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O Nordeste

Janeiro de 1963, página 49 · 3 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • O REPÓRTER DOS Bairros e Suburbios ABRIGO PARA MENORES: S. GERARDO Muita gente desconhece talvez o valioso serviço que vem prestando à infância pobre de nossa terra o Abrigo para Menores Juvenal de Carvalho, locali- zado em São Gerardo 1-384. E nesta hora em que tanto se fala na verdadeira tragédia da menoridade marginal, cujo grande problema é a falta de estabele- cimentos que possam constituir o “segundo lar” do menino sem pai, é bom que se indique o nome da- quela casa fundada pelo benemérito esculápio cea- rnse, dr. Abdenago Rocha Lima, o saudoso pediatra percebia o valor humano da criança, compreendendo a extensão da tarefa de sua educação no binômio corpo e alma do “micro-mundo” das gerações, e de médico de criança passeou a mestre da juventude, dando ao Ceará o benfazejo Instituto Rocha Lima. XXX MAIS DE UMA CENTENA — E' o Abrigo Juvenal Caiv<&mot em &ao Gerardo» a nosso ver, o princi- pal departamento do Instituto Rocha Lima. Tem ca- pacidade para uma centena de infantes, de ambos os sexos, estando atualmente com 135 pequenos. A idade de admissão vai de 0 a 7 anos, quando os pequenos ou são entregues aos parentes ou encaminhados para outras instituições. Geralmente, ali chegam or- fãos - tanto de pais mortos, como vivos, recém-nasci- dos - expostos, realmente necessitados de asilo - o que lhe preparou, o coração humanitário do grande clí- nico. Naquela casa, cujo diretor-tesoureiro é o sr. pascoal de Castro Alves (uma das figuras de maior expressão do comércio fortalezense), os pequenos des- ajustados encontram o amparo com a ajuda da bu- sistência à fundação, mantendo-se o abrigo com as rendas do patrimônio daquele Instituto (aluguel de prédios), além da espontânea ajuda de particula- res. Nesse caso, está a firma J. Macedo, que paga o fornecimento diário de pão para aquele instituto. ASSISTÊNCIA ESCOLAR — O Abrigo Juvenal de Carvalho já conta com vários decênios de existência, fundado em 1932. E' cada vez mais crescente a pro- cura de internamento, pois ninguém ignora o drama de nossos centros proletários, favelados e mesmo sertanejos, inteiramente desassistidos e às voltas com o tremendo problema da criação dos rebentos, geralmente numerosos nas famílias pobres. Ali, os inocentes são entregues aos cuidados das dedicadas irmãs vicentinas que se empenham na alfabetização e catequização, havendo para as meninas cursos de bordados a mão. Os meninos se iniciam também em trabalhos manuais, esperando-se que, com as ampliações futuras, se possa instalar, ali (seria o ideal) um curso pré-profissional da maior conveniência para o preparo da mocidade pobre, que precisa de munir-se imediatamente com a arma segura do co- nhecimento de um ofício para ganhar a vida. XXX NÃO CONTA COM VERBAS — Ainda ontem fa- lavamos, aqui, da gravidade desta questão da menoridade abandonada em Fortaleza, onde, segundo o dr. Juiz de Menores, o número das pobres vítimas da miséria social da orfandade de pais mortos ou vivos, o mesmo que dizer, desquitados ou desertados do lar, cuja crise se agrava com o afourxamento do laço familiar por via de fatores os mais diversos em que predomina o moral, e dizíamos do verdadeiro pânico de que se acha tomado o dr. Wilson de Norões Milfont, confessando a sua impos- sibilidade de resolver a situação através do Juizado, que não conta com verba sequer para papel (a verba anual do Juizado, para todas as despesas, é de 40 contos?!). O Núcleo de Menores Desembargador Oli- vio Câmara, em Antônio Bezerra, e o Instituto Car- neiro de Mendonça, em Santo Antônio de Pitaguari, continuam superlotados, o caso do Bom Pastor é desesperador pois, além do “estouro” de sua capaci- dade de alojamento, o corte de seus minguados au- xílios (bolsas do SAM) por medida de economia do governo. E’ tal a indiferença dos responsáveis pela administração em relação ao assunto, tamanho é o descaso de nossos cristãos abastados face a obras de tanto alcance social e humano, que, consoante ainda os dizeres daquela autoridade, em Fortaleza, para construir-se a Casa da Menor (um projeto em execu- ção no bairro de Antônio Bezerra) é preciso sair-se mendigando de porta em porta... e o que se recolhe absolutamente não atende à necessidade. Pois bem, o caso do Abrigo Juvenal de Carvalho também não foge à regra. Não conta ele sequer com uma verba do governo estadual, federal ou municipal, que fizessem “graças” até com o futebol e o carnaval. A ma- nutenção do Abrigo se deve ao rendimento do patri- mônio (casas alugadas). Fazendo parte do Instituto, a Maternidade Juvenal de Carvalho (também em São Gerardo) só agora vem rendendo alguma coisa numa importância que dá mais para cobrir as despesas com os leitos da indigência. XXX SANEAMENTO — A instituição afama-se de há muito para promover urgentes reparos na tubulação do seu serviço de águas, o que importará em algumas centenas de contos. Em vão se procedeu a levantamentos, se traçaram plantas e se fizeram estudos técnicos, encaminhados ao governo, que não passou das conhecidas promessas pré-eleitorais. XXX apelo AO JUIZADO — Insistimos no nosso apê- lo ao dr. Juiz de Menores, no sentido de que sejam chamados à atenção os pais ou responsáveis pelo "Joãozinho" daquela quadrilha da Rua da Mangueira, em São João do Tauape, que, ali, diariamente, bem perto da subdelegacia local, ataca os veículos com pedras e areia, conforme relatamos ontem. Um ponto de referência: a Subdelegacia ou o motorista Manoel Freitas da Silva (ônibus de São João do Tauape). --------------------- O Nordeste Político A VITALIDADE ou a própria sobrevivência do PTN estão umbilicalmente ligados ao governador Par- sifal Barroso. Os “experts” políticos sabem disso, da mesma forma que os adversários e inimigos de S. Excia. E foi, justamente partindo dessa premissa real, que os adversários do sr. Parsifal Barroso articularam habilidosa manobra política, cujo objetivo somente aparece quando nos detemos na análise minuciosa do fato. Refe- remo-nos ao convite formulado pelo presidente da Repú- blica, indagando se o chefe do Executivo cearense aceitaria a Embaixada brasileira junto ao Vaticano. Con- vite realmente tentador e capaz de envaidecer qualquer político, mesmo da projeção e do coturno do sr. Parsifal Barroso. Se formulado, todavia, noutras circunstâncias, conforme passaremos a demonstrar: Sabem os srs. Carlos Jereissati e João Goulart, por força de uma imposição histórica (onde o referendo que acaba de ser ferido terá preponderante impor- tância) que a tendência da política nacional atenta contra o pluripartidarismo. Isso dentro do contexto nacional de um modo geral. No Cea- rá, a reformulação política ditada na “União pelo Ceara” já anunciava o fenômeno mesmo antes do plebiscito, se bem que em outras circunstâncias. A fusão de UDN e PSD, partidos de características idênticas foi apressada pela luta que tra- vam os srs. Carlos Jereissati e Parsifal Barroso. Mas ocorreriam fatalmente, co- mo deverá acontecer com a agregação do PSP no atual esquema governista, ou co- mo as forças chamadas de comunmente partida que o originou. Só poderia fazê-lo, pela me- nos imediatamente, alijan- d o da crista do movimento político o sr. Parsifal Barroso, visto que sabe e tem consciência de que ainda se faz política em função do Governo. E Jango, como tal e dispondo de uma má- quina montada, seria um “trunfo” para atrair muita gente. —(°)— Poder-se-ia interpretar o convite, louvando-se na en- trevista do Padre José Pa- lhano de Saboia, que anun- ciou a idealização de uma coexistência na linha a ser adotada pelo futuro gover- no, a fim de integrar na com- posição governista o PTB do sr. Carlos Jereissati. Essa tese, todavia, cai no va- zio ante a relação dos fatos que pressupõem o atual pa- populismo moral, cujas caracterís- ticas estão se definindo. Dados os ca nacionais posições político-ideológi- cas não afinavam com aquelas tradicionais agre- miações, o PTB cearense, que pouco difere delas, pe- lo menos no que respeita ao contendo idêntico, por uma imposição ligada aos interesses políticos do sr. Carlos Jereissati, que não pode se desvincular do sr. João Goulart, surgiu como a força opositora aos gran- des partidos. E o será futu- ramente. Senhor disse o sr. João Goulart em recente entrevista à imprensa, que o PTN, co- m a finalidade de reajustá-lo adiantam, que o governa- dor Parsifal Barroso está disposto a nomear para a Diretoria do Ensino Primá- rio e Normal, no lugar do sr. Edvard Pires (vereador eleito) o sr. Raimundo Li- nhares. O fato não vem re- percutindo bem junto ao partido de S. Excia. e nem no seio da classe estudantil. O sr. Raimundo Linhares, que ocupou as funções de presidente do Centro Estu- dantil Cearense não de- sempenhou a contento a função. Além de um inqué- rito que responde na enti- dade estudantil, patrocinou, ao que se afirma, uma arbi- trariedade, com um escan- dalo inqualificável da Casa do Estudante, pelo simples fa- t o de ter sido irmão de um advérsário político no caso, o presidente (sob os ditos “diretores”) da Polícia Estu- dantil. Outra informação que re- gistramos em absoluto, na mesma mão, disseram os srs. Virgílio Távora e Parsifal Barroso mantiveram conversa- ções em São Paulo, em razão dos contatos que mantiveram com membros do Diretório petista. E Virgílio, por outro lado, disse que não sabe se o sr. Parsifal Barroso recuaria ou não. Primeiro porque confia nele; e, segundo, porque a sua for- mação moral não comporta traições. Tal declaração deu ensejo para que o Ministro Gentil Barreira, uma tra- dição moral do Ceará, de- clarasse, que, se Virgílio co- metesse uma traição, aban- donaria a vida política, dan- do satisfação do ato através de nota ao público. -(0)- Registramos, sem desejar fazer outros comentários acerca do assunto, esclare- cimentos do jornalista Dá- río Macedo, sobre uma nota que a Secretaria de Educação distribuiu para vender aos pequenos agri- cultores chegou ao seu des- tino. Foi impossível o aten- dimento, e o mais que dese- jaram adquirir tal produto. Daí a razão de ficar sempre alguém insatisfeito. Não te- mos motivos para desacredi- tar da palavra do companheiro e nem tão pouco do sr. Francisco Figueiredo, que tem se mostrado, até agora, um homem equili- brado. Aproveitamos o ensejo para veicular a seguinte pergunta que pessoas resi- dentes em Monsenhor Tá- bosa solicitaram que trans- mitíssemos ao Secretário de Agricultura: por que até o presente momento não foi entregue o rebanho de cruzeiros que S. Excia. prometeu destinar àquele município, a fim de incenti- var o plantio e a cria- ção? Essa pergunta não estava relaciona- da no Plano do FIP, que, por sinal, lá foi extinto? A Assembléia Legislativa aprovou dispositivo na vo- tação do Orçamento do Estado para o próximo exercício financeiro, que permitirá ao futuro governador transfe- rir e suplementar verbas sem o assentimento do Legisla- tivo. Prova de confiança que se tornou inconstitucional. Voltarémos à questão. Figueiredo Correia e Vicente Augusto estiveram no Interior do Estado, dando a par- ticipação dos seus esforços para a consulta plebiscitária. + Para o governador ler e meditar: chegam aos ouvidos do repórter, denúncias de que estaria se desenvolvendo na Secretaria da Fazenda a “indústria da propina”. Só con- segue processamento de suas contas ou o pagamento dos seus vencimentos quem fizer “cócegas” no bolso do funcionário competente. E’ importante que S. Excia. mande averiguar. 4. Rumores de que um escalão polí- tico teria lucrado a bagatela de 2 milhões de cruzeiros, proveniente de um imposto que orientou. 4 “Ouçam “Conversando Sobre Política”.

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