Nasceu em Fortaleza a 27 de Fevereiro de 1859, sendo seus paes Francisco Ricardo Bravo Sussuarana e D.a Marianna Medeiros Sussuarana, que foi irmã do Bispo Manoel de Medeiros e do Dr. Antônio Manoel de Medeiros.
Em 1871 transportou-se com a familia para Campos e em 1874 foi para o Rio de Janeiro, cuja Faculdade de Medicina freqüentou.
Seduzido por forte inclinação á vida da imprensa, fez-se revisor do Jornal do Commercio e d'O Paiz, revisor do Diário Official e mediante concurso foi nomeado 2.o e l.o escripturario da Imprena Nacional.
Dirigia a Tribuna Liberal a convite do Visconde de Ouro Preto, seu chefe e amigo, quando cahiu a Monarchia, e continuou a sustentai-a e a defender os vencidos até que o Governo Provisório fez fechar a typographia.
Partiu então para a Europa e de lá voltando no anno seguinte fundou A Tribuna com os mesmos elementos e a mesma orientação d’A Tribuna Liberal. Esta sua 2.a empreza egualmente desappareceu ante a perseguição e o assalto insinuados e dirigidos por capangas do Governo. Desta vez o proprietário escapou de ser victima dos esbirros, como o foi um dos operários, o de nome Romariz.
Impossibilitado de viver na Capital Federal, refugiou-se no Estado de S. Paulo donde voltou em 1901. No dito anno fundou o Jornal dos Agricultores, e foi esta uma das faces mais sympathicas por que se revelaram seu talento e seu patriotismo.
A 2.a Conferência Assucareira, que se reuniu em Recife, prestou assídua e efficaz collaboração, e foram de alto valor os discursos, que então pronunciou.
Conheço de Antônio de Medeiros2
- Discurso pronunciado em 9 de Março de 1888 por occasião dos festejos do 10.o anniversario da administração do Sr. Antônio N. Galvão, Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, i 888.
- Estudos Agrícolas, S. Paulo, Typ. Espíndola, Siqueira e C.a 1896, 181 pp. in 8.o francês.
A brochura divide-se em tres partes: Futuro agrícola da Bahia, Apontamentos sobre o percurso da estrada de ferro de Araraquara ao Ribeirãosinho e Congresso Agrícola de S. Paulo. Nella o autor bate-se pela organisação da pequena propriedade, que com acerto Rebouças qualificou de democracia rural, pela introducção de chins e coolis e pelo systema de parceria e meiação.
Conheço ainda uma sua Monographia sobre a producção do Assucar em todos os paizes do mundo, trabalho escripto a pedido do Centro Industrial do Brasil.
O notável jornalista e indefesso paladino dos interesses da nossa lavoura falleceu no Rio de Janeiro a 30 de Maio de 1907 victimado por uma syncope cardíaca.
Sobre a morte desse patrício lêa-se o que escreveu Affonso Celso no Jornal do Brasil “Cotas aos casos”.