Nasceu a 25 de Março de 1850 em Fortaleza e é filho de João Vieira de Sousa e D.a Margarida Xavier de Sousa.
Os seus primeiros annos passou-os na frequência de escolas primarias da Capital e aos 14 annos mais ou menos frequentou particularmente aulas de Francês, com Victor Sailiai d e Padre Vieira, e, Desenho com o pintor Brindsair. Mais tarde teve noções de musica com diversos amadores.
Esteve por algum tempo praticando no commercio, ramo de actividade para que nunca teve aptidão; já nessa epocha se revelava em seu espirito forte desejo de estudar a pintura. Graças a seus próprios esforços conseguiu em Novembro de 1872 seguir para o Rio de Janeiro com o fim de realisar esse propósito.
Na Capital do Império vão tinha recommendação — nem dinheiro, nem amigos nem relações, — mas cinco dias depois de sua chegada arranjou-se com um mestre de obras, o pintor de casas Joaquim' Patrício, sendo dentro de um mez seus ordenados elevados a 10$000 rs. como pintor decorador.
Deixou no entanto esse emprego tão pouco lucrativo para se empregar de.novo em uma Photographia (Casa Lopes) visto como essa occupação lhe permittiria estudar.
Matriculou-se com effeito no então “Imperial Lyceu de Artes e Officios” onde cursou o Desenho e aprendeu um pouco de Phisica; pela muita benevolência de seus professores e Director foi rápido o seu curso e em concurso foi elle premiado com a medalha de prata e o respectivo Diploin-. sendo por essa occasião apresentado ao Imperador. Sua Magestade o acolheu mui benevolamente, mas um certo pendor de republicano não o consentiu utilisar-se da munificência do monarcha.
Tentou frequentar a Academia de Bellas-Artes, o que não lhe foi possível fazer segundo o regulamento por ser já maior de 18 annos, requesito então indispensável para a matricula.
No mesmo período em que frequentava o Lyceu obteve ser leccionado pelos professores Victor Meirelies, Angelo Agostíne, Puluceno Silva e Manoel Sousa Lobo e, pelo professor da Escola Normal Carneiro, que simultaneamente lhe ensinava Português, Geographia e Historia Universal.
Produsiu no Rio de Janeiro algumas telas (retratos) que mereceram ser qualificadas de promettedoras. Entre essas foi uma a do mallogrado medico cearense Dr. Symphronio Seguerido de Souza (Vide esse nome).
Voltou dez annos depois em 1882 ao Ceará aonde pintou, além de retratos, o quadro da “Libertação da Fortaleza” que foi adquerido pelo então Presidente da Província Dr. Satyro Dias em virtude de uma lei provincial. Esse quadro está no Salão nobre da Camara Municipal.
Voltando ao Rio de janeiro depois de haver visitado o Amazonas pintou por encommenda da municipalidade dali um retrato do Imperador (tamanho natural) e paysagens por encommenda do governo já no tempo da Republica.
No intervallo de tempo decorrido de sua primeira viagem ao Amazonas (1884) até a proclamação da Republica foi professor de Desenho dos Educandos Artífices de Manaus e no antigo Lyceu do Pará.
Concorrendo a algumas exposições lhe foram conferidas a medalha de ouro em Pernambuco, a de prata na ultima Exposição Nacional e o diploma de l.a classe em Amazonas.
Circumstancias de momento o fizeram entrar na .politica, os chefes Barão do Juruá e seu Irmão Emilio Moreira incluíram seu nome em uma chapa para veriador da Camara de Manaus, em cujo Conselho serviu dous annos, sendo então nomeado Capitão da Guarda Nacional.
No Ceará em o período da administração Bezerril além de algumas telas sem importância produsiu um retrato do Marechal Floriano, que foi adquirido para o Salão de Honra e sessões do Congresso Estadoal.
No Pará, onde actualmente reside, tem produsido cerca de quarenta telas diversas, notadamente “Um Pic-nic no Bosque”, quadro que commemora a passagem do Almirante Bacellar por aguas de Belém com sua Divisão, e que foi adquerido pelo Senador Antonio Lemos.