Filho do Coronel Antonio Pereira da Graça, nasceu em 1853 na cidade do Aracaty, e estudou no Seminário do Ceará recebendo as ordens de presbytero em 1876.
Nomeado vigário de Parangaba, prestou os mais relevantes serviços na secca de 1877-79; da vigararia de Parangaba passou-se paia a capellania de Passagem das Pedras, de onde foi chamado para o Curato da Sé de Fortaleza.
Foi presidente da Assembléa Provincial da antiga Província e presidente da sociedade União do Clero, e mereceu de Leão XIII o Monsenhorato e o titulo de Camareiro Secreto.
Consultado para acceitar o bispado do Pará, recusou essa honraria por tantos appetecida.
Falleceu em Fortaleza pela madrugada de 24 de Julho de 1894. Seu enterro foi uma verdadeira spotheose.
Sobre o facto escrevi as seguintes linhas na Edição Especial, que A Verdade deu a 2 de Agosto em honra do illustre morto, que era seu redactor-chefe, edição em que collaboraram também Paulino Nogueira, Antonio Augusto de Vasconcellos, Ferreira do Valle, Epaminondas da Frota, José Lino, Pedro de Queiroz, José Carlos, Gonçalo Souto, Alvaro de Alencar e outros:
Prefiro desviar os olhos de minha alma do estreito quarto e da humilde cama em que contemplei, estortegando vencida pela doença, aquella pujante organisação para espraial-os, muita vez embaciados pela lagrima, sobre a multidão movida pelo mesmo sentimento em sua romaria á cidade dos finados.
Não que me sinta insurrecto contra a idéa da morte. Fora isto um desacerto ante as doutrinas, que commungo.
Fora sentir-me em contradicção com os meus sentimentos de pensador christão.
Pois que o tumulo é o pórtico da Chanann celeste não posso rebellar-me contra o desfecho d'esse drama que é a vida, nem revoltar-me porque alguém tenha attingido e marco ultimo da sua peregrinação.
Mas eu prefiro recordar aquelle oceano de povo, eloquenlentissimo em sua mudez resignada, prestando a ultima homenagem a um simples padre, proclamando a belleza da alma do combatente para quem cerrara-se o cyclo da vida terrena e affirmando ao mesmo tempo suas próprias crenças na doutrina do doce Jesus.
Porque é um facto: aquellas cinco mil pessôas após o féretro do virtuoso cura da Sé eram uma homenagem ao morto e também á Religião de que elle fora o ministro bom e piedoso.
Grandiosa manifestação! Scena tocante e singularmente commovedôra!
Aquelle morto não se tinha guindado ás cumeadas do poder, não lhe embalaram o berço as caricias da fortuna, nem se sentaram em torno do leito de seu somno derradeiro parentes poderosos ou de nomes conhecidos nos nobiliários, e não obstante a nova de sui enfermidade abalou a grande alma do povo cearense, não obstante grandes e pequenos, os ricos e os pobres, e estes sobretudo, sentiram-se feridos no golpe que lhe vibrou a morte.
Quem ou o que sagrou-o então na consciência de seus concidadãos ?
Quem ou o que transformou o dia do passamento de um pobre sacerdote em data de luto nacional?
Porque sua campa orvalha-se com as lagrimas da pátria e junto a ella vela-se de crepes o anjo da Religião?
Elle foi o padre segundo o Evangelho e viram-o todos sempre nos caminhos do bem, eis porque deram-lhe todos a lagrima pura da saudade e encheram-lhe a campa com as olorosas flores da gratidão e do amor quando o Senhor o chamou á eterna Sião, cujas grandezas elle cantara tanta vez em seus arroubos de crente”.
Seus restos repousam no cemitério de S. João Baptista em mausoléu levantado por amigos e admiradores.
É autor do1
- Relatório apresentado pelo 1.o vice-presidente etc. a 21 de Setembro de 1882, 3.o anniversario da fundação do Gabinete de Leitura Aracatyense, publicado :to Pedro II, jornal de Fortaleza.