(Senador e Visconde de Vieira da Silva). Nasceu c;u Fortaleza na então Rua de baixo, depois Senna Madureira, casa hoje pertencente aos herdeiros do Coronel Victoriano Borges, a 2 de Outubro de 1828, sendo que uma de suas irmãs nasceu em Baturité e outra em Mecejana. Filho do Dr. Ouvidor Geral pela Lei Corregedor da Comarca do Ceará Joaquim Vieira da Silva Souza e sua mulher D.a Columba de Santo Antonio de Souza Gayoso, neto paterno do Coronel Luiz Antonio Vieira da Silva e sua mulher Da Maria Clara de Souza Vieira, e materno do Tenente-coronel Raymundo José de Sousa Gayoso e de sua mulher D.a Anna de Souza Gayoso, bisneto paterno do Capitão José Vieirada Silva e sua mulher D.a Anna da Assumpção Vieira, e materno do Thesoureiro-Mór João Henrique de Souza e sua mulher D.a Micaela Adunati Gayoso, todos moradores na Província de S. Luiz do Maranhão.
No Rio de Janeiro fez os primeiros estudos, sendo mais tarde enviado para Allemanha, onde, na Universidade de Heidelberg, graduou-se em direito civil.
Indo para o Maranhão em 1850, ahi serviu de secretario da Província desde 1854 a 1858. Neste anno foi nomeado director de terras publicas, e exerceu o logar até ser extincta a repartição em 1860.
Dedicou-se então á advocacia, e no mesmo anno foi eleito deputado provincial, sendo escolhido pelos collegas para a presidência da Assembléa.
Em 1861 foi eleito deputado geral, da câmara dissolvida em Maio de 1863.
Novamente eleito deputado geral em 1868, com a subida do partido conservador ao poder, pouco tempo demorou-se na câmara temporária. A 13 de Maio de 1871 foi escolhido senador pelo Maranhão e a 19 do mesmo mez tornou posse da cadeira, que pertencera a seu pae. No interstício da sessão parlamentar da 1869—1870, presidiu a província do Piauhy. Como vice-presidente administrou a do Maranhão em 1876.
Em 1883, estando no poder o partido liberal, foi nomeado Conselheiro de Estado extraordinário, passando depois a Conselheiro ordinário.
Ao organizar-se o gabinete de 10 de Março, foi incumbido da pasta da Marinha, mas seu estado de saúde, já então precário, não lhe permittiu ficar por muito tempo á frente dos negócios. Para perpetuar sua passagem no governo, basta o facto bem sabido do seu valioso concurso á causa da abolição immediata.
Na queda do ministério João Alfredo foi Vieira da Silva um daquelles a quem se dirigiu o Imperador para organização do novo gabinete; o illustre. parlamentar conseguiu titulares para todas as pastas, sendo um delles nosso patrício Cons.ro Jaguaribe, ia prolongar-se a situação conservadora, mas o despeito do presidente da Camara Paulino Soares, que não fora ouvido pelo Chefe da nação, fez com que abortasse toda e qualquer combinação e conseguintemente se operasse a mudança da situação politica passando a ser o paíz governado pelos liberaes. Foi então chamado o Visconde de Ou-ropreto, o organizador do ultimo ministério da Monarchia.
Paulino Soares não adheriu francamente á Republica mas também se lhe não oppoz e aos parentes aconselhou que acceitassem a nova ordem de cousas. Até ahi chegou o seu rancor ao Imperador.
Muito outro foi até morrer o proceder do seu grande amigo e correligionário Andrade Figueira. Aliás si havia homem que pudesse ter adherido ao actual regimen sem merecer o titulo de transfuga e ingrato foi esse Figueira a quem motivos de graves queixas tinha dado o Imperador.
Sobre Andrade Figueira lea-se Uma pagina de historia. Apologia de um Caracter pelo Dr. Rodrigo Costa.
Falleceu a 3 de Novembro de 1889 no Rio de Janeiro.
Era grão mestre da Maçonaria Brasileira, fidalgo cavalleiro da Casa imperial e cavalleiro da Ordem da Rosa.
Escreveu e publicou4
- Historia interna do direito romano privado até Justiniano, Rio de Janeiro, 1854, in-8.o de 397 pp.
- Historia da independencia da provincia do Maranhão (1822-1828), Maranhão 1872. in-8? de 360 pp. com 56 pp. de does.
- Questão religiosa, discurso pronunciado no. Senado na sessão de 8 de Março de 1873. Rio de Janeiro 1873, in. 35 pp.
- Voto de graças, discurso pronumciado no Senado, sessão de 13 de Junho de 1874, Rio de Janeiro, 18/4; in 8.o 35 pp.
Força naval, discurso pronunciado na sessão de 8 de Junho (na Camara dos deputados), Rio de Janeiro.1888, in-8?
Vieira da Silva, quando ainda estudante de preparatorios, fundou e redigiu o Jornal de instrucção e recreio, publicado pela Associação Literaria Maranhense, 1845—46.
Traduziu os melhores poetas allemães, franceses e ingleses-