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O Nordeste
Janeiro de 1963 · 6 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Da Escolha Forçada PONTOS DE VISTA RESULTADOS MESQUINHOS O Presidente João Goulart, em entrevista exclusiva ao jornal “Pravda”, de Moscou, comemorando o primeiro aniversário do reatamento das relações diplomáticas entre o Brasil e a Rússia, mostrou-se muito satisfeito com a ocorrência, adiantando que o fato “já proporcionou apreciáveis resultados concretos no campo comercial”. E diz mais que “o comércio brasileiro com a URSS vem-se expandindo em ritmo satisfatório”, tentando isso comprovar com a alegação de que no corrente ano alcançou mais de 70 milhões de dólares, isso a partir de 1958, quando começaram as relações de compra e venda entre os dois países. Pelo visto, o Presidente da República se contenta com muito pouca coisa. Porque, na realidade, apesar de toda a propaganda louvaminheira, apesar de todas as facilidades oferecidas à Rússia e seus satélites, apesar de gozarem os soviéticos de vantagens absolutas no recebimento dos seus créditos, o nosso comércio com a Rússia nada representa em face do total do nosso movimento de exportação e importação, pois em 1961, segundo se lê na própria Mensagem do Chefe de Estado, ao Congresso, o Brasil exportou um bilhão e 148 milhões de dólares, tendo importado um bilhão e 209 milhões de dólares. Assim, diante desse bilhão e um bocado de dólares, o que representa a mixaria de 80 milhões de dólares? Segundo os dizeres do Presidente, “nos próximos anos as perspectivas do intercâmbio entre os dois países se afiguram auspiciosas”. Ninguém sabe, em sã consciência, em que assentou o sr. João Goulart as suas perspectivas otimistas em excesso. Na verdade, a Rússia nada tem a nos vender, seja em quantidade, seja em qualidade, que atenda às nossas necessidades normais. Mesmo “as grandes instalações industriais, que, segundo ele, atingiram na Rússia elevado nível de progresso técnico”, não nos servem, visto como teríamos que pôr de lado a maquinaria de fabricação americana, inglesa ou alemã, o que redundaria numa verdadeira catástrofe econômica e financeira, pois é impossível substituir ou mesmo melhorar com máquinas russas o nosso parque industrial, visto como os aparelhos russos não se enquadram nem se ajustam como sobressalentes nas instalações hoje em funcionamento. L. S.
- Do «Não» Não resta a menor dúvida de que, no plebiscito do próximo domingo, o novo brasileiro não poderá escolher, com plena liberdade. Não nos importa, no momento, discutir a evidente inconstitucionalidade da emenda Valadares, que antecipou a consulta popular que, pela letra do Ato Adicional, só poderia ser feita a partir de nove meses antes das próximas eleições presidenciais. No caso presente, o que nos interessa é afirmar que ninguém vai escolher livremente entre parlamentarismo e presidencialismo. E explicamos porquê. Nenhum cidadão brasileiro que tenha um mínimo de conhecimento do que foi feito pelo sr. João Goulart contra o regime parlamentarista, deixará de concordar conosco quando afirmamos que jamais o atual Presidente da República deixaria funcionar este regime se acaso ele saísse vitorioso das urnas do plebiscito. Se já uma vez o sr. João Goulart boicotou o parlamentarismo, cujas instituições jurou defender no ato solene de sua posse presidencial, por que agora iria respeitá-lo depois de um eventual e efêmero triunfo, minado por enorme abstenção e ainda dirigido à mínima parcela de alfabetizados do país? Sinceramente tudo nos autoriza a ter uma certeza moral de que, mesmo no caso da vitória do parlamentarismo, o Presidente continuaria usando e abusando dos mesmíssimos processos e expedientes, tais como a imposição de San Tiago Dantas, Brochado e Hermes Lima, rebelião política do Comando da Greve, pronunciamentos alarmistas de militares e crise do abastecimento que — esses sim — paralisaram a vida do país nesses 14 meses, encheram de aflição milhões de verdadeiros filhos do Brasil, lançando perigosa alternativa sobre o futuro da Pátria. Essa é que é a moral verdadeira: o parlamentarismo não funcionou e não funcionaria se vencesse, no plebiscito, porque quem não quer é o Presidente da República. Sendo assim, de que serve votar no parlamentarismo? Conclusão: a escolha não é livre, é sob coação moral. Mas a verdadeira queda do parlamentarismo não será no próximo dia seis. Deu-se no dia em que as elites políticas do país se sentiram incapazes de conter o sr. João Goulart no seu afã de torpedear os entendimentos de novembro de 1961 em torno da complementação do Ato Adicional. Daquele dia em diante estava a sorte do regime e é até de admitir que o sr. Jango não tenta simplesmente dar um golpe, para liquidá-lo, à semelhança dos dois golpes de Novembro de 55 dados em seu favor e do golpe, frustrado que há pouco mais de um ano em prejuízo seu quiseram dar. Muito ao contrário dos pessimistas e dos desiludidos, acreditamos ser esta preocupação de justificar com o apelo legal ao plebiscito e longa liquidação do parlamentarismo, uma das grandes lições que do episódio farão para o povo brasileiro. Já é tão grande a consciência democrática do nosso povo, a sua visceral condenação a todo e qualquer modelo de avanço violento sobre as prerrogativas de sua livre escolha, que um Presidente precisa consultar esse povo para coonestar a sua ação política. Grande lição para todos e cada um de nós. Que o povo tome consciência de que é ele mesmo quem tem o direito final de decidir. Que o aprendam também todos os partidários da politização totalitária, democratas casuais que hoje batem palmas ao plebiscito e que amanhã seriam os primeiros a amordaçar o povo. Voltemos a seis de janeiro. Ninguém se abstenha de votar. E enfrentemos depois a realidade do presidencialismo com o sr. João Goulart. Mas estejamos certos: a democracia jamais temeu o voto no Brasil. Porque o povo brasileiro é democrata. O que ela teme não é o plebiscito. É o que poderia seguir-se ao plebiscito. O que ela teme não é a voz das urnas, são as manobras de guerrilheiros encapuzados e as artimanhas de prevês postiças de pelejos vermelhos. Desses, exatamente, que em Cuba se recusam a convidar o povo para um plebiscito.
- FATOS DO DIA ignorância perniciosa O ilustre deputado Daniel Faraco, um dos mais dignos representantes do povo brasileiro no Congresso Nacional, figura singular de financista com base num caráter retilíneo, católico bem esclarecido e que conquistou o título de “Homem de Visão” neste ano de 1962, pronunciou, como é de seu feitio, um ponderado discurso na Câmara Federal, em que examina os vários aspectos da reforma bancária, de que é eminente relator. Conhecendo profundamente o assunto, não só por ser funcionário do Banco do Brasil, como por se vir entregando ao estudo dos problemas financeiros do País há mais de vinte anos, é indiscutível que de sua competência e ilustração somente devia sair um trabalho seguro, proveitoso e exato. Se houvesse da parte dos governantes interesse pela reforma bancária, como disse o operoso deputado gaúcho, de há muito que estaria o Brasil gozando os salutares efeitos da dita reforma. No entanto, “todos os esforços bem intencionados que a Câmara há despendido esbarram, porém, sempre em enervantes obstáculos”. “Por último, continua o deputado Daniel Faraco, descobriu-se na reforma bancária um PERIGO que até então passara despercebido: esse perigo é nada mais, nada menos, que a destruição do Banco do Brasil que, conforme se espalha, “ficaria relegado a uma posição secundária, ficando ele privado de soma considerável de recursos”. E, como não podia deixar de acontecer, pois estamos num ambiente de greves preparadas ao sabor de movimentos políticos, surgem de todos os lados ameaças de greve contra a reforma bancária, fazendo-se funcionar como sapadores funcionários do Banco do Brasil. O fato é que a reforma bancária, organizada e estabelecida por homens de clarividência, de envergadura moral e de saber indiscutível como Daniel Faraco, uma das poucas reservas morais do Parlamento brasileiro, acaba de vez com a função indecente e ilegal do Banco do Brasil, transformado em financiador de atividades político-partidárias nas mãos de governos inescrupulosos. Ora, pôr um paradeiro nessa mina de suborno e de negociatas para fins políticos é moralizar o regime, é afastar o peleguismo profissional, é extinguir os aproveitadores de situação. E como a greve é o recurso para exploração da ignorância perniciosa em favor de uma ordem de coisas que não quer desaparecer, então que se recorra à greve... OBS
- desencanto A última reportagem da revista “Fatos & Fotos” acerca da turbulenta vida do cangaceiro Lampião trazia uma indicação que surpreendeu: o famoso bandoleiro, lenda de terror e de romantismo junto à sua Maria Bonita, morreu, não em meio à fusilaria e ao pipocar de balázios, gritos de guerra, ataques e fumaradas, mas, miseravelmente envenenado, vomitando suas vísceras atoladas de estricnina... Um coiteiro, sob ameaça de morte, deu café com veneno à tropa de bandidos, que, acossados num grotão, deveriam ter dado o último fogo com a volante que os perseguia, talvez o decisivo! No entanto, na hora exata em que a volante se aproximava, estavam ele, Lampião, Maria Bonita e mais nove “cabras” a escabuchar aos gritos e pinotes no chão, morrendo misturados à poeira do carrasco. Meninos que fomos no sertão, acostumamo-nos a ouvir estórias de Lampião. Mesmo no vale jaguaripeño, precisamente em Limoeiro, Lampião fez as suas andanças, embora ordeiramente fiel à palavra de cangaceiro que dera ao “Padim Cirço”. Ainda restam homens ali, como o ancião Anísio Batista, que travaram contato mais direto com o bando, ao que contam, cinquenta e sete bandidos, todos a cavalo (quando os não tinham, roubavam-nos). Na cidade, encontrou pouca gente; coragem frente a Lampião de pouco adiantava. Deu esmola, fez piadas e, como se aproximassem soldados, resolveu ir-se embora, sem ofender a pessoa alguma. Na Serra da Micaela, a diate de Limoeiro, umas 15 léguas, deu um fogo duro com a polícia, em que, segundo contam, todo o matagal ficou roçado de bala exatamente a uma altura mínima de dois metros... Lampião passou por baixo e foi para o Cariri... Pois bem, as lendas do bandido enchiam muita boca de noite sertaneja. Quando correu a notícia de sua morte, vinha logo o complemento da história: rajadas de metralhadoras rasgaram o bando aí pelo sair do sol, enquanto tomavam café. Um ataque fulminante da polícia, de que se destacavam figuras de soldados, cabos e aspirantes que, graças ao prestígio de Lampião morto assim heroicamente, ascenderam logo às cumeadas da fama! Veio depois o resto: cabeças decepadas, como numa demonstração de que o bandido acabara mesmo, devidamente varado de balázios de metralhadora... Agora surge outra face. O repórter conta sem emoção, apenas com exatidão: o bando foi envenenado. Coisa de matar logo, que a polícia faria pressa em tornar-se famosa: estricnina. Se verdadeira a narrativa, o “filme” Lampião terminou mal. Quem tanto lutou, tanto matou e sacrificou, tanto andou e mexeu, veio a terminar sua vida de dentro para fora, o tipo de morte besta para bandido tão célebre. Envenenamento de Lampião, legenda do desencanto...
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- Nota social FATOS & PROBLEMAS Maria, espelho das virtudes de Jesus O amor leva à imitação, já o dissemos. Mas para que amemos é preciso que conheçamos. Procuremos pois conhecer melhor Maria para bem imitá-la e imitando-a copiarmos Jesus. Maria é a mais excelsa criatura saída das mãos de Deus e sua grandeza se funda em sua maternidade divina — Maria é a Mãe de Jesus, o Homem-Deus. Por mais que Deus conceda perfeições a um ser, haverá sempre entre ele e Maria uma grande desproporção. Para Maria ser maior era preciso também que Jesus pudesse ser maior, o que é impossível pois se Ele é Homem, como filho de Maria, é também Deus — 2ª pessoa da Santíssima Trindade. Se Maria é a criatura mais perfeita saída das mãos de Deus, é também a alma que mais ascendeu nas Virtudes. Vejamos quais as virtudes de Maria que mais refulgem a nossos olhos. HUMILDADE — Sendo embora a mais excelsa criatura, tinha baixos sentimentos de si enquanto proclamava as grandezas de Deus em sua alma. É isso o que nos ensina no belo canto do Magnificat: “Porque olhou para a baixeza de Sua serva... fez em mim grandes coisas...” (LUC. 1-48, 49). Por sua humildade Maria mereceu a honra de ser escolhida para Mãe de Deus e ser elevada acima de todas as criaturas. PUREZA — Porque devia ser a Mãe de Deus, Maria foi preservada do pecado original. Assim cantamos na festa de sua Imaculada Conceição: “Toda és formosa ó Maria e em Ti não há mácula original”. Maria preferiria ter renunciado à maternidade divina do que ver violada sua pureza virginal. Foi sua pureza que encantou Deus e atraiu o Verbo Encarnado: “Ave Maria, cheia de graça... bendito é o fruto de vosso ventre!” (Luc. 1, 28). Aprendamos de Maria a guardar inocente nosso coração, a manter uma vontade firme e inabalável de evitar o pecado e a resistir a invencivelmente às sugestões da carne e de nossos sentidos. FÉ — Maria foi grande na fé. É exemplo disso, primeiro na Encarnação do Verbo e depois em muitos passos de sua vida: vê uma frágil herança na manjedoura e adora Nela seu Deus; foge, com Jesus da tirania de Herodes, mas não duvida que leva entre seus braços o Criador do Universo; contempla-o morto na Cruz e fica inabalável em sua fé. Mostremos, como Maria, em nossos atos que cremos realmente nas verdades reveladas. A fé sem as obras é morta, diz-nos S. Tiago. CARIDADE — Maria amou Jesus como seu Deus e como seu Filho. O amor a Deus e o amor materno não têm limites. A exemplo de Maria cresceremos no amor de Deus na medida em que nosso coração se tornar sempre mais inocente e for se desapegando de toda afeição terrena e de todo interesse próprio. Quem ama a Deus amará seu próximo, pois este amor é consequência daquele. SUBMISSÃO À VONTADE DE DEUS — Quem ama verdadeiramente sente-se feliz em se submeter àquele a quem ama. Maria esteve sempre submissa a Deus. O Evangelho nos narra vários exemplos da submissão de Maria. Submissão que era HUMILDE, INTEIRA, CALMA, HEROICA E CARIDOSA: HUMILDE — na fuga para o Egito. Parte com pressa sem procurar escusas. INTEIRA — na aceitação em desposar S. José. CALMA — na festa de páscoa, em Jerusalém, quando perde Jesus aos 12 anos, recebendo como explicação somente que Ele devia “ocupar-se das coisas de seu Pai”. HEROICA — quando aceita no íntimo de seu coração a crucificação de Jesus, seu Filho. CHEIA DE CARIDADE — recebendo aos pés da cruz o encargo de ser Mãe dos pecadores. Maria nos ensina que não há NADA MAIS JUSTO do que nos submetermos a Deus, nosso Criador; NADA MAIS HONROSO, pois nos assemelhamos a Jesus Cristo; e NADA MAIS SANTIFICADOR, pois que é a adesão plena à vontade de Deus que nos torna santos. OBEDIÊNCIA — Cristo fez-se obediente até a morte de Cruz. Maria foi obediente até na crucificação de seu Divino Filho. E a obediência torna todos os nossos atos meretórios para o céu. E agora conhecemos melhor Maria. Conhecendo-a imitemo-la. As virtudes de Maria é garantia de predestinação para que imitando-a imitemos Jesus e o que nos leva ao céu é estarmos conformes com Jesus, nosso Modelo de santidade. Jesus quis vir a nós por Maria. Vamos também nós a Jesus por Maria! ANCILLA MARIAS Legenda do JÁ.
- Expediente Expediente Coopere com a Maternidade do Pirambu