Segundo Diccionario Bio-bibliographico Cearense
Nasceu em Aracatv a 10 de Novembro de 1843, sendo seus paes o Capitão Antonio Gurgel do Amaral e D.3 Maria Joanna de Lima Gurgel do Amaral. São seus irmãos o Dr. Augusto Gurgel e D.a Dulcinéa Gurgel de Alencar, que foi esposa do Dr. Rufino Antunes de Alencar e falleceu em Fortaleza a 4 de Setembro de 1906.
Começou os estudos preparatórios no Icó sob a direcção do professor Simplício Delfino Montezuma; frequentou a Faculdade de Direito do Recife, onde recebeu o grau de Bacharel em 1864 e defendeu theses e doutorou-se em 1872 juntamente com José Austragésilo Rodrigues Lima e Pedro Beltrão.
Os primeiros cargos, que occupou, foram os de promotor publico do Aquiraz e secretario da presidência de S. Paulo. Mais tarde salientou-se no jornalismo e na politica quer no antigo quer no actual regimen, representando o Ceará na Camara dos Deputados por mais de uma vez. Fez parte da Constituinte e esteve ao lado do Marechal Deodoro por occasião do golpe de Estado de 3 de Novembro, sendo um dos que redigiram o Manifesto com que o Marechal procurou justificar a medida tomada. Dahi grandes antipahias que o forçaram até a retirar-se por algum tempo para a Europa.
Falleceu a 19 de Julho de 1901 na Capital Federal. Era Cavalleiro da Legião de Honra, da França, e de Santo André, da Rússia.
Não é pequena a lista dos seus trabalhos e é a seguinte14
- Discurso pronunciado na sessão magna do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano no dia 21 de Setembro de 1862.
- Discurso proferido na Faculdade do Recife em 1862 impresso no Recife, 8 pp. typo miúdo.
- Discurso pronunciado a 11 de Agosto de 1864 no anniversario dos cursos jurídicos, impresso em Pernambuco, Typ. de M. Figueiroa Faria e Filho, 1864.
- O Partido Progressista do Ceará ao publico, Fortaleza, Typ. de O. Colas n.o 98 rua Amélia, in 8.o de 17 pp. Esse opúsculo não traz o nome do autor.
- Questões do Rio do Prata, vol. de 79 pp., typo miúdo, impresso no Rio de Janeiro, Typ. Americana, rua dos Ourives n.o 19, 1869.
- Theses para obter o grau de doutor, impressa na Typ. Mercantil de C. E. Muhlert, rua dos Torres n.o 10 Recife, 13 pp., typo miudo, 1872. Versou a sua dissertação sobre o ponto de Direito Romano: A accessão será um modo natural de acquisição ?
- Discurso proferido por occasião de receber o grau de doutor em seu nome e no dos doutorandos Beltrão e José Austragésilo R. Lima, em 23 de Março de 1872, Typ. Mercantil de C. E. Muhlert & C.a, Recife, 18 pp., typo miúdo.
- Discurso proferido na festa fúnebre dos liberaes a Nunes Machado, publicado em Pernambuco em 1872.
- Uma these constitucional. A suspensão dos magistrados pelas Assembléias Provinciaes. Impressa em Recife, Typ. Universal, 61 pp., 1876.
- These e Dissertação para concurso á cadeira de lente da Faculdade de Direito de S. Paulo, 1879. A dissertação versou sobre o Regimen Dotal.
- Questão Social—Conversão—Dos bens dos Conventos, Rio de Janeiro, Typ. de G. Leuzinger & Filho, rua do Ouvidor 31, 1884, 497 pp. in 8.o.
- Perfil politico e parlamentar do Conselheiro Junqueira” Typ. de J. Villeneuve & C.a Rio de Janeiro, 50 pp., typo miúdo, 1886.
- Historia Contemporânea. Bodas de Prata de Suas Altezas os Srs. Conde e Condessa d'Eu, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1889, in 8.' de 59 pp.
Deste livro só existem 18 exemplares.
No dia 15 de Novembro, quando a dita.obra devia ser distribuída, José Avelino, já depois de ter adherido á nova ordem de cousas, passou na Imprensa Nacional e mandou leval-a numa carroça para casa, quehnando-a á noite em enorme fogueira no quintal.
- Razões finaes na acção entre partes o Estado do Amazonas autor e o Estado do Matto-Grosso réo (Questão de Limites), Rio de Janeiro, Casa Mont’Alverne, 82, rua do Ouvidor, in 8.o de 30 pp.
Além desses, o Dr. José Avelino foi aufor de vários trabalhos como advogado e de vários Discursos pronunciados no Parlamento ao tempo do Império e do regimen Republicano.
Sei que deixou inédita uma Discripção de sua viagem á Europa, e tinha em revisão, segundo me informou, o Perfil politico e literário do Visconde de Taunay, as Cartas de João Horácio, estudo critico da ultima phase da monarchia, e um estudo d'A Monarchia á Republica (Cartas do Solitário de Santa Thereza).
Jornalista de pulso, redigiu em Fortaleza o Progressista, Jornal do Ceará e o Futuro, e no Rio de Janeiro, Globo, Cruzeiro, Vanguarda, Folha Nova, Brasil, Diário do Brasil, Correio Fluminense, Rio de Janeiro, Constitucional, Diário do Commcrcio e O Paiz.
Ensaiou também o theatro. Lembro-me bem que em Março de 1875 subiu á scena no theatro S. losé de Fortaleza uma comedia sua em tres actos intitulada As apparen-cias Mudem. O espectáculo destinava-se a beneficiar o Asylo de Alienados, que o benemérito Visconde de Caunipe tratava de fundar.
Sobre José Avelino escreveu o Dr. M. Azevedo um estudo necrologico na Revista do Instituto de S. Paulo, anno de 1901.
Segundo 1001 Cearenses Notáveis
Grafado como José Avelino Gurgel do AMARAL
Nasceu em Aracati, 10 de novembro de 1843, filho de Antônio Gurgel do Amaral e Maria Joana de Lima Gurgel do Amaral Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife (turma de 1864), doutorando-se em 1.872; defendeu tese sobre ponto de Direito Romano, intitulada A Acessão Será um Modo Natural de Aquisição.
Excelente orador, enquanto acadêmico discursou em solenidades no Instituto Histórico e Arqueológico de Pernambuco no aniversário dos cursos jurídicos (1864). Publicou trabalhos sobre Questões do Rio da Prata (1869); Uma Tese Constitucional (1876) - Questão Social - Conversão dos Bens dos Conventos (1884); Perfil Político e Parlamentar do Conselheiro Junqueira (1886) e História Contemporânea, sobre as bodas de prata do Conde d'Eu e Princesa Isabel, livro que devia ser divulgado no dia 15/11/1889 e, por causa da proclamação da república, foi queimado e destruído pelo autor. Escreveu, também, observações sobre viagem que fez à Europa, o perfil político e literário do Visconde de Taunay, o ensaio Da Monarquia à República, além de outros. Para teatro escreveu a peça As Aparências Iludem. Como jornalista, redigiu “O Progressista”, “Jornal do Ceará” e “O Futuro”, em Fortaleza, e colaborou em jornais do Rio de Janeiro, entre eles “O Globo”, “Cruzeiro”, “Vanguarda”, “Brasil”, -”Diário do Brasil”, “Correio Fluminense”, “Constitucional”, “Diário do Comércio” e “O País”. Representou o Ceará na 13a Legislatura (186711868). Morreu no Rio de Janeiro, 19 de julho de 1901.