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O Nordeste
Janeiro de 1963 · 12 trechos transcritos
Manchetes desta página
- Marcos do bandeirantismo da ação social cristã sob a égide do zeloso cura do Pirambu — A Escola de Líderes c a Cooperativa dos Pescadores — O exemplo de um vigário das areias, na luta pela solução de um problema nacional — «A Barca de Pedro nos Verdes Mares Bravios, pescando os almas de pescadores de peixe»... — Mons. Hélio Campos e sua equipe são como os «plantadores de carvalho»... (Conclui na página 2)
- BANDEIRANTISMO DA AÇÃO SOCIAL * Ao assumir a paróquia de Nossa Senhora das Gra- ças, como já assinalamos, o então Pe. Hélio Campos en- controu o Pirambu inteira- mente marginalizado não somente do ponto de vista econômico, como também social, moral e religioso. Plantada a boa semente pa- roquial esta germinou na- quele terreno a princípio re- fratário mas que cedeu ao tratamento, ao zelo missio- nário daquele desbravador de almas. E cresceu a árvo- re, agigantou-se o “carva- lho” da ação social da Igre- ja, ali cultivado por aque- le laborioso Operário de Deus e sua equipe de idea- listas, corações de boa von- tade da classificação “ruia- na dos “plantadores de carvalho”... Pirambu, que era um valhacouto de perdi- ção, transformou-se, ao im- pacto da ação apostólica de mons. Hélio Camnos, li- bertando-se da predominância dos vícios, adquirindo as notas de uma comunidade orientada, levantando-se pa- ra a formidável luta de so- brevivência, nesta grande arrancada da Tareia por um mundo melhor, que tem no cura da orla marí- tima um dos reais paradíg- mas do apostolado social cristão moderno.
- CENTRO SOCIAL LAR DE TODOS E o Centro Social Lar de Todos, que é a célula mater do alevantamento so- cial do Pirambu, ali se er- gue e multiplica a sua be- neficência no meio daquela gente, como um marco triunfal, desta cruzada cio cristianismo pela promoção do homem nas áreas do pro- letariado e das areias, co- mo dissemos em nota an- terior. Centraliza-se naquela ins- tituição tôda a atividade so- cial do mons. Hélio e sua equipe que atinge a periferia do bairro por intermé- dio dos chamados centros missionários dos Arpoado- res. Casas Novas. Lagoa Funda. Japão, perfeitamen- te articulados com o Lar de Todos que é a central da paróquia, onde funcio- nan as escolas (cerca de 4.000 crianças) o parque diversional. o lactário. o pequeno dispensário. Há as escolas de alfabetização mantidas pela paróquia: es- colas do pré-profissional pa- ra meninos (marcenaria, sapataria, mosaico, velas, marmoritos, mecânica em fase de equipamento); artes domésticas para moças (cor- te e costura, bordados, cu- linária. etc.).
- BORDADEIRAS * A propósito dos bor- dados a mão que, ali, arre- gimentam cerca de meia centena de moças do curso, informa-nos dona Aldacir Barbosa, assistente social chefe da laboriosa equipe de mons. Hélio Campos, que a SUDENE, através da ARTENE, dispõe-se a cola- borar com a Cooperativa das Bordadeiras, por meio de financiamentos e con- forme o projeto de convê- nio em elaboração no Pi- rambu.
- ESCOLA DE LIDERES * Mas no Centro Social Lar de Todos funciona uma instituição “sui-generis” em nossa terra com finali- dades de transcendente im- portância, que sublinham a obra social de mons. Hélio Campos no Pirambu. E’ a Escola de Líderes que, naquele bairro, indiscuti- velmente, realiza aquele monumental “slogan de que “qualquer um pode melhorar o mundo”, en- frentando de modo concre- to e pelo caminho certo um problema de âmbito na- cional: a falta de líderes. O curso tem a duração de 2 meses e meio, sendo as au- las ministradas por padres e entendidos em assuntos sociais. As matérias: Admi- nistração. Leis Trabalhistas, Geografia e História do Bra- sil. Doutrina Social da Igre- ja. Capitalismo, Comunis- mo, Técnica de Liderança. Política, Economia, (ru- dimentos). Algumas deze- nas de rapazes, senhoras e mocas já receberam, ali, o diploma daquela escola, que constitui uma iniciativa pioneira de mons Hélio Campos e sua equipe em Fortaleza, e cujas demais paróquias já se movimentam os vigários interessados na adoção daquela prática de que dá exemplo animador o Pirambu, para a formação de con- selhos de bairro que, ali, funcionam com a maior eficiência nos centros mis- sionários.
- BARCOS MOTORIZADOS Durante todo o segundo semestre do ano que findou, foram lançados, ora na Praia de Casas Novas, ora na Barra do Ceará, cerca de quatro barcos motoriza- dos destinados ao uso dos pescadores, pobres, da faixa litorânea do Pirambu. Mais uma valiosa contribuição dos católicos alemães, den- tro de seu plano de ajuda às populações necessitadas da "Região da Sêca", onde o Pirambu, seja embora um dos palcos dêste trágico dra- ma do martírio secular de nosso povo, é sobretudo o cenário da monumental obra apostólica de mons. Hélio Campos, no comando de uma autêntica legião da boa vontade, uma equipe de assistentes sociais, mé- dicos, professoras, enfermei- ras, religiosas e líderes de bairro, todos estes aplicados à cobertura social daquela gente, num feito que assinala a vasta zona da orla marítima.
- COOPERATIVA DOS PESCADORES Mas, naquelas históricas solenidades, nas praias dos "Verdes Mares Bravios", não se fazia somente a entrega dos barcos, como se instalava a Cooperati- va dos Pescadores do Pirambu, outra iniciativa da Igreja, naquele centro operário, onde se dá um empolgante exemplo do apostolado social cristão mo- derno! E aquela cooperati- va tem a finalidade de fa- cilitar a vida dos pescadores.
- Enfrentando os vagalhões dos Verdes Mares Bravios, o heroico pescador cearense, na luta diuturna com a fúria dos elementos e o flagelo secular da natureza ma- drasta, continua escrevendo, na fragilidade da tosca jangada alencarina, a epo- peia de uma raça de "dragões do mar". O poema épico desta gente de bronze, queimada pelas soalheiras comburentes do Nordeste, que, se foi a primeira a que- brar os grilhões dos escravos negros, ainda agora rompe com as algemas do cati- veiro branco dos exploradores internos e externos dos povos subdesenvolvidos. E um dia raiará o sul da emancipação econômica e social do homem nordestino.
- A imponente jangada cearense é um símbolo da tradição de coragem, arrojo e laboriosidade de um povo, causticado pelo sol e castigado pela adversidade do martírio milenar da Sêca. E enquanto isto, "o rio Jaguaribe é uma artéria aberta por onde escorre e se perde o sangue do Ceará"... E a propósito, já terão mes- mo, acudido com "uma pinça hemostática em Orós"? E o herói da jangada, o au- daz nordestino, continua "morrendo e resistindo, resistindo e morrendo...".
Anúncios, notas e expediente
- Nota social Com eloquência que o assinala, fazendo o panegírico da personalidade de mons. Hélio Campos, o excepcional pastor paroquial do Pirambu, o padre Monteiro da Cruz S. J., grande orador sacro que ocupou o púlpito por ocasião das vinte e cinco missas solenemente celebradas ali, em comemoração das Bodas Sacerdotais (5-XII-62), do conhecido vigário das areias, teve aquela imagem feliz: "Um Padre autêntico. Um Pa- dre que tem fé e vive a sua fé. Um Padre que abraça o Credo Católico desde a criação a vida eterna. Padre que acredita no mistério do céu como no mistério do Inferno". E mais adiante: "Não tens, mons. Hélio, a paciência de começar e recomeçar de um São João Bosco, mas nas mãos de D. Manoel e de D. Antônio... foste catequista no asfalto e nas areias. Não realizaste o ideal missionário de um São Francisco Xavier, mas, depois de Mucuripe, Areia, Pacoti, Senador Rompeu, Pedra Branca, Cascavel, Jacarecanga, Monte Castelo, Socorro, dizes, com a tua prodigiosa obra social, culminada no Pirambu: "apóstolo ou apóstata!" Divinamente inspirado, o grande pregador sacro da Companhia de Jesus, que é o padre Monteiro da Cruz, não poderia ser mais preciso e justo naquela apologia, em nome do clero cearense, do povo, da família, da juventude, do proletariado, da infância do Pirambu.
- Expediente lorhdvzu. Dumingu. 6 de Janeiro de 1963 TERCEIRA PAGINA Suplemento Dominical de O NORDESTE
- Telegrama Texto de JOSE JÚLIO BARBOSA