Nasceu na -cidade de Quixeramobim a 27 de Março de 1851, sendo seus paes José de Souza Leitão e D. Adelina Cândida de Moraes Lei :tão- Neto pelo lado materno de José Monteiro Pinto e D. Francisca Jacintha Bezerra e pelo lado paterno de Julião Ribeiro Leitão e D.a Maria do Carmo Leitão.
Em 1869 conseguiu entrar no Seminário de Fortaleza, tendo estudado latim em sua terra natal com o professor José Remigio de Freitas.
Em 1871 concluindo os preparatórios, matriculou-se no curso de Theologia e a 30 de Novembro de 1875 foi ordenado Padre ao D. Luiz Antonio dos Santos.
Em Fevereiro de 1876 foi mandado como vigário da parochia de Nossa Senhora da Conceição do Pentecostes, da qual tomou posse a 30 de Abril do mesmo anno.
No inicio da sua gestão parochial teve de testemunhar o quadro desolador que, na secca de 1877, dia para dia se desenrolava com as mais negras cures.; vendo o constante êxodo dos seus parochianos, a leva contristadora de emigrantes que, vindos de outros logares, por alli passavam, sentiu-se mal sem saber que destino o aguardava.
Em taes emergências, recebeu uma carta do Rvd.o Bispo Diocesano que, lamentando o estado precário em que se achavam os seus vigários, pedia que o ajudassem a conduzir a cruz do múnus pastoral á montanha do sacrifício.
A uncção paternal com que fora dictada aquella carta fortaleceu o espirito do Padre Luiz Leitão e deu-lhe animo para tomar a definitiva resolução de não abandonar a paro
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chía¿ Ficar alli, em tão duras circumstancias, importava confiar tão somente na Divina Providencia.
Eifectivamente, era essa uma occasião própria, que se lhe offerecia para conhecer, fora da duvida, como é que a Magestade Divina toma particular interesse por aquelles que de bôa vontade se dedicam á pratica das boas acções, visando o amor de Deus e do próximo.
Ninguém, em verdade, pereceu de fome em Pentecostes durante a quadra calamitosa da secca; a ninguém faltou o vestido necessário para cobrir a nudez.
A única fortuna que possui era a sua actividade de Padre moço, e esta dedicou elle a favor da miseria na parochia, conseguindo, por isto, merecer inteira confiança do poder publico.
O governo do Ceará, quer no dominio da politica conservadora, quer da liberal, enviou sempre os soccorros precizos a aquelle povo em soffrimento.
Em compensação dos soccorros enviados para aquella parochia, obrigou-se o vigário a dirigir as obras publicas, que deviam ser executadas na localidade.
Conseguiu edificar a cadeia publica, que entregou, pela chave, ao então Presidente da Provincia, Dr. Caetano Estellita Cavalcante Pessoa, que disso fez menção em seu relatório, e iniciou o serviço da casa da Camara Municipal que, por outrem, foi posteriormente concluída.
Uma das torres de sua matriz, trabalho que começou em Dezembro de 1876 e que estava ainda em preto foi concluida também na epocha da secca, bem assim a consistorio da mesma Matriz, o alevantamento dos corredores e mais alguns pequenos methoramentos.
Por especiaes circumstancias viu-se o Padre Luiz Leitão obrigado a sustentar forte lucta contra um bando indisciplinado, que naquellas regiões roubava, espancava e assassinava publicamente.
Acarretando com o odio dessa gente, viu-se, um dia, em perigo de vida, Era um Domingo. Em seguida á missa conventual appareceram na villa 12 homens armados, com o fim de lhe fazerem mal. Atirando-lhe os mais grosseiros insultos, em altas vozes pelas ruas, disseram publicamente que pretendiam conduzir, por bem ou por mal, o vigário a próxima povoação de S. Sebastião do Jacú, para alli celebrar uma Missa a que d'antes se recuzara a convite do chefe do bando.
Graças á Divina Providencia e á defeza que, sem demora, surgiu por entre os seus parochianos, ainda reunidos na villa, poude livrar-se, n'aquelle dia, dos ataques dos assassinos.
Em face de taes desmandos, reclamou providencia ao Dr. José Julio de Albuquerque Barros .que soube, na qualidade de primeiro magistrado, cumprir o seu dever, enviando alli uma força militar que dispersou os desordeiros.
Apezar de deixar a parochia de Pentecostes em 1888 para dirigir a de Nossa Senhora dos Prazeres em Soure, conseguiu depois, já no domínio do governo republicano, auxiliado pelo Coronel Ferraz, governador do Estado, enfraquecer os elementos de desordens, que tanto concorreram para o descrédito daquella localidade.
Adherindo ao movimento de 15 de Novembro de 1889, pôz-se ao lado dos que contribuíram para a consolidação das novas idéas.
Esteve na regência da cadeira de Philosophia interinamente no Lyceu em substituição ao professor effectivo Joakim Catunda, eleito Senador da Republica, e aceupou em seguida o cargo de Director Geral da Instruccão Publica, sendo depois nomeado lente de Geographia do Lyceu.
Em consequência do movimento politico, originado do golpe de estado pelo Marechal Deodoro da Fonseca, resultou o 16 de Fevereiro de 1892 com o bombardeamento do palácio do Governo do Ceará, sendo elle, então, demittido do cargo de professor do Lyceu.
Collaborara na confecção da Constituição do Estado, motivo principal por que esteve ao lado do governo do general José Clarindo de Queiroz e em opposição ás tentativas de se nullificar aquelle documento já sanccionado. Vencendo a força militar, preferiu conservar-se na opposição por principio de coherencia.
Nesse tempo retirou-se para o Rio de Janeiro, onde exerceu interinamente o logar de vigário de Santa Rita em substituição ao Conego Joaquim Antunes, enfermo, foi professor de Religião no collegio Mayrink, na Tijuca, e paro-chiou tombem a freguezia de Maricá.
Voltou do Rio em 1894, como secretario do Bispo do Amazonas, D. José Lourenço, de Manáos regressou por motivos particulares, depois de 4 mezes, á Diocese do seu domicilio, e acceitou o logar de capellão da Egreja de S. Francisco das Chagas do Canindé.
Secundando alli o Reverendo parodio, desenvolveu a devoção do Sagrado Coração de Jesus, deu o'maior brilhantismo ás festividades do Padroeiro, e solemnizou, pela primeira vez na parochia, os actos da Semana Santa. Para este fim adquiriu por intermédio do Padre Francisco Pinheiro, então no Rio, os grandes vultos das imagens dos Passos e do Senhor Morto. Por sua iniciativa foi obtida também uma bella imagem de S. Vicente de Paulo, que foi entregue ao zelo dos confrades das Conferencias Vicentinas.
Teve ensejo de empregar, com certa prudência, os meios a seu alcance em favor do direito da auctoridade diocesana na magna questão entre o Bispo e a Irmandade de S. Francisco.
Incumbido de expor e explicar os capítulos 2.a da sessão 22 do Concilio Tridentino e 6.o da Bulla Apostólica Sedis do Papa Pio IX, concitou do púlpito, em nome da obediência christã, os membros da meza regedora da Irmandade a acabarem de vez com a questão. Dias depois a mesma Corporação procurava-o para entregar-lhe os bens patrimoniaes.
Recebendo-os, dirigiu-se pessoalmente a Fortaleza, onde, por sua .vez, entregou ao Exm. Snr. D. Joaquim José Vieira 29:798$000 em dinheiro e os demais haveres pertencentes a S. Francisco-
Nessa occasião, por incumbência de S. Exc.a, organizou um Regulamento, em virtude do qual uma commissão provisória, composta de homens probos, encarregou-se da regência daquelles bens patrimoniaes até a vinda dos frades Capuchinhos, aos quaes pretendia o Bispo diocesano entregar os negócios do santuário do Canindé.
Com a chegada dos referidos frades em 1898, concluiu o Padre Leitão sua missão n'aquella parochia.
Deixou alli escriptos no Livro do Tombo os “Apontamentos civis e religiosos de Canindé”, trabalho que dedicou a seu collega e amigo Monsenhor João Cruz Saldanha. No livro do Tombo da parochia de Pentecostes escrevera umas “Notas” referentes á vida politica e religiosa, ás scenas da secca de 1877 e á libertação dos escravos, n'aaueHe município, feita por sua iniciativa a 8 de Dezembro de 1883.
Com a secca de 1900 no Ceará, retirou-se para Belém do Pará, dirigindo-se pessoalmente ao governador do Estado, o Dr. Paes de Carvalho, que o recebeu como costumava acolher a todos os Cearenses, isto é, sempre alegre e, carinhosamente.
Foi por esse governador nomeado professor da Colônia Cearense “José de Alencar” tendo por missão animar os colonos ao trabalho da lavoura.
De accôrdo com auctoridade diocesana, exercia o seu ministério sagrado em Castanhal e demais colônias adjacentes.
De volta de Alagoas á sua diocese, D. Antonio Manoel de Castilho Brandão, Bispo do Pará, nomeou-o pro-parocho da Egreja de Nazareth, em consequeneia de achar-se enfermo o respectivo vigário Monsenhor Amâncio de Miranda e, fallecido este, nomeou-o parocho da Egreja.
Removido para Alagoas aquelle Bispo, teve o Padre Leitão que soffrer a opposição de alguns clérigos que não se conformavam com a permanência de um Padre extranho occupando posições que, por vantajosas, deviam ser reservadas ao clero da diocese.
Resistiu á insinuação de pedido de demissão, como medida de conciliação e prudência, até que o Vigário Geral, nada resolvendo, deixou para o Bispo quando chegasse decidir como melhor lhe approuvesse.
A D. Francisco do Rego Maia, chegado a Belém a 25 de Março, apresentou a 31 do mesmo mez uma petição, em que solicitava sua exoneração de vigário de Nazareth, allegando o que se havia dado.
O Prelado não lh’a concedeu, dizendo que continuasse nos termos da provisão do seu antecessor, e quando esta findou-se, a 15 de Junho, mandou renoval-a até 31 de Dezembro.
Tendo de retirar-se o Bispo para a Europa em Outubro ordenou-lhe que em começo do atino seguinte fosse paro-chiar a zona Bragantina, comprehendendo Castanhal e os núcleos vizinhos. A 31 de Dezembro entregou a parochia de Nazareth ao seu coadjuctor Padre Frederico Costa, depois Bispo Protonotario em Santarém, e depois bispo do Amazonas.
No tecto da Egreja de Nazareth fez reparos, substituindo o estucamento, que se desmoronou, por um forro de madeira, trabalho em que foram despendidos 5:000$000.
Durante o curto tempo de 2 annos em que esteve alli, levantou as finanças da Egreja de Nazareth, deixando um saldo em caixa de vinte e tantos contos.
A 2 de Janeiro de 1903 installou-se em Castanhal, e alli occupou o logar de Director do Grupo Escolar, por nomeação do governo do Estado, e regeu a freguezia de S. Vicente Ferrer do Inhangapy, como parocho provisionado.
Concebeu o plano de edificar em Castanhal um templo catholico, dedicado a Deus Omnipotente, tendo por orago o glorioso S. José.
Incalculáveis foram os embaraços que encontrou nesta empresa; ora era a lueta originada do sectarismo local, pois alli ha o espiritismo e o protestantismo; ora o indifferentismo dos próprios catholicos, que não se moviam ao brado dos que ampararam de bôa vontade tão sublime idéa. Reside actualmente em Manáos.
O Padre Leitão foi, muitas vezes, deputado em seu Estado no tempo da monarchia e no novo regimen republicano. Em uma das legislaturas foi eleito Presidente d'entre os seus pares, e na organização da Constituição do Estado, nullificada pela revolução de 16 de Fevereiro de 1892, foi o 1.o secretario d'Assembléa. Conheço delle:
Bibliografia1
- Notas politicas e religiosas da villa de Canindé, publicadas na Revista do Instituto do Ceará, anno de 1902.
Ajuntar á bibliographia1
- Relatório apresentado pelo Vigário de Castanhal ao Exmo. Revdmo. Sr. Arcebispo do Pará relativo a receita e despesa com a construcção da Egreja Matriz de Castanhal, Castanhal, Março, 1913.