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Biografia

Odilon Benévolo

Outr'ora Odilon Hermeto Benévolo

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Tenente do Estado Maior de 1.a Classe do Exercito, fallecido na Capital Federal a 30 de Maio de 1898, victima de arteriosclerose.

Era natural da cidade de Maranguape, tendo nascido a 29 de Julho de 1858. Foram seus paes o Tenente-Coronel da Guarda Nacional Reginaldo Benévolo Ferreira do Pinho e D. Eugenia Correia do Pinho.

Sentindo decidida vocação para a vida Militar, abraçou essa carreira de que foi ornamento distincto pelo seu saber e virtude.

Assentou praça como 1.o Cadete do Exercito a 29 de Setembro de 1875, galgando rapidamente os primeiros postos até 1.o sargento. A 16 de Dezembro de 1876 foi approvado plenamente no exame pratico na arma de Infantaria e em 1880 approvado com distincção nos exames finaes da Escola de Tiro do Campo Grande, em que se achava matriculado, recebendo como premio uma espada de honra.

A 28 de Novembro de 1881 teve licença para se assignar Odilon Benévolo. A 16 de Fevereiro de 1882 matriculou-se na Escola Militar da Corte, terminando em 1887 o curso de Infantaria e Cavallaria e no anno seguinte o de Artilharia, deixando então os estudos, que proseguiu em 1890 na Escola Superior de Guerra, conquistando em 1891 o grau de Engenheiro Militar e o curso do Estado Maior.

A 17 de Julho de 1886 foi promovido ao posto de Alteres da arma de Infantaria, sendo a 30 de Maio de 1890 transferido para a Artilharia, na qual foi promovido a 1.o Tenente do Extincto Corpo do Estado Maior de l.a Classe a 9 de Janeiro de 1892.

Após a conclusão de seu curso foi praticar como Engenheiro na E. de F. Central do Brasil, sendo pouco tempo depois-23 de Fevereiro de 1892, nomeado coadjuvante do ensino theorico da Escola Superior de guerra, onde leccionou a cadeira de Astronomia. Exerceu também, durante dois mezes, em 1893, o cargo de sub secretario da Escola, sendo a 5 de Novembro desse anno exonerado, a pedido, de ambos os cargos.

Desde 13 de Setembro de 1892 que também exercia o logar de engenheiro fiscal interino dos theatros. A 3 de Outubro de 1893 foi mandado servir no Batalhão Acadêmico, que seguiu e defender Nitheroy contra a esquadra revoltosa, sendo nomeado Ajudante do batalhão a 24 de Novembro e dispensado, a pedido, de servir-no mesmo a 2 de Fevereiro do anno seguinte.

Merecendo inteira confiança do Marechal Floriano Peixoto fora por elle incumbido de fazer propaganda, de preparar em Minas Geraes os espíritos para se dividir em dois esse muito extenso Estado da União e nesse sentido trabalhava quando a revolta de 6 de Setembro veio dar por terra com a idea que o Marechal acalentava com relação a Minas e mais Estados de grande extenção territorial.

A 9 de Junho de 1894 foi nomeado professor interino de lições de cousas e noções de sciencias physicas e naturaes no Collegio Militar e a 13 de Novembro desse mesmo anno voltou a leccionar na Escola Superior de Guerra.

A 3 de Janeiro de 1896 foi nomeado Director das obras militares do Estado do Espirito Santo, voltando, porem, a 6 de Março seguinte ao corpo docente da E. Superior de Guerra e do Collegio Militar.

A 17 de Abril de 1898 foi nomeado coadjuvante do ensino theorico da Escola Militar do Brasil, não chegando, porem, infelizmente, a tomar conta do ensino por já se achar bastante enfermo da molestia de que veio a fallecer pouco depois.

Foi enterrado no Cemitério de S. João Baptista, na Capital Federal, havendo sido seu féretro coberto pela bandeira nacional e conduzido á mão por grande concurso de amigos, desde a casa de seu irmão Dr. Jayme Benévolo, na rua Paysandú, até da Praia de Botafogo, continuando a carro por causa do adiantado da hora. Ao baixar seu corpo á sepultura fallaram pelo Collegio Militar o Dr. Duque Estrada, e pelo Partido Nacional o Major Dr. Borges Fortes.

Com sua morte soffreu o ensino uma grande perda, pois alem de fazer parte do corpo docente das Escolas Militares exercia o magistério particular sem disto procurar auferir lucros, tendo sido professor do Instituto Kopke e de outros collegios.

Uma feição característica de Odilon Benévolo era seu amor acendrado á instrucção popular; grande parte de seus honorários gastava-os em livros para os outros e em auxílios aos que por falta de meios não podiam instruir-se.

Membro proeminente do Partido Nacional, de que foi um dos fundadores, pertencia ao seu Directório Central.

Odilon Benévolo escreveu n'A Cruzada e na Revista da Família Acadêmica, publicações da Escola Militar do Rio de Janeiro.