Principe da cirurgia oculista no Paiz.
Filho do Tenente-Coronel José Cardoso Brasil e de D.a Theresa Maria de Moura Brasil, nasceu a 10 de Fevereiro de 1846 na pequena povoação de Caixa-só, hoje villa de Iracema. Em 1865 matriculou-se no Lyceu de Fortaleza, tendo iniciado os estudos com Vicente Borges Gurjão, residente na Serra do Pereiro, e em 1866 embarcou para a Bahia onde concluiu os preparatórios. Matriculado na faculdade a 15 de Março de 1867, doutorou-se a 30 de Novembro de 1872. Embarcando-se para a Europa no anno seguinte acompanhou os principaes cursos da especialidade a que se dedicara desde a vida acadêmica, e ahi teve occasião de conviver com grandes notabilidades merecendo ser chefe de clinica o illustre Wecker.
De volta ao Ceará, onde os dias de sua estada contaram-se por outros tantos triumphos, celebrados pelo enthusiasmo e pela gratidão de seus patrícios que o veneram como um symbolo da caridade, o Dr. Moura Brasil transportou-se para o Rio de Janeiro e desde então collocou-se ahi na culminância a derramar liberalmente os thesouros de sua alma compassiva e bôa e a illustrar seu nome e o nome Brasileiro pela perícia consummada e indiscutível proficiência com que se revela no exercício da profissão.
Foi o fundador e presidente da Polyclinica Brasileira, instituição de assistência publica admirada e abençoada peio povo Fluminense e faz parte de todas as associações medicas de que se honra a Capital Federal.
Na galeria de homens eminentes, com que se ornamenta o salão nobre da Camara Municipal de Fortaleza, ostenta-se o retraio desse cearense benemérito.
É Commendador da Ordem de Christo e recusou no Ministério João Alfredo o titulo de Barão. Egualmente recusou a Commenda da Ordem portuguesa de N.a S.a da Conceição de Villa Viçosa.
O Dr. Moura Brasil foi presidente da Sociedade Nacional de Agricultura até II de Abril de 1901, quando se exonerou com toda a Directoria pronunciando então um importante Discurso-Relatorio, que foi publicado na Typ. Besnard Frères 138 rua do Hospício, 1901. Na mesma occasião exonerou-se também da presidência do Centro da Lavoura do Café do Brasil.
Publicou4
- Tratamento cirurgico do “Descollamento da retina pelo Dr. Moura Brasil, ex-chefe da clinica ophtalmologica do professor L. de Wecker etc, Rio de Janeiro, Typ. do Cruzeiro, . rua do Ouvidor 63, 1879.
- Contribuição para o estudo comparativo de diversos processos operativos no írratarnento das affecções oculares. Rio de Janeiro, Imprensa Industrial de J. P. Ferreira Dias, 75 rua da Ajuda, 48 pp., 1880.
- Discurso lido na sessão magna anniversaria da Academia Nacional de Medicina realisada a 30 de Junho de 1890 na presença do Generalíssimo Chefe do Governo Provisório e sob a presidência do Sr. Ministro do Interior, Rio de Janeiro, Typ. Universal de Laemmert & C.a, 66 rua do Ouvidor, 1890, 8.o 23 pp.
Com Guedes de Mello o sympathico e illustrado ex-presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, manteve a Revista Brasileira de Opthalmologia, publicação bi-mensal, que durou dois annos.
Sobre a naturalidade de Moura Brasil, que sem duvida alguma é cearense, é digno de leitura o trabalho publicado pelo Desembargador Paulino Nogueira nas paginas da Revista do Instituto do Ceará annos de 1901 e 1902. Ao trabalho de Paulino Nogueira returquiu o Diário de Natal publicando uma certidão de edade daquelle distincto medico pela qual se vê que foi baptisado em Apody onde teria nascido. A certidão, que. aliás cala o logar do nascimento, foi contestada pelo próprio Moura Brasil que exhibio as notas intimas que o pae tomava dos nascimentos de todos os filhos como se vê da seguinte carta:
- Rio de Janeiro, 15 de Julho de 1901.
Meu caro e illustrado amigo Dr. Paulino Nogueira.
Recebi a sua carta, e vou respondel-a.
Muito lisongeou-me saber, que uma illustre folha do Rio Grande do Norte disputa para aquelle Estado o meu humilde berço a pequena localidade do nosso amado Ceará.
Em 1845 meu pae, T.e C.el José Cardoso Brasil, residia em sua fazenda “Passagem Franca”, no Rio Grande do Norte, muito perto dos limites da província do Ceará; mas meus avós maternos, Antonio Ferreira de Moura e D.a Maria Joaquina de Moura e minha avó paterna, D.a Feliciana, que viveu 105 annos, residiam na pequena povoação da Caixa-só hoje villa de Iracema.
Meus paes costumavam passar as festas de Natal na pequena povoação em companhia dos m;us avós.
Minha mãe, em adiantado estado de gravidez, demorou-se alli pela conveniência da companhia, e em principio de, 1846 tive a fortuna de respirar o puro ar cearense naquella pequena localidade, onde tantas vezes expandiu-se desatienta a minha infancia.
Por occasião da secca de 1845, meu pae, no desempenho das funcções de delegado de policia, teve de punir furtos de gados, em que se acharam envolvidas pessoas das suas relações; desgostoso mudou-se nos primeiros mezes de 1846 para a fazenda “Atraz da Serra”, no Riacho do Figueredo, a 4 leguas do Caixa-só, e 3 da “Passagem Franca “, que ainda hoje é conservada sob a minha posse por herdeiro de um irmão.
Eis porque nasci no Ceará, e igual honra me caberia si tivesse pela primeira vez visto a luz na fazenda “Passagem Franca”, do Rio Grande do Norte, a qual ainda deve pertencer aos herdeiros do meu fallecido irmão Joaquim Cardoso.
Entretanto baptisei-me na antiga villa do Apody, onde residiam meus padrinhos, Antonio Nunes de Oliveira e D.a Manan na.