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Biografia

Joaquim José de Souza Sombra

datas não informadas no verbete

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Nasceu na freguezia de S. Bernardo das Russas a 6 de Setembro de 1819 e falleceu em Fortaleza, na rua Major Facundo n.o 162, na tarde de 23 de Fevereiro de 1911.

Foram seus paes José Lopes Sombra, filho do negociante Antonio Lopes Sombra, e D.a Francisca Eulália, filha do Dr. Joaquim de Souza da Fonseca Prata, que foi procurador da Coroa de S. M. Fidelíssima e a quem me referi nas Notas para a historia do Ceará na 2.a metade do século XVII.

José Lopes Sombra procede do casamento celebrado a 25 de Novembro de 1771 entre Antonio Lopes Sombra, do Patriarchado de Lisboa, e D.a Francisca Marcella, natural de S. Bernardo de Russas e filha de Gaspar Pereira de Oliveira e de D.a Catharina Calado de Sousa (Vide vol. 1.o p. 407). Celebrou o acto o Padre Frei Estanislau de Santa Thereza perante as testemunhas Manoel Alvares Silva e Francisco Ribeiro.

Antonio Lopes Sombra, de Lisboa, teve por paes Manoel Lopes Sombra, nascido em Torrões, bispado de Lamego, Portugal, e D.a Ignacia da Silva, natural de Lisboa.

Muito moço deixou Joaquim Sombra o lar paterno procurando o serviço militar para o qual sentia decidida aptidão.

Fazia parte do contingente militar estacionado em Fortaleza, no anno de 1840, quando foi designado pelo Senador Alencar, então presidente da Província, para ir em companhia do Major José Felix Bandeira pacificar a sedição, que se levantara em Sobral com o intuito de depor o dito Presidente.

Assim se exprimiu o Chefe da expedição Major José Felix Bandeira sobre a conducta de Sombra, em documento publico: “foi o primeiro que fez frente ao inimigo na noite de 14 de Novembro até que foi reforçado por maior força.

Posso asseverar, continua o Major José Felix, que a fidelidade, exactidão e bravura deste official foi que deu sempre exemplo aos valentes e briosos officiaes e soldados amigos do Throno Augusto de S. M. Imp. e Const. a pegar em armas e bater um bando de anarchistas que pretendiam levar a Província aos horrores da anarchia”.

Seguindo para o Rio de Janeiro hospedou-se em casa do Senador Alencar onde assistia ás sessões secretas da “Sociedade dos Invisíveis”, o celebre comité politico de onde se irradiaram todos os movimentos patrióticos daquella epocha.

Obedecendo a um piano daquella associação, transportou-se em companhia do chefe politico Dr. José Lourenço de Castro e Silva, e outros ao Pajehú das Flores, logar determinado para a reunião de todos os chefes e influencias politicas dos sertões do Cariry e Pernambuco a assentar as bases de uni movimento sedicioso contra o Governo.

Fracassou, porém, a revolução pelas medidas tomadas a tempo pelo Governo, e Sombra foi processado e pronunciado como um dos autores da rebellião, e só milagrosamente escapou com seus companheiros da justiça, ou, antes da morte. Annistiado, voltou ao Ceará.

A intimidade de Sombra com José de Alencar inspirou a este a producção de seu primeiro romance, conforme elle próprio affirma em sua autobiographia literária “Como e porque sou romancista”.

Dedicado á politica, foi por diversas vezes eleito para cargos de eleição popular, como Juiz de Paz, Presidente de Camara e Deputado provincial.

Para este cargo foi escolhido por duas legislaturas, tendo revertido para o erário publico todos os seus vencimentos, e á sua insistência é que o partido conservador deixou de continuar a suffragar seu nome, sendo, aliás, elle o Chefe no município de Maranguape.

Ainda como politico sustentou o jornal A Voz Publica de collaboração com Martinho Rodrigues, Dr. João Antunes e Dr. José Sombra.

Exerceu vários cargos de nomeação do Governo, como o de Commissario nas epidemias da febre amarella e varíola que grassaram em Maranguape.

Tornou-se também notável a sua dedicação diante da tremenda epidemia da cholera-morbus, que assolou em 1862 aquella villa de mil habitantes, e onde se davam 60 óbitos diários. Era o medico, o pharmaceutico e o conselheiro ao mesmo tempo, emquanto atterrada a população fugia em massa. A elle Se referiu nos termos os mais elogiosos o presidente José Bento, como se poderá ver da Revista do Instituto do Ceará, 1910.

Durante algum tempo foi Agente Consular de Portugal, nomeado por Carta de 28 de Abril de 1863.

Ao Coronel Sombra deve a cidade de seu domicilio os seus principaes melhoramentos, como sejam a construcção de sua espaçosa Matriz, a abertura de suas praças e o ramal da E. de F. de Baturité, que a liga quotidianamente á Capital, pois foi com seu concurso que se levou a cabo esta importante obra.

De seu consorcio celebrado a 15 de Outubro de 1848 com D.a Severina Correa Sombra, nascida na Ilha Terceira a 12 de Setembro de 1834, teve larga descendência contando-se entre os seus filhos Dr. José Sombra, C.el Joaquim Correa Sombra, Dr. João Sombra, Guilherme Sombra, Pharmaceutico Pedro Sombra e Capitão Luiz Sombra (Vide).