Sobre esse distincto artista que falleceu em Recife aos 64 annos deidade, transcrevo para aqui a; seguintes notas, obsequiosamente offerecidas em Janeiro de 1910 pelo Snr. Alberto Falcão:
Attendendo , pressuroso ao delicado pedido de V. Exc. para fornecer-lhe dados sobre os trabalhos do mallogrado artista Luiz Távora, tenho a informar o seguinte: A carta, a que allude em seu postal de 26-12-1903, infelizmente não me chegou as mãos, por ella, seria bem possível que melhores informações podesse ministrar-lhe. Em todo o caso, passarei a informal-o do pouco que sei dos trabalhos de Távora Este artista vivia exclusivamente de ilustrar a “Lanterna Magica” periódico caricato de sua propriedade, que com elle desappareceu. Sua trajetória foi longa; durou 40 annos! Elle pintava por diletantismo, sendo melhor paysagista que caricaturista. Morreu pobremente aos 64 annos de. idade. De seus diversos quadros possuo apenas 3, sendo dois luares em prato de porcellana e uma bella paysagem representando um trecho do Jaboatão, de magnifico effeito. É um bello pôr do sol, cujos raios oblíquos cahem n'nma eclosão de luz mortiça. sobre uma cascata e arvores adjacentes; o uonjuncto é felicíssimo O Guarda-livros Francisco Lima (actualmente no Rio), possue duas magnificas paysagens do mesmo autor, o Dr. C. Vilella idem, e em poder de uma Sr.a, que com elle cohabitava, ficaram cerca de 20 paysagens na maioria sobre madeira, em miniatura, sendo outras em tela.
Ahi tem, Exm. Snr. Barão, em breve traços o que sei do Távora, excellente amigo, que primava de minha intimidade com muita frequência.
O Jornal Pequeno”, do Recife, deu a seguinte noticia sobre a morte deste nosso conterrâneo:
O excellente caricaturista e apreciado paisagista Luiz Antonio da Silveira Távora, que no decurso de 40 annos ou mais illustrou paginas de periódicos e diários com os seus bonecos de traço original e espalhou telas soberbas, scenas do campo, pedaços da natureza viva, paisagens nossas, florestas nossas, com desassombro de arte e competência elevada, acaba de ceder á lei da fatalidade, e pobre como viveu, a um recanto da cidade no Bairro de Afogados.
Luiz Távora, nome assás conhecido no mundo das artes sabia, com seu lapis ferino e aguçado, fazer 'charges” espirituosas, que viamos multiplicadas em seu periódico trimensal a “Lanterna Magica” sempre causticante, a troçar de tudo e de todos, com a bohemia de seu espirito, com o humor que sabia imprimir aos seus trabalhos.
Immensas telas de Távora dormem esquecidas empoeiradas, como velharias imprestáveis e delias, apenas, duas ou tras existem recolhidas com carinho por um amigo, como as que figuram nas galerias do sr. Alberto Falcão, amigo de todos os artistas.
Pertencia á phalange dos antigos e contava 68 annos de idade quando a morte o veio buscar, deixando-nos contristados, pois é mais um artista que se vae, é mais um bohemio que se deixa vencer.
Ria da morte e sobre ella fez boas pilhérias, Ella vingou-se.