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O Nordeste

Outubro de 1946 · 5 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • CONVERSA GAFANHOTO — Deus castigou Egito, pois faraó não quis deixar partir o povo eleito. Todas as águas converteram-se em sangue e saíram inumeráveis rãs. Nuvens de mosquitos desceram sobre homens e animais. Enxames de moscas perigosas atormentaram atrozmente o povo. O gado morreu de epizootias. Bexigas e úlceras dolorosas cobriram as populações. Uma medonha chuva de pedra destruiu rebanhos e colheitas. Trevas fechadas reinaram no Egito por três dias seguidos, mas o lugar onde moravam os israelitas ficava com meridiana claridade. O horrendo sofrimento, o sol do faraó, pagava o povo. A Divindade lutou contra o poder destruidor que já tinha, há milhares de anos: os gafanhotos. Serviu a Onipotência para vingar o ultraje recebido pela mesquinha soberba dos homens. Estes terríveis bichinhos, isolados, não valem nada. São, porém, inimigos temibilíssimos quando integrados em um exército. Acabam de penetrar no Sul brasileiro, assolando searas no interior do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, de maneira espetacular. No tempo dos faraós, o homem e os gafanhotos em revoada. Já foram utilizados até aviões do Exército para combater artificialmente os acrídios, que zombam da realidade avassaladora do número. Não é o número o ídolo do tempo? Não é fiel a balança das democracias? Os gafanhotos são também uma demonstração prática das vantagens que o regime apresenta em número... Piadas correntes nos bastidores políticos nacionais era a contramarcha da famosa coalizão. O governo já oferecera pasta ministerial aos gafanhotos, que também recusaram. As pragas do Egito...

Anúncios, notas e expediente

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