreveu Conrado Jacob de Niemeyer ao Ministro da guerra:
Hontem pelas 9 horas da manhã foram fuzilados, por sentença da commissão militar, os rebeldes, Padre Gonçalo Ignacio Loyola e o Coronel João de Andrade Pessoa Anta, ficando recommendado á piedade de S. M. I. e Co Te-nente-Coronel Antonio Bezerra de Souza, que nesta província serviu por algum tempo de Commandante d'armas. Não posso deixar de aproveitar com prazer este delicioso momento para novamente fazer patente a S. M. I. a disciplina e subordinação de toda a tropa de meu commando, a firmeza, o silencio, a obediência, o respeito que patenteou no acto da execução dos réos, e o enthusiasmo, com que deram os vivas e entoaram o hymno nacional, me encheu de maior confiança a seu respeito”.
Sobre Pessoa Anta Lêam-se João Brigido (Miscellanea Histórica e Revista do Instituto do Ceará, 2.° trimestre de 1889) e Paulino Nogueira (Revista do Instituto 3.° e 4.° trimestres de 1889 e 1.° e 2.° trimestres de 1894).