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O Nordeste
Maio de 1956 · 4 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Quantas Nações querem, salvam crises angustiam e tomam caminho grandes destinos. Aí está exemplo Portugal, conduzido à beira do abismo, reabilitado pela honestidade e bravura do governo e tradições do glorioso povo. O ministério da República Ocidental da Alemanha recompôs o país com programa de austeridade e desassombrada cívica. A Espanha, que os comunistas pilharam e depredaram, a vitória da lei tomou a ordem cristã e tem equilibradas as finanças. A Itália, após a guerra, soube sair da confusão com galhardia e já impôs equilíbrio e diretriz segura à vida administrativa. Brasil, atingimos hora decisiva para evitar que a demagogia e a corrupção partidária arrastem a nacionalidade ao báratro descrédito e anarquia. É tempo de restaurar o sentimento de honra e resistência aos tremendos infortúnios da época.
- Reunidos em Campina Grande, Bispos do Nordeste apontam problemas básicos e reestruturação de métodos indispensáveis ao fomento da riqueza e à preservação da consciência popular, minada pela calamitosa infiltração marxista. A palavra sincera e intencionada da Igreja projeta luz sobre assuntos de relevância e oportunidade, em momento sombrio da História. Não é admissível delonga em matéria de premência. A intervenção do Episcopado tem o objetivo de prestar, com vontade, a ajuda ao poder constituído, para que possa melhorar a situação de penúria e miséria em que se encontram as populações do Polígono das Secas. O próprio Magistrado, Juscelino Kubitschek, levou apoio pessoal às medidas que visam a beneficiar larga região brasileira. Deus abençoe tão generoso esforço em prol da prosperidade da família nacional.
- Vai tornando comum no capital o trânsito de automóveis pelas ruas centrais da cidade, conduzindo, aos domingos, pessoas em trajos sumários, que se dirigem aos banhos de mar de onde regressam. São homens de calções, mulheres metidas em simples maiôs, jovens de ambos os sexos e meninos e meninas envergando reduzidos pedaços de pano. Essas pessoas, que usam automóveis, não procedem por ignorância dos deveres da moral e da decência, próprias, mas afrontam de maneira impudica o decôro público e ofendem de maneira alvar o pudor alheio. Não compreende a gente a responsabilidade de não se sentir acanhada em apresentar ostensivamente o corpo nu nas vias públicas da capital. Há gente que diz que acha que os automóveis e que se sintam ofendidos não olhem. A lei das contravenções penais, para não falar do código moral, é de caráter público e não particular, e visa justamente a reprimir atentados à moralidade e ao pudor praticados por pessoas que não querem respeitar o direito que o mundo tem de não ver ofendida a sensibilidade pessoal. É inconcebível que se transforme em costume o que é ofensa à pudicícia. Andar semi-despido pelas ruas é ultraje ao pudor e é tal punido por lei. O fato de andar em veículo não impede o cumprimento da lei. Há também a considerar a dignidade cristã, que é apanágio do elevado indivíduo que pertence à Igreja Católica. As exibições do corpo representam pecado contra a castidade e rebaixam e degradam quem as pratica, quem as olha com escândalo e quem as espalha. É indispensável que os meios católicos iniciem uma campanha intencionada.
- Conforme o lavrador vivia. A seca prolongada havia esgotado os recursos. A semente que ele guardara para plantar já estava servindo de alimento à família. No princípio de janeiro caiu chuva, após longa estiagem. Supôs ele que era o início da quadra de chuvas. Plantou rapidamente para não perder a quadra feliz; porém a chuva não continuou. A semente plantada germinou, após a qual a planta morreu de sede. No mês seguinte, cai chuva nas covas que ele ia abrindo. Dessa vez, a planta estiola, mas as chuvas não continuaram. Na terceira vez, sucedeu o mesmo. Estava indeciso o lavrador sobre se tentava a sorte pela quarta vez. A miséria reinava de modo desolador. O lavrador planta pela quarta vez. É a quarta lavra, porém, no fim da quadra invernosa. A plantação vingou. Na época da floração, porém, já não choveu. Não foi possível haver colheita. Julgais que a família tenha se revoltado? Não. Como Jó, recebia das mãos de Deus a ventura e a tristeza, sabia a família...