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Dezembro de 1943, página 20 · 18 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Rematamos esforço paciente e minucioso de dona casa, limpamos contas velhas de armazém, açougueiro, leiteiro, padeiro, e a gente suprindo a família anos, encontrava dia recebimentos atraso.
- Graças ao crédito externo empreendeu o mundo dentro do Brasil. Portos, navegação, estradas de ferro, saneamento, luz, força hidroelétrica, marinha de guerra, equipamento do exército, exposição do centenário da independência, obras no nordeste, grandes hotéis, asfaltamento de ruas no Rio e São Paulo, defesa dos preços do café, serviços públicos do governo central, dos rios, dos governos estaduais e municipais, entrou, e a larga escala, a colaboração do ouro do país.
- Compreende-se a preocupação do governo nacional em demonstrar ao credor externo que, malbaratadas em casos parcelas consideráveis as somas recebidas, ficou incorporada ao patrimônio do país.
- Quem contestará que os empréstimos feitos para os portos do Rio, Pernambuco e Rio Grande do Sul, a estrada de ferro Noroeste, a Central do Brasil e o sistema ferroviário do Rio Grande do Sul, não estejam materializados em valores reais?
- Consideremos só o empréstimo, visível aos olhos do carioca: fez o desmonte do morro do Castelo. E não valem os terrenos do morro do Castelo? Uma fortuna colossal não acrescentou à riqueza da cidade do Rio, não só a gleba nivelada do morro desmontado, mas conquistou o mar, terra do Castelo?
- Só o local do aeroporto, o banqueiro dizia há meses, estaria disposto a pagar 600 milhões de cruzeiros. Quantas não remunera essa soma, se duas operações dos prefeitos Carlos Sampaio e Antonio Prado Júnior tomaram do exterior para encetar e concluir a derrubada do morro?
- Empréstimos são o que os americanos chamam 'seed-money'. Foi com capitais iniciais que começamos os trabalhos de estruturação da superfície de gente civilizada no Brasil.
- O grande embasamento da civilização decorre dos 837 milhões de dólares que circulam, neste momento, na economia privada europeia, americana e canadense, e que já mandaram ser reembolsados para ajudar a construção da pátria brasileira.
- Temos de nos congratular pelos níveis de decência e honestidade que inspiraram a conduta do governo federal, que não se aproveitou da crise ou da guerra para declarar bancarrota.
- A dívida externa ficou reduzida a 521 milhões de dólares — são, justo, 2/3 do que temos em saldos no exterior, e as reservas de ouro nas fronteiras.
- O país, que tem acumuladas reservas em proporções, está obrigado a tratar os credores em uma base diferente daquela que prevaleceu, no esquema de Oswaldo Aranha, onde, diversas, eram as condições econômicas e financeiras.
- Dispomos de pujança econômica e vitalidade financeira. É natural que dispensássemos aos portadores de títulos da dívida exterior um tratamento equitativo, um apelo à capacidade de pagamento.
- O ministro da Fazenda fez um notável discurso, detalhando o plano de regularização da dívida, que se achava no recinto do Palácio Tiradentes, ouvindo os embaixadores da Grã Bretanha e dos Estados Unidos.
- A correção mantida pelos governos das duas nações amigas e aliadas, após a longa e penosa fase de nossas dificuldades internas, é preciso ressaltar, para a honra da compreensão e lealdade brasileira.
- Não alegamos, em 35, que as forças da nação só comportavam um pequeno volume de responsabilidades que então assumimos.
- Temos o júbilo de afirmar que, tonificados pelos anos de jejum do começo da quaresma, infligido aos credores, e carnudos graças à política de revigoramento da nação empreendida pelo presidente Vargas, é lícito retomar os encargos de acordo com o aumento da capacidade de produção do país.
- E, retomarmos em condições substanciosas o serviço da dívida, cumpre agradecer aos amigos tolerantes a pausa que nos concederam, e a confiança que em nós tiveram, para que lográssemos respirar fortes, abrir e rasgar o peito.
- A Inglaterra e os Estados Unidos exerceram uma sombra de pressão política e diplomática nos transes agudos da crise e depauperação econômica.