O primeiro deste nome tronco de numerosa família e fallecido no Icó a 13 de Junho de 1822, era filho de João dos Santos Lopes, natural do Porto, o qual por bons fundamentos se presume ter sido christão-novo, procedente de família mourisca.
Lopes casara com uma senhora dos arrabaldes da Bahia da família de Cypriano de Almeida Barata, a qual veio para o Icó fugitiva por uma morte, que um seu irmão fizera na Baixa dos Sapateiros.
Este Português concorreu poderosamente para a erecção da egreja do Bomfim, naquella hoje cidade.
Manoel Brigido estudou latim no collegio de Taboleirinho (Jaguaribe) do celebre professor Mais, suspeitado de jesuíta fugitivo. Destinava-se ao curso ecclesiastico no Seminário de Olinda, quando furtou uma moça de origem Parahybana, com quem casou.
Começando a vida do foro teve de ir ao Rio de Janeiro liquidar uma questão de Domingos da Motta Teixeira, Vigário da Matriz do Icó (jurisconsulto, mais tarde senador resignatario), contra Antônio de Souza Malheiros, Sargento-mor de Ordenanças, e liquidada a sua commissão, dalli voltou condecorado pelo rei D. João VI e provido no officio de escrivão de orphãos e secretario do senado da câmara, o que queria dizer director espiritual delia.
Em 1817 auxiliou naquelles sertões a reacção contra o movimento republicano, pondo-se de intelligencia com o governador Sampaio, que por isto se tornou muito seu amigo e lhe grangeou segunda condecoração regia, de sorte que era cavalleiro de Christo e de S. Thiago.
Era advogado e criador, homem de esphera intellectual e da cultura possível nos nossos sertões naquelles tempos.
Meu archivo encerra importantes documentos sobre Manoel Brigido e seu filho Ignacio, firmados por Francisco Rubim e Manoel Ig. de Sampaio