Filho de Luiz da Costa Bezerra e D. Anua Maria da Silva Nogueira, nasceu em 1836 no logar Borges, perto de S. Bernardo de Russas. Foi seu bisavô José Nogueira de Freitas.
Pelos fins de 1847 entrou a frequentar a aula primaria do mestre Manoel Ribeiro, que deixou em breve pela de um de maior nomeada, professor Prudencio, que apparecera em Bento Pereira; nesta esteve também por pouco tempo, seis mezes apenas, porque o discípulo ja sabia tanto quanto o mestre, e a família precisava delle para a instrucção dos outros irmãos menores.
Em 1853 iniciou o estudo do latim com o português Joaquim Rodrigues de Carvalho, e crescendo em intelligencia, que cedo se manifestou nelle robusta, e nos conhecimentos que facilmente adqueria, resolveu ordenar-se. Eram os sonhos dos paes, que para isso não pouparam sacrifícios.
A 7 de Janeiro de 1857 Manoel Egydio deixava Russas em demanda do Aracaty, sendo seus companheiros de viajem João Leite de Oliveira, João Rabello e José J. Domingues Carneiro, os dous últimos estudantes em Recife, e dentro de poucos dias tomava passagem a bordo do hyate Invencível com destino a Recife onde chegou após 13 dias, e matriculou-se no curso de preparatórios annexo ao Seminário de Olinda. Eram seus lentes, de francês Frei Camillo e de geographia o Pe. Joaquim Ferreira dos Santos, português de naturalidade e por isso chamado o marinheiro. Hábil mas vaidoso, abriu lucta com este ultimo e o grupo de estudantes que o acompanhavam, os quaes eram conhecidos no Seminário pela alcunha de furões.
Contra esses esbravejou a musa galhofeira de Manoel Egydio.
Elle mesmo assim o diz em umas Notas Biographicas que deixou e que me foi dado consultar:
Começou a minha penna a destillar fel em versinhos corriqueiros e fáceis, não para os dar á publicidade porem para lel-os perante os meus amigos. Muito me serviram os exercícios que ja tinha feito em S. Bernardo de Russas pira pintar meu antipathico mestre doutor. Ja foram mais fáceis esses segundos exercícios, com facilidade a musa descantava malignidades, epigrâmmas e sarcasmos. Quasi todos esses versinhos perdi ou dei-os a alguns dos meus collegas.
Feitos os exames de francês e geographia e tendo de voltar para o Ceará não quiz fazel-o sem despedir-se do Padre com uma terrível descompostura.
De volta a Olinda e concluídos os preparatorios entrou Manoel Egydio para o curso do Seminário como 2.o annista (1860); foi um dos mais assíduos collaboradores do jornal O Santa Cruz, creação do Conego João Chrysosthomo, que sadia aos Domingos, e fundou a Sociedade Animadora da Instrucção, de que foi 1” presidente o Pe. Herculano, lente de Philosoohia, e que se reunia aos domingos das 3 ás 6 horas da tarde.
Creada a Diocese do Ceará e nomeado paia ella o 1? bispe, D. Luiz Antonio dos Santos, Manoel Egydio e mais 7 companheiros, seminaristas como elle, trataram de ultimar o curso na terra do berço, mas ou porque ja lhe faltasse a vocação ou porque do Seminário em que estivera viessem ao novo bispo qneixas e más informações contra elle, o facto é que abandonou de todo a batina e applicou sua robusta inteligência a rumo e carreira muito differentes; fez-se então empregado publico.
Transportando-se para Baturité, casou-se alli com uma filha de Pedro José de Castello Branco, que também foi sogro do Cel. Balduíno José de Oliveira, de Porphirio Gurgel, e de João Correia Lima, pae de D. Francisca Clotilde, escriptora, de quem me occupei á pagina 279 do 1.o vol.
É o autor da1
- Memoria das missões do Baturité de 13 de Dezembro de 1868 a 10 de Janeiro de 1869, com uma ligeira noticia sobre os missionários, Fortaleza, Typographia Brasileira, 88, Rua Formosa, 1869, in 8.o de 98 pp.
Essas missões foram pregadas pelos Lazaristas Miguel Maria Sipolis e Beltrant Maria Prat, franceses, e Lourenço Vicente Henrile, italiano, coadjuvados pelo diácono Antonio André Lino Maria da Costa, natural do Aracaty, e que mais -tarde abandonou a Egreja Catholica fazendo-se ministro de uma das innumeraveis seitas, que pullulam no Protestantismo.