Filho de Manuel Bezerra de Albuquerque, que foi procurador da Câmara Municipal de Fortaleza e teve parte grande nas luctas partidárias do Ceará, e de D. Antonia, da familia Gondim, de Canindé, nasceu a 23 de Agosto de 1843.
Fez a campanha do Paraguay donde volfou com o posto de Capitão e com varias condecorações.
Entre os diversos documentos de sua fé de officio figura o seguinte:
Ao Snr. Cel. Antônio Augusto de Barros Vasconcellos, commandante da 3a Brigada de Infantaria.
24 de Outubro de 1869 n. 253. Acampamento 40.o corpo de voluntários da pátria em Pirebebuy, 12 de Agosto de 1869.
Illmo. Snr. Em cumprimento á ordem de V, S. o batalhão n° 40 do meu interino commando tomou posição a retaguarda da artilharia que bombardeava de frente o entrincheiramento inimigo ás 6 horas da manhã e ás 8, pouco mais ou menos, cobertos pelos atiradores do 36.o corpo de voluntários, que eram dirigidos pelo Snr. Tenente coronel deputado do ajudante general Antônio Tiburcio Ferreira de Souza, avançou em linha, salvando todos os obstáculos que encontrou em sua marcha, escalou o entrincheiramento na occasião em que vários batalhões de infantaria entravam em luta com elles conccorreu para o seu completo anniquilamento. O comportamento distineto dos officiaes e mais praças do batalhão V. S, mais que ninguém, poderá aquilatar, entretanto manda a justiça que este commando decline os nomes do capm. fiscal Manoel Be¬zerra d'Albuquerque Júnior, Capitães Luiz Francisco de Souza, João Ribeiro da Silva Menezes, Rosendo Jesuino de Souza Brito, Vicente Lopes de Medeiros Chaves, João Oaudencio de Lima e Aprigio Augusto da Cunha; Tenentes Deocleciano Aurélio de Menezes, Domingos José de Amorim Júnior e João Victor de Almeida; Alferes Paula Pinto, Auto Rangel e Francisco Pedro dos Santos.
(Assignado) João Gonçalves Baptista de Moura, major commandante.
A um de seus companheiros, o citado Francisco Pedro, refere-se também este bello attestado:
Acampamento do 40.o corpo de voluntários da pátria em marcha, 17 de Agosto de 1869.
Ao Snr. CeL Augusto César da Silva, commte. da 3a brigada de Infantaria.
É de humana justiça que não me olvide de mencionar aqui um facto de verdadeiro heroísmo quando na carga que deram os Paraguayos o porta-estandarte do batalhão, alferes Francisco Pedro dos Santos que por varias vezes tinha sid° admoestado por mim para que se não adiantasse na linha' defendeu-se com energia e bravura de um official paraguayo que tentou apoderar-se da bandeira, o qual pagou com a morte tanta ousadia, recebendo neste conflicto uma gloriosa morte capm. Sérgio Gonçalves de Carvalho e ferimento também glorioso o cabo João de Deus do Nascimento que ajudavam
O mencionado porta-estandarte a defender-se, como também os cabos João Miguel dos Anjos, Belarmino Cândido de Souza e Antônio Tiburcio de França que faziam parte do pelotão da bandeira. (Assignado) João Gonçalves de Moura major commandante.
Reformado a 5 da Miio de 1833, e luctando com difficuldades para viver, acceitou o lugar de ajudante de Engenheiro da Câmara Municipal de Fortaleza.
Proclamada a Republica em Fortaleza e deposto o presidente Tte. Cel. Moraes Jardim, assumiu o governo o Tte. Cel. commandante do 11.o Batalhão de linha Luiz Antônio Ferraz, que o chamou para seu auxiliar ou secretario para os negócios da guerra. Os outros membros da Commissão, junto a Ferraz, foram: João Lopes Ferreira F.o (interior), Alexandre José Barbosa Lima (justiça), Joaquim de Oliveira Catunda (exterior), 2.o Tte. Lobato de Castro (marinha), José Freire Bezerril Fontenelle (industria) e João Cordeiro (fazenda).
Dado o golpe de Estado por Deodoro, fez se conspirador no Rio de Janeiro e no Ceará e só descançou com a renuncia do Marechal e conseqüente mudança do scenario político.
Representou o Ceará na Constituinte de 1890 e a testa dos alumnos da Escola Militar, em que era professor, foi a alma do movimento que em Fevereiro de 1892 depoz do governo o General José Clarindo de Queiroz.
Falleceu de uma syncope cardíaca menos de dous mezes depois, a 12 de Abril.
O filho de Manuel Bezerra, Affonso Bezerra de Albuquerque, Bacharel em Direito e funccionario da Fazenda do Estado, foi a mais infeliz das victimas do infame attentado commettido na noite de 5 de Junho de 1912 contra o Dr. Thomaz Cavalcante e seus amigos políticos, visto ter fallecido dos ferimentos a 14, deixando viuva e seis filhos. Os outros feridos pela bomba homicida foram o dito Dr. Thomaz Cavalcante e Dr. Edgar Borges.