Nasceu a 7 de Abril de 1868 em Fortaleza.
Bibliografia1
- Phantos 1892 — 1893, Fortaleza, Padaria Espiritual editora, Typ. Universal, Rua Formosa 33, Cunha, Ferro & O1, 1893. Esse livro de versos, que é de 68 pp., traz uma carta-prefacio de Antonio Salles.
Fazia parte também do Centro Literario de Fortaleza, tendo servido de titulo de admissão um seu poema sob o titulo O Eremita.
Falleceu em Fortaleza a 19 de Julho de 1900 como empregado da Alfandega.
No silencio da noite erma Soltei dorida canção2
- Suspiros d'um'alma enferma, Gemidos d'um coração...
- Como a sentida oração
“ João Lopes Filho, hontem, ás 9 l/2 horas da noute, em sua residencia, á rua S. José, nesta cidade, succumbiu a um ataque de beribéri galopante, bruscamente, aos 25 annos, transformando um sonho de amor e de vida em sonho lethargico de morte.
Ao pervagar a noticia pela cidade, todos que conheciam o poeta humedeceram os olhos, acabrunhados e tristes pela perda adorável, do bom e generoso rapaz, que guardava no coração jóias reaes de affectos, sentimentos puríssimos, caricias extremas de bondade.
Em sua alma nunca houve fél para os outros e nos amargores da vida tinha a piedosa e melancholíca resignação dos crentes, ar de monge, aureola de santo em fronte de poeta.
Soffria satisfeito as maiores injustiças, sem modificar o rictus do rosto e a expressão do olhar, como quem estava seguro de justiça superior, fora do mundo. Nas divagações de seu espirito distrahia-se e ficava, muitas vezes, a contemplar uma paysagem, uma nesga de céo, enlevado e taciturno.
Lopes Filho é o autor de muitos bons versos e a collecção publicada, denominada Phantos, foi recebida com applausos por todos os críticos. Raymundo Correia, Clóvis Beviláqua e Araripe teceram ao joven poeta os mais justos encómios. Phantos, como toda obra literária de Lopes Filho, pertence á bibliotheca da Padaria Espiritual, que se sente desfalcada de mais um precioso obreiro.
A morte do poeta cearense produziu geral consternação, e funda saudade deixará no coração daquelles que elle amou como irmão.
A Republica, que se orgulhava de ter entre seus col-iaboradores o talentoso poeta, abeirando-se do seu tumulo, verte sincero e sentido pranto de saudade e gratidão.
DOLORES
E a briza, que ia passando Mais perfumada que a flor, Leva á ella suspirando As maguas do trovador...
Foi-se a tristonha canção,
Foi se extinguir lá nos céos...
Que sobe do homem a Deus...”