Filho de Manoel da Costa Marçal, nasceu na villa de Aquiraz a 6 de Janeiro de 1852.
De nascimento humilde, circumstancia que mais eleva os méritos desse valente luctador, sem ter pae alcaide, o que a meus olhos mais enaltece seu nome laureado, conseguiu a golpes de talento e dedicações assumir papel saliente na politica conservadora do Ceará, que o fez mais de uma vez deputado, de 1882 a 1889, sendo que numa das legislaturas notabilisou-se, o mesmo acontecendo também na imprensa e nos meetings, como um dos mais fervorosos adeptos da abolição dos escravos.
Dado o movimento republicano, foi um dos deputados á Constituinte do Ceará e seu representante na Camara Federal.
Já então Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife que lhe deu o titulo a 19 de Novembro de 1888, e desligado da politica do Ceará, transportou-se em 1896 para Manaus onde continuou a batalhar na imprensa como redactor-chefe da Federação e do Rio Negro, foi figura importante, superintendente, no governo do Município, conseguiu uma cadeira de professor no respectivo Lyceu, e exerceu, entre outros, os cargos de director da bibliotheca do Estado, delegado da Intendência, procurador seccional da Republica e delegado do governo federal junto ao Gymnasio Amasonense.
Deixando o Amazonas, assentou residência (1898) em Belém do Pará e ahi é professor e vice-director da Faculdade de Direito, e advogado de nota. Na eleição realizada a 30 de janeiro de 1906 foi eleito para representar o importante Estado nortista na Camara dos Deputados Federaes e desde então tem-se-lhe renovado sempre o mandato.
Redigiu durante o Império A Constitução, orgam do partido conservador, conhecido por conservador graúdo, e após a Republica redigiu com Barbosa Lima e Ferreira Sant'Iago A Patria, 1889, com. Martinho Rodrigues, Gonçalo de Lagos, Alves Lima e Drumond da Costa O Norte, diario da tarde, politico, 1891-1893, com José. Lino, Alvaro Mendes e Roberto de Alencar o Diario do Ceará, todos de Fortaleza. Fez parte com o Dr. Guilherme Studart e Rodrigues Carvalho da redacção do Iracema, orgam do Centro Luterano, de Fortaleza.
É membro do Instituto do Ceará e da Academia Cearense em cuja Revista encontram-se escriptos seus.
Justiniano de Serpa é autor dos seguintes trabalhos9
- 0 Poeta e a Virgem.
- Oscillações, poesias, Fortaleza, 1883, n 8o.
- Tres Lyras, poesias de Antonio Bezerra, Serpa e Antonio Martins, os 3 poetas do abolicionismo Cearense, Typ. Economica, 1883, n 8.o de 88 pp.
- Sombras e Clarões, versos, Fortaleza, Typ. Economica, 44 pp., 1885.
- Discurso proferido no dia 14 de Agosto na kermesse promovida pela imprensa em favor do Monumento Tiburcio, Ceará, 1887, Typ. Economica, 16 pp.
- Sob os cyprestes, J. B. Figueira Lima, Ceará, Typ. Economica, Praça do Ferreira, 1887, 20 pp.
- Discurso pronunciado na sessão fúnebre feita pela Academia em homenagem a José Carlos Júnior. Vem na Revista da Academia Cearense correspondente a 1896.
- A Educação Brazileira. Seus effeitos sobre o nosso meio litterario. Dissertação e Theses de concurso á Cadeira de Litteratura Nacional no Gymnasio Amazonense, Manáos, Typ. d'A Federação, rua Joaquim Sarmento, 1896, in 8.o de 27 pp.
- Discurso do orador official Dr J. de Serpa na sessão magna commemorativa do 1.o anniversario da Academia Cearaens. Vem estampado na Revista correspondente a 1897.
Congresso Nacional. Reforma da Legislação Cambial. Discursos pronunciados nas sessões de 18 de Julho e 30 de Setembro de 1907, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1907.