Nasceu em Maranguape em 1823. Graduando-se em 1845 na Faculdade de Direito de Olinda, entregou-se á carreira da magistratura, foi promotor publico de Fortaleza, juiz municipal de Caxias, chefe de policia do Pará, juiz de direito nas províncias do Maranhão, Piauhy, Alagoas e Rio Grande do Sul, Desembargador da Relação do Maranhão em 1872 e da do Ceará em 1874. Falleceu em Maranguape a 23 de Setembro de 1885. Dando noticia de sua morte assim se expressou a Gazeta do Norte, orgam liberal e portanto insuspeito, sendo o Desembargador João de Carvalho conservador intransigente:
Depois de longos padecimentos, falleceu, hontem, no seu sitio da serra de Maranguape o Desembargador João de Carvalho Fernandes Vieira, membro dos mais illustres da magistratura brasileira.
Homem de temperamento ardente, e de modos que lhe correspondiam, era entretanto um coração accessivel á piedade, e mui bemfasejo.
Estudioso, intelligente, com largas noções de direito; parecendo violento, mas não sendo, em verdade, sinão resoluto, independente e consciente do seu dever; de uma probidade immaculada, amigo do seu paiz, dedicado a seus amigos, e de um amor acrisolado a seus parentes carecidos de protecção; o magistrado cearense era um dos filhos mais notáveis do Ceará.
Foi de espinhos a sua carreira em começo. Lutou contra os amigos políticos, contra os poderosos, e nos sertões contra os senhores de couto, verdadeiro terror das populações.
Incumbido, como delegado de policia e juiz municipal, de fazer entrar no dominio da lei o termo de Caxias, que se achava completamente sequestrado da communhão social por assasinos poderosos, que o dominavam, portou-se com uma audácia desusada, e fez baixar a cerviz aos mais arrogantes.
Nomeado juiz de direito, serviu em muitas províncias, sempre com honra e altivez, estimado dos pequenos, e respeitado dos poderosos. Por ultimo veio servir na Relação deste districto.
Alguns julgados, em que tomou parte, não resistem á critica, mas ha decisões suas, que lhe faziam muita honra, e em nenhum seu caracter foi suspeitado de afrouxar ante consideraçães indignas.
Como homem privado, era de um trato delicadíssimo e de uma extrema officiosidade. Económico, e cavalleiro, sempre estava prompto a liberalisar os seus recursos, e a se excusar ás generosidades dos amigos. Nunca teve credores, e se mostrou sempre bondoso aos que lhe deviam. Era impetuoso e susceptível; mas bom ao mesmo tempo. Rompia a qualquer signal de imposição, cedia a qualquer pedido justificado.
Sua morte foi em fim uma perda sentida para o Ceará, da qual lhe damos os pêsames”.