JC

Biografia

José Ferreira Caminha

datas não informadas no verbete

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Filho de Antonio Ferreira dos Santos Caminha e D.a Maria Balbina de Castro Caminha, nasceu na cidade do Aracaty a 18 de Novembro de 1,841.

Seguiu para Pernambuco em 1855, e ahi estudou o latim com o Padre Raphael, revelando-se grande conhecedor da grammatica.

Em Novembro de 1856 veio ao Aracaty em visita á família, seguindo de novo para Pernambuco em Agosto de 1857.

A 9 de Setembro seguinte embarcou em um vapor al-lemão para Hamburgo, recommendado á casa Kalkmann, afim de estudar o commercio na Academia de Lubeck.

Em Junho ou Julho de 1858 um irmão foi visitai-o, seguindo ambos em passeio para Hamburgo.

Nessa occasião manifestou desejos de deixar Lubeck, onde pouco se adiantava, e cujos costumes não lhe agradavam, julgando preferível passar-se para Dresde.

Foi satisfeito seu desejo, mas para ali ficar somente o resto do anno de 1858, devendo em principio do anno seguinte partir para a Inglaterra. Em seguida separaram-se os dois irmãos, abraçando-se pela ultima vez dentro do wagon, em que um ia tomar caminho de Berlim, voltando o outro para Lubeck.

Uma sua carta escripta de Dresde a 28 de Outubro do referido anno (1858) mostrava a satisfação que experimentava pelo adiantamento já obtido e pelos bons costumes que lá encontrara, e accrescentava de outra vez que em 5 mezes tinha aproveitado mais em Dresde do que em 11 em Lubeck.

Partiu em principio de 1859 para Liverpool, onde foi logo empregado da firma Saunders Brothers & C.a, correspondentes da casa commercial de seu pae, ganhando bem depressa a estima dos superiores pelo bom comportamento, actividade e conhecimento de algumas linguas.

Alguns mezes depois aquelles negociantes escreviam dizendo que José Caminha queria deixar a casa, sem declarar o motivo, e que elles, julgando ser por interesse, offereciam-lhe augmento de ordenado, mas que a resposta tinha sido que outra causa maior e não o interesse o impellia a tomar aquella resolução.

Essa causa elle manifestou-a logo em seguida á família Era o desejo de tomar ordens sacras, pois sentia ser essa a sua vocação.

Teve, como era de esperar, a approvação da familia tão feliz lembrança, mas fez-se-lhe ver que podia voltar para junto dos seus e no Brazil se ordenaria.

Na seguinte carta declarou que se achava muito inclinado a entrar em uma ordem religiosa.

Não havia tempo para ter recebido a resposta da familia a esta 2.a carta, quando uma terceira carta sua, datada de 6 de Maio de 1861, era dirigida á sua mãe, despedindo-se delia e de todos os irmãos, e expondo conceitos que bem revelavam uma firme vocação.

Deus o chamava e era servido que entrasse no Instituto dos Redemptoristas, fundado por ,S. Affonso de Liguorio. Não havia recuar. E dizia então que não mais tinha de ver os seus neste mundo, mas que todos trabalhassem para reunirem-se com elle na Eternidade feliz e neste sentido os auxiliaria onde estivesse.

Ainda em 6 de Setembro de 1861 escrevia communicando já achar-se congregado no dito Instituto Catholico dos Redemptoristas, em Liverpool, Kupe Street, 26. E foi essa sua ultima carta.

Decorrido pouco tempo, sua mãe recebia aviso do P:e Pedro Laverti, datado de 8 de Outubro, trinta e dois dias depois daquella carta, dizendo achar-se doente o irmão José, mas que o mal seria passageiro. O Padre Laverti era seu confessor e escrevera a sen pedido. A doença, porem, de que fora accommettido não era mal passageiro, por quanto precisamente um mez depois, a 8 de Novembro, o mesmo Padre com-m um cava sua morte, que tivera logar a 12 de Oulubro, por conseguinte tres dias apenas posteriormente á 1.a carta! O Padre Laverti disse ter sido causa da morte uma affecção dos pulmões.

Nessa occasião falou em alguns objectos de devoção e do uso do finado, e que pretendia remetter á familia como lembrança.

A 1 de Janeiro de 1862 um dos empregados do correspondente, Snr. Alfredo Power, escreveu dando noticia da morte, por participação que tivera do Instituto, e remetteu os objectes a que se referira o Padre Laverti. Só restava á familia resignar-se.

Entretanto, ou fosse pelas palavras das cartas de 6 de Maio e 6 de Setembro—que não mais tinha de ver os seus neste mundo—, ou fosse por outra rasão, que se não sabe explicar, a familia, especialmente sua mãe, experimentou uma certa desconfiança ou duvida a respeito da realidade de sua morte. Predominou a idéa de que elle assim quiz com mais segurança oceultar-se aos olhos do mundo, como ha exemplos.

Não foi por querer fazer novas indagações a respeito da morte do religioso José Ferreira Caminha, visto dever reconhecer verdadeira a participação feita pelo Padre Pedro Laverti, que, depois de 26 annos da ultima carta deste e mais ou menos da noticia da morte, aquelle irmão que com elle estivera em Lubeck e em Hamburgo, tendo ido á Europa, em 1887, dirigiu-se a 12 de Outubro ao Instituto dos Redemptoristas em Liverpool, mas sim para, alem de visitar a casa, pedir algumas particularidades acerca dos últimos dias do irmão e ao mesmo tempo ver a cella onde habitou e ainda o logar de sua sepultura.

Fazendo perguntas nesse sentido, responderam-lhe que não havia então na casa alguém que o tivesse conhecido. Ao pedido para que fossem examinados os livros de 1861, onde achar-se hia sua entrada para a Ordem e bem assim a declaração de sua morte, foi-lhe respondido que a Ordem sof-frera uma interrupção e que os livros haviam desapparecido.

Á vista de tão terminante resposta, nada lhe restava a fazer. Comtudo houve a lembrança de perguntar si vivia o Padre Pedro Laverti, ao que responderam afirmativamente, mas que se achava muito distante de Liverpool.

Um cartão que dirigira ao mesmo, visitando-o, e contendo seu endereço para Londres, não teve resposta. Esse cartão fora deixado no Instituto.

A mãe do religioso José Caminha, fallecida a 20 de Setembro de 1889, teve sempre o pensamento de ainda existir aquelle filho. Ao Padre Pedro Laverti foi communicado o fallecimento delia, pedindo-se-lhe a caridade de recitar uma prece em suffragio de sua alma.

José Caminha é o único Redemptorista, que conta o Ceará.