Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense
Nasceu em Fortaleza a 21 de Agosto de 1877 e é filho de Tristão de Araripe Macedo e D.a Argentina Moreira de Macedo, ambos também cearenses e já fallecidos.
Aos 14 annos seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Nacional de Bellas Artes, que lhe concedeu a medalha de ouro em 1899 e o premio de viagem á Europa em 1900.
Naquelle importante estabelecimento de instrucção teve como primeiro professor de desenho Pedro Weingartner, distincto pintor Sul-Rio-Grandense, que conheci em Roma nos salões de Bruno Chaves, Ministro Brasileiro junto ao Vaticano, em uma soirée de recepção dada por esse ¡Ilustre diplomata em homenagem a D. Duarte Leopoldo, que acabava de ser sagrado Bispo do Paraná.
A' ceremonia da sagração em que foi officiante o Secretario Merry del Val e ao banquete, que se seguiu no Collegio Pio Latino Americano, tive a fortuna de me achar presente.
Mais tarde João Macedo teve como professores de modelo-vivo João Zeferino da Costa e Modesto Brocos e de pintura Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo.
Em Paris, onde se demorou por tres annos e frequentou a Academia Julien, foram seus mestres os pintores Jean Paul Laurens, Baschet e Jean Leon Gerôme.
De regresso ao Brasil em 1903, conseguiu attrahir logo a attenção do publico entendido do Rio de Janeiro expondo no Salón daquelle anno varios trabalhos de merecimento, como a Canção Antiga e Porangaba, quadro de assumpto cearense, inspirado pelo poema de Juvenal Galeno. Possuo reproducções de ambos esses quadros.
O Catalogo da 1.o Exposição de Pintura ( 1903) da Casa Vieitas encerra 31 trabalhos seus entre os quaes os acima citados, Malmequer (Salão de Roma, 1903), Une blague, As lavadeiras, O gravador, que obteve medalha de ouro na Exposição Geral de 1900 e foi adquerido pelo nosso distincto patricio Dr. Henrique Samico, Jardim do Pincio em Roma, Na fonte, Saudades do ausente, Estatua de Vestal.
Referindo-se a Porangaba Leonardo de Vinci, o leve e brilhante critico d'A Noticia, assim se exprimiu em frazes de justa admiração ao dar conta das suas impressões do Salão:
Agora, nesta derradeira hora da exposição, á musa resta apenas tempo para fallar de um doce quadro, essa encantadora Porangaba, do Sr. João Macedo. O joven pintor é do Ceará e por isso não nos surprehende o seu talento. A terra da luz só tem um defeito—as seccas—e -esse ao que parece insanável. Mas no mais é perfeitamente farta. Abundam alli as carnaúbas, os poetas, as bellezas, as jangadas, os políticos e os jornalistas.
Também o assumpto da Porangaba era já tido como certo, porque sendo cearense o pintor, cearense havia de ser o thema do quadro. Tudo perfeitamente cearense para provar a solidariedade da raça. A Porangaba é realmente um quadro encantador; ha nelle a vibração de uma alma verdadeiramente artística que logo transmute a sua emoção a quem o contempla.
A parte quaesquer defeitos de technica ou de execução que a impressão geral não permitte esmiuçar, a Porangaba promette um artista de muito futuro, principalmente si não se perder nas paizagens, nos retratos e noutras obras semelhantes. O assumpto é talvez atrazado e restricto. Talvez só o Ceará comprehenda profundamente e de conhecimento próprio aquelle drama intimo que afflige a formosa e desditosa india. O essencial, porém, é que transpareça do quadro uma bella organisação artística e a promessa de um talento que se não perderá. Está encerrado o Salão”.
Ainda ha três annos (l907) durante minha permanência de alguns mezes no Rio de Janeiro tive o prazer de apreciar e applaudir numa das salas d'O Paiz a Exposição promovida pela Associação dos Aquarellistas e cuja commis-são organizadora se compoz de Julião Machado, Heitor Malaguti e Fiusa Guimarães.
Nella figuravam algumas dezenas de magníficos trabalhos, firmados com os nomes de doze artistas, si não me é infiel a memoria.
Benno Freidler expoz a Neblina, o Crepúsculo; Baptista da Costa duas paizagens; Modesto Brocos o Extasis, Flor de Abril, Reflexões; Rodolpho Amoedo o Anceio, o Corcovado. Ao lado desses mestres reputados, nosso patrício João Macedo foi quem concorreu com o maior numero de aqua-rellas, e todos õs visitantes lhe admiravam, além de quatro deliciosas paizagens, os trabalhos Cabeça de velho, Ao cahlr da tarde, Velhas mangueiras, Um pittoresco trecho de ma em Santa Izabel, Rosas e Vista panorâmica sobre Villa Izabel.
E no Salão de 1907 a que deu honra de sua presença o presidente da Republica Dr. A. Penna o consciencioso artista, que está a trabalhar sempre, expoz também tres excellentes trabalhos: Officina do pobre, Um solo interrompido e Viração da tarde para os quaes a crítica só teve palavras de elogio .e admiração.
Eis apenas delineada a chronica dos últimos annos desse cearense, cujo talento e savoir faire se tem manifestado sob múltiplos aspectos, já em trabalhos para os diversos Salons, já nas obras de decoração artística da Egreja da Candelária em que collaborou com o professor João Zeferino da Costa, quer illlistrando os sonetos dcs nossos grandes poetas, quer pintando graffiti romanos nos edifícios do Rio na sua phase actual de admirável embellezamento.
E não obstante quantos dos seus conterrâneos desconhecem-lhe o nome?!
Segundo 1001 Cearenses Notáveis
Grafado como João Moreira de Araripe MACEDO
Nasceu em Fortaleza, 21 de agosto de 1877. Radicou-se no Rio de Janeiro e ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde foi aluno de Zeferino da Costa, que o chamou para ajudá-lo nas obras de decoração da nave principal e da cúpula da igreja da Candelária. Desenhista e pintor, participou de numerosos Salões Nacionais; recebeu Medalha de Ouro (1899) e prêmio de viagem ao estrangeiro (1900), este com o quadro A Prece. Realizou exposições no Brasil e no estrangeiro (em cidades como Roma e Paris), sempre com absoluto êxito.