Nasceu em Aracaty a 22 de Janeiro de 1852, sendo seus paes Manoel José Pereira Pacheco, Commandante Superior da Guarda Nacional e Presidente da Camara Municipal, nascido a 17 de Março de 1824 e fallecido a 27 de Dezembro de 1864, e D.a Edeltrudes Antunes Pacheco, casados a 1 de Setembro 1843. Aparentado, portanto, com as famílias Mendes, Rocha, Smith de Vasconcellos, Antunes e Barroso.
Foram seus irmãos: Domingos José Pereira Pacheco, nascido a 21 de Setembro de 1844, e baptisado a 22 de Outubro do mesmo, pelo Vigário José Antunes de Oliveira, sendo padrinhos seu avô Domingos José Pereira Pacheco e Nossa Senhora; D.a Rosa de Viterbo Pereira Pacheco, nascida a 1 de Setembro de 1845, e baptisada sendo padrinho seu avô Domingos José Pereira Pacheco, e fallecida a 8 de Março de 1848; D.a Anna Rosa Pacheco, nascida a 26 de Novembro de 1846, e baptsida, sendo padrinho seu avô Domingos José Pereira Pacheco; D.;' Rosa Cândida Pereira Pacheco, nascida a 1 de Junho de 1848; D.a Joaquina Rosa Pacheco, nascida a 28 de Abril de 1853; D.a Martha Pereira Pacheco, nascida a 24 de Junho de 1856; D.a Martha Pereira Pacheco, nascida a 9 de Agosto de 1859 e D.a Virgínia Pereira Pacheco, nascida a 8 de Junho de 1860.
Afilhado do bispo Dom Luiz Antonio dos Santos, fez os primeiros estudos no Seminário Diocesano, seguindo em 1865 para França, onde continuou os estudos até Setembro de 1870 quando por motivo da guerra Franco-Prussrana teve de retirar-se para o Rio de Janeiro.
Matriculado na Academia de Medicina, deixou-a para voltar de novo a Paris onde obteve o diploma de doutor pela Escola Livre de Medicina Dosimetrica.
De volta ao Brasil clinicou em Minas Geraes, Rio Grande do Norte e Parahyba, sendo que nesta fixou residência definitiva.
Pondo de parte a clinica, dedicou-se ao magistério especialisando-se nas investigações e estudos sobre as industrias pastoril e agrícola, no que conquistou nome mui reputado e querido.
A 29 de Novembro de 1890 montou juntamente com o Dr. Domingues Jaguribe e outros a primeira Leiteiria Paulista e em 1904 tentou uma outra em Bananeiras (Parahyba), com a garantia de 7% do Governo do Estado por 25 annos, mas esta fracassou por haver elle se retirado para a Capital do Estado.
Falleceu a 22 de Outubro de 1910, victima de um cancro na lingua.
Duas vezes casara; do primeiro matrimonio deixou um filho Mario Pereira Pacheco, e do segundo, celebrado com D.a Amélia Magalhães Pacheco, dois, o Bacharel Romulo de Magalhães Pacheco, nascido a 4 de Fevereiro de 1883, um dos redactores do jornal União, e D.a Dejanira de Magalhães Pacheco, nascida a 6 de Outubro de 1887.
Foi sócio fundador do Instituto Histórico e Geographico Parahybano e correspondente do Instituto do Ceará.
O Boletim de Agricultura, registando no seu 2.o numero o acontecimento da morte do seu fundador, salientou nestes termos os serviços por elle prestados com acendrado patriotismo e o máximo desinteresse:
Ninguém melhor que o Dr. Ferreira Pacheco, neste pequeno meio parahybano, soube se devotar ao apostolado da evangelisação agrícola. Neste simples enunciado vai uma verdade que ninguém poderá desconhecer siqner, pois que ella se patenteia attavez das melhores paginas de nossa propaganda econômica, de ha uns quatro lustros a esta parte. Dotado da rija tempera dos brasileiros do norte, elle, vencendo empecilhos de toda sorte, nunca desfalleceu na sua nobre missão. Elle mesmo se impoz, como os confessores da Fé, os sacrifícios de seu apostolado doutrinário; e isto eile o fez, a principio, sem honorários, sem appiausos, sem estímulos, entre a descrença de muitos, a mofa de alguns e a indiferença de quasi todos. Desde que fixou sua residência na Parahyba, iniciou aqui os seus esforços pelo desenvolvimento da agricultura, combatendo pelo jornal, pela tribuna, pelo magistério, os methodos de trabalho atrazadissimos dos lavradores parahybanos e dictando-lhe os methodos modernos da sciencia para o cultivo das terras. Neste intuito viajou pelo interior de Nosso Estado realisando conferencias sobre agricultura, criação, industrias, etc.
Na imprensa desta Capital sempre collaborou collimando o seu alto objectivo, chegando a fundar O Instructor, onde publicava as suas lições dadas aos alumnos de Economia Rural, no Seminário desta Capital, cadeira que occupou, com real aproveitamento para os seus discípulos, durante dois annos.
Conhecendo as aptidões do Dr. Pereira Pacheco o governo do Estado confiou-lhe, por diversas vezes, missões importantes, como a de representar a Parahyba no primeiro congresso do álcool, no Rio, no segundo congresso de álcool, no Recife, na Exposição Universal de S. Luiz, em 1904, na primeira conferencia assucareira, no Recife, na Exposição de Bruxellas e na Exposição Nacional, em 1908, no Rio de Janeiro. Na presidência do saudoso parahybano Dr. Gama e Mello, realisou uma exposição de animaes de raça (gado vaceum), nesta capital. Ainda o anno passado, vimol-o partir desta cidade para o longínquo Estado de Piauhy onde, a convite do bispo diocesano, fundou a Escola de Agricultura e o curso de Economia Rural no Seminário de Theresina.
Por tudo isso se vê que o Dr. Pereira Pacheco foi um esforçado pelos verdadeiros interesses econômicos de nossa terra. E, ultimamente, toda sua actividade concentrava-se em desempenhar com dedicação o encargo, que o governo do benemérito Dr. João Machado lhe confiou na execução da lei que organisa o nosso serviço agronômico.
Esse boletim estampando o retrato do incansável trabalhador não faz mais que render-lhe uma pequena homenagem e concorrer para que seja duradoira a memoria de uma existência, que foi verdadeiramente nobre por sua intelligencia, sua honestidade, seu labor e sobretudo por seu desinteresse”.
Conheço do Dr. Pereira Pacheco além de um Estudo sobre a Dosimetria de Burggrave e das Licções de Economia Rural, professadas no Collegio Diocesano e publicadas nos jornaes da terra:
Bibliografia3
- Lavoura. Indicações sobre o cultivo do algodão do Egypto, Imprensa .Otficial, Parahyba, 1905, in 8.o de 11 pp.
- Exposição Nacional de 1908. Relatório apresentado ao Exm.o Monsenhor Walfredo Leal por occasião da Exposição previa a 2 de Abril de 1908, Imprensa Official, Parahyba do Norte, 1908.
- Conferencia sobre A Secca na Parahyba do Norte, realisada no Museu Commercial do Rio de Janeiro em 29 de Maio de 1908.
É também autor de uns Estatutos para um Syndicato Agrícola em Parahyba, idéa, que, infelizmente, não lhe foi possível realisar.
O Dr. Pereira Pacheco fazendo parte da Conferencia Assucareira reunida em Pernambuco em 1905 fez nella uma Conferencia sobre a Industria do Leite e propoz que como Bahia, Sergipe e Alagoas fossem pontos de fundação de laboratórios agrícolas também ,as Capitães dos Estados de Parahyba e Rio Grande do Norte.