JG

Biografia

José Teixeira da Graça

1853–1894

Monsenhor
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Filho do Coronel Antonio Pereira da Graça, nasceu em 1853 na cidade do Aracaty, e estudou no Seminário do Ceará recebendo as ordens de presbytero em 1876.

Nomeado vigário de Parangaba, prestou os mais relevantes serviços na secca de 1877-79; da vigararia de Parangaba passou-se paia a capellania de Passagem das Pedras, de onde foi chamado para o Curato da Sé de Fortaleza.

Foi presidente da Assembléa Provincial da antiga Província e presidente da sociedade União do Clero, e mereceu de Leão XIII o Monsenhorato e o titulo de Camareiro Secreto.

Consultado para acceitar o bispado do Pará, recusou essa honraria por tantos appetecida.

Falleceu em Fortaleza pela madrugada de 24 de Julho de 1894. Seu enterro foi uma verdadeira spotheose.

Sobre o facto escrevi as seguintes linhas na Edição Especial, que A Verdade deu a 2 de Agosto em honra do illustre morto, que era seu redactor-chefe, edição em que collaboraram também Paulino Nogueira, Antonio Augusto de Vasconcellos, Ferreira do Valle, Epaminondas da Frota, José Lino, Pedro de Queiroz, José Carlos, Gonçalo Souto, Alvaro de Alencar e outros:

Prefiro desviar os olhos de minha alma do estreito quarto e da humilde cama em que contemplei, estortegando vencida pela doença, aquella pujante organisação para espraial-os, muita vez embaciados pela lagrima, sobre a multidão movida pelo mesmo sentimento em sua romaria á cidade dos finados.

Não que me sinta insurrecto contra a idéa da morte. Fora isto um desacerto ante as doutrinas, que commungo.

Fora sentir-me em contradicção com os meus sentimentos de pensador christão.

Pois que o tumulo é o pórtico da Chanann celeste não posso rebellar-me contra o desfecho d'esse drama que é a vida, nem revoltar-me porque alguém tenha attingido e marco ultimo da sua peregrinação.

Mas eu prefiro recordar aquelle oceano de povo, eloquenlentissimo em sua mudez resignada, prestando a ultima homenagem a um simples padre, proclamando a belleza da alma do combatente para quem cerrara-se o cyclo da vida terrena e affirmando ao mesmo tempo suas próprias crenças na doutrina do doce Jesus.

Porque é um facto: aquellas cinco mil pessôas após o féretro do virtuoso cura da Sé eram uma homenagem ao morto e também á Religião de que elle fora o ministro bom e piedoso.

Grandiosa manifestação! Scena tocante e singularmente commovedôra!

Aquelle morto não se tinha guindado ás cumeadas do poder, não lhe embalaram o berço as caricias da fortuna, nem se sentaram em torno do leito de seu somno derradeiro parentes poderosos ou de nomes conhecidos nos nobiliários, e não obstante a nova de sui enfermidade abalou a grande alma do povo cearense, não obstante grandes e pequenos, os ricos e os pobres, e estes sobretudo, sentiram-se feridos no golpe que lhe vibrou a morte.

Quem ou o que sagrou-o então na consciência de seus concidadãos ?

Quem ou o que transformou o dia do passamento de um pobre sacerdote em data de luto nacional?

Porque sua campa orvalha-se com as lagrimas da pátria e junto a ella vela-se de crepes o anjo da Religião?

Elle foi o padre segundo o Evangelho e viram-o todos sempre nos caminhos do bem, eis porque deram-lhe todos a lagrima pura da saudade e encheram-lhe a campa com as olorosas flores da gratidão e do amor quando o Senhor o chamou á eterna Sião, cujas grandezas elle cantara tanta vez em seus arroubos de crente”.

Seus restos repousam no cemitério de S. João Baptista em mausoléu levantado por amigos e admiradores.

É autor do1

  1. Relatório apresentado pelo 1.o vice-presidente etc. a 21 de Setembro de 1882, 3.o anniversario da fundação do Gabinete de Leitura Aracatyense, publicado :to Pedro II, jornal de Fortaleza.