Nasceu em Aracaty a 29 de Maio de 1867. Filho de Raymundo Ferreira dos Santos Caminha e D.a Maria Firmina Caminha. Official de marinha, tendo como tal feito sua 1.a viagem de instrucção pelos Est. Unid. da America do Norte, depois empregado publico e jornalista no Ceará e na Capital Federal, onde morreu de tuberculose a 1.° de Janeiro de 1897, sendo enterrado no cemitério de S. Francisco Xavier.
É o autor das seguintes obras6
- Judith e Lagrimas de um crente (Contos). É um folheto de 53 paginas.
- Vôos incertos (Versos). É um folheto de 36 paginas em que o autor reuniu as poesias, que compoz e fez publicar em diversas revistas no período de 1885—1886.
- A normalista, escripto em 1892 e editado no Rio de Janeiro. Romance de tons naturalistas bem accentuados, cujas scenas desenrolam-se em Fortaleza. Um estudo psychologico, que dar-lhe-á renome, e que por muitos é considerado como sua obra capital.
Algumas criticas tem apparecido sobre a Normalista como a de Rodolpho Theophilo no Pão, de Fortaleza.
- No paiz dos yankees. Narração da viagem, que o autor fez a bordo do cruzador “Almirante Barroso”. Editor Domingos de Magalhães, 54 rua do Ouvidor, Rio de Janeiro, 1894. Com 179 pp. em 16.
- Bom-Creoulo. Outro romance d'après nature, em torno do qual se tem agitado a critica. Tendo por thema o homo-sexualismo, este livro despertou acerbas apreciações contra as quaes respondeu o autor no n. 2 da Nova Revista.
O 1.° n. da Nova Revista é de Janeiro de 1896 e nelle collaboraram além de Caminha (Chronica de Arte) Clovis Bevilaqua (Repercursão do pensamento philosophico sobre a mentalidade Brazileira), Frota Pessoa (O poema do amor) e Rodrigues de Carvalho (Tarde do Egypto).
- Cartas Litterarias, em 8.° de 224 paginas, publicadas no Rio de Janeiro na Typ. Aldina, rua Sete de Setembro n. 79. Sobre as Cartas Litterarias leiam-se as apreciações, de Valentim Magalhães na Noticia do Rio, Clovis Beviláqua na Revista Contemporânea do Recife, Antônio Salles e Rodolpho Theophilo no Pão, de Fortaleza. As Cartas Litterarias sahiram primeiro nas columnas da Gazeta de Noticias da qual era Caminha collaborador.
Trazia em preparo duas obras, Ângelo, estudo psychologico e O Emigrante, romance de costumes cearenses, e começara a traducção do Theatro de Baizac quando a morte o arrebatou. Depois do seu fallecimento, foi publicado seu ultimo romance Tentação, vendido pela ínfima somma de 600$000.
A. Caminha foi o redactor-director da Revista Moderna e escreveu nella uma critica sobre os Versos diversos de Antônio Salles, e no Rio foi redactor-chefe da Nova Revista, que com elle desappareceu.
O Centro Cearense, Rio de Janeiro, tomou a si a iniciativa da idéia de se levantar um mausoléu em que fossem recolhidos os restos do habilissimo e desditoso critico e romancista Cearense,
Papi Júnior, vice-presidente do “Centro Litterario” de Fottaleza, publicou em 1897 um trabalho sob o titulo A. Caminha e a sua obra litteraria, e no seu livro Critica e Polemica Frota Pessoa dedicou um capitulo especial a Ad. Caminha, de quem foi intimo amigo e grande enthusiasta.