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O Nordeste

Janeiro de 1963 · 5 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • SEXTA PAGINA 0 NORDESTE Fortaleza, Quinta-feira, 10 de Janeiro de 1963 Direção de CAVALCANTI LIMA A OPINIÃO PÚBLICA ALEMÃ DISCUTE A AJUDA AO DESENVOLVIMENTO FOR HELMUTH WERNER, ASSESSORAR TAMBÉM A ajuda alguma ao desenvolvimento é alvo de vivos debates, por parte da opinião pública do país. Uma série de acontecimentos tem suscitado estes debates, entre eles, a Sociedade Alemã de Cooperação Econômica, instituída pelo Governo e que teve suas atividades iniciadas recentemente em Colônia. Também o ministro alemão para Cooperação Econômica, após o seu regresso de prolongada viagem pela América Latina, quando teve oportunidade de completar as experiências colhidas, anos antes, na África, trouxe mais uma vez à tona, o problema da assistência às nações em desenvolvimento. A Sociedade de Desenvolvimento conta com um capital de 75 milhões de marcos e foi criada por iniciativa do primeiro ministro do Estado de Schleswig-Holstein, von Hasse, que viveu durante muitos anos de sua juventude na África Oriental. Esta nova entidade fomentará principalmente as atividades das empresas pequenas e médias nos países em desenvolvimento e contribuirá para o fortalecimento das exportações de capital privado, de grande interesse para a República Federal. Pensou-se, também, por exemplo, em facilidades tributárias e bonificação para as amortizações. A Sociedade de Desenvolvimento tomou a si ainda a tarefa de assessorar elementos interessados alemães e estrangeiros sobre as possibilidades de juntar empresas nos países jovens. O ministro para Cooperação Econômica, Scheel, ressaltou após seu regresso da América Latina que os países necessitados de ajuda daquele continente não precisavam buscar inspiração nas nações industriais europeias, podiam, ao contrário, tomar como exemplo as nações altamente industrializadas do próprio continente americano. Scheel, queria expressar com isso que a ajuda ao desenvolvimento para a América Latina deve priorizar-se segundo critérios diferentes daqueles que guiaram a assistência aos países africanos. Por outro lado, não se deve esquecer que grande parte do capital privado da República Federal corre hoje para a América Latina. CÔNTRA A AJUDA ESTEREOTIPADA. Naturalmente era necessário fazer certas experiências com a concessão de fundos durante alguns anos. Estas experiências demonstraram que a melhor solução não é a de distribuir os fundos através das chamadas promessas de conjunto — como tem acontecido frequentemente até agora — e logo negociar em bases concretas. As promessas de conjuntos carecem sempre de falta de clareza. Por isso pode suceder, com relativa facilidade, que ao se realizarem os projetos surjam entre o país cedente e o beneficiado equívocos e desavenças que poderiam ter sido evitados se, entre ambas as partes tivesse havido, uma clara concordância a respeito. INDUSTRIA APOIA Tem-se discutido igualmente a questão se se deve conceder a ajuda desligada da condição de fornecimentos alemães. O ministro Scheel tem-se manifestado favorável à concessão dos mesmos sem tal condição, tendo em conta que os outros países procederão da mesma forma. Mas esta ajuda, porém, não deve ter lugar de modo esquemático, mas sim pragmático. Em outras palavras, a questão das condições da finalidade e dos fornecimentos deverão ser decididas isoladamente, em excluí-las, a priori. A indústria alemã parece apoiar esta posição e também a apoiam outros ramos econômicos. Todavia não se pode saber até que ponto há discrepâncias de opiniões. Com este objetivo os países em desenvolvimento destacaram comissões de trabalho para elaborar uma posição. O ministro para Economia, Erhard, já teve oportunidade de salientar que a condição de aceitar fornecimentos específicos não é conciliável, sem mais nem menos, com a economia de mercado livre. FOR HELMUTH WERNER, ASSESSORAR TAMBÉM Em resumo, a ajuda não se caracterizará também, provavelmente, por um esquema, mas sim por uma diferenciação em função do país e do projeto. Há uma sensível tendência contra uma ainda dispostos a continuá-los, porque sentem que a política mundial lhes impõe esta obrigação.

Anúncios, notas e expediente

  • Nota social CARTAZ DO DIA — (HOJE) EMPROA RIBEIRO S. LÜIZ (às 15 — 17 — 19.— 21 horas) — CIDADE SEM COMPAIXÃO — com Kirk Douglas e Christianne Kauffman — colação moral: Adultos com reservas. DIOGO (às 13,30 — 15 — 16,30 — 18 — 19.30 — 21 horas) BRAÇO E BRAÇO — com Jim Davis e Barton Mac Lane — cotação moral: Adolescentes. MODERNO (às 12,40 — 14 — 15,20 — 16,40 — 18 — 19,20 — 20,45 Horas) A LEGIÃO DO ZORRO (2a. série); O SALTO DA MORTE — com Rex Alie v. e Dona Drake — cotação moral: Adolescentes. MAJESTJÇ (às 13 — 14,30 — 16 — 17.30 — 19 — 20,30 horas) CHEGARAM 3 ASSASSINOS — com Cameron Mitchell e John Lupton — cotação moral: Adultos. VENTURA (às 19,30 horas) TARZAN E AS AMAZONAS — com Johnny Wessemuller e Brenda Joyce — cotação moral: Adolescentes. AMERICA (às 1930 horas) O ERRO DE SUSAN SLADE — com Troy Donahue e Connie Steves — colação moral: Adultos, com reservas. EMPRÊSA CINEMAR JANÇAPA (às 13v30 — 15,15—17 — 18,45 — 20,30 horas) SAFG. A VENUS DE LESBOS. — com Kerwin Malhews e Tina Louise — votação moral: Adultos com reservas. SAMBURA* (às 13 — 15 — 17 — 19 — 21 horas) O MUNDO DE NOITE (documentário) — cotação moral: Prejudicial. TOAÇU (às 14 — 15,30 — 17 —.18,30 — 20 horas) CORJA DE TRAIDORES — com Cameron Mitchell — cotação moral: Adultos. ART. (às 14 — 16 30 — 18,40 — 21 horas) A MARGEM DA FELICIDADE — com Michele Morgan e Bourvil — cotação moral: Adultos. CIDADE SEM COMPAIXÃO (com Kirk Douglas) — Plásticamente bem resolvido, às vezes emocionalmente válido, o filme oscila entre drama social e triller criminal, sem perder a tensão dramática, mas prejudicando um pouco a unidade da narrativa. Boa atuação do elenco, sob firme direção. O filme, de fundo positivo amargo, denuncia os métodos e resultados nem sempre justos da Justiça, bem como a curiosidade do netia que despertam os assuntos escabrosos. Mas não se destina a todo público, dada a crueza de cenas e diálogos que retratam todo um processo de desumanização da sociedade. — Adultos, com reservas. BRAÇO E BRAÇO (com Jim Davis) — Dentro do gênero, o filme não ganha destaque especial, nem pela intriga, nem pelo tratamento cinematográfico. O elenco está à vontade. O pistoleiro abandona a vida aventureira, mas depende dela a salvação da cidade. Esta conclusão poderá confundir o público infantil — Adolescentes. CHEGARAM 3 ASSASSINOS (com John Lupton) — O trabalho de artesão que é o diretor pouco ajuda o desenvolvimento dramático da trama. Em uma ou outra cena sai-se melhor. O “suspense” provém muito mais da história do que da construção inteligente do diretor. A conduta do assassino psicopata e sádico torna o filme inconveniente para adolescentes. Adultos. O SALTO DA MORTE (com Rex Allen) — Western pobre de recursos, apoiado na ação que se desenvolve através de chavões sem tentativa de originalidade. Tema banal e rotineiro, sem inconvenientes. A ação, servindo-se com frequência da violência, apela para público infantil — Adolescentes. CORJA DE TRAIDORES (com Cameron Mitchell) — Obra convencional. O roteiro é dinâmico, mas a fragilidade do argumento não permite maior aproveitamento dos recursos cinematográficos. Os personagens não convencem. Amizade e pudor dirigem os atos do protagonista. As cenas de violência e as consequências de um casamento frustrado, com reflexo morais desfavoráveis, contraindicam o filme para público jovem — Adultos. A MARGEM DA FELICIDADE — (com Michele Morgan) — O resultado do filme repousa quase exclusivamente sobre dois bons intérpretes que têm recursos suficientes para dar densidade e verdade humana aos personagens que vivem; assim é um êxito relativo, a que faz falta verdadeira criação cinematográfica, ausente do roteiro comum, e da direção, inexpressiva. Um adultério apresentado com bastante simpatia e muita discrição, embora claramente, torna o filme um espetáculo exclusivamente para público adulto. Há alguma violência por conta da guerra. Adultos. O CASO DA RUA MONTMARTRE (com Lino Ventura) — O gênero do filme não está bem definido, mistura que apresenta de policial e de comédia. A história, interessante em si, é contada de maneira convencional, embora apresente alguns pequenos achados bons e momentos de ritmo. Interpretação esforçada, mas discreta. O final é positivo. Uma relação sentimental ilícita e trechos do diálogo destinam o filme para ADULTOS.
  • Nota social Bastante animada a tertúlia do Náutico, realizada ontem. Com as férias da nova geração e o Conjunto de Ivanildo, qualquer festa é sucesso. Principalmente por causa das férias... Ontem, pela manhã, a simpática srta. Maria Carmem Chaves estava fazendo compras. Agora, para vocês, uma trova de Lilinha Fernandes: A inveja dorme na rédea da Injustiça, sua amiga; do Mal se alimenta, e a sede mata na fonte da Intriga. Encontra-se entre nós o recém-formado engenheiro dr. Tales Glauco Pombo Silva. Na moderna residência de seus genitores, dr. Elmar Brígido Silva e Dra. Antoniette Pombo Silva, foi, pela ocasião de sua chegada, oferecido um delicioso jantar a todos os amigos da família Pombo-Silva. O Governador eleito, Cel. Virgílio Távora, almoçava, ontem, no restaurante do [...], em companhia de alguns amigos. Viajou para o Piauí, onde passará férias com pessoas de sua família, o casal James K. Clark Nunes. Promete ser animado o jantar-dançante do Clube dos Jornalistas, logo mais, à noite. Aniversariam hoje: — Po. José Cajuaz — Dr. Edson Braga — Sr. Pedro Paulo S. Montenegro. — Sr. Jono Salustiano Teles — Dr. José Maria Campos de Oliveira Também aniversaria hoje a srta. Valquiria Viana, filha do sr. Raimundo Bezerra Viana e Sra. Carmelina Viana. A todos os aniversariantes os parabéns dos que fazem o NORDESTE. RELÓGIO PERDIDO Gratifica-se bem a quem encontrou um relógio de senhora nas proximidades do posto Avançado ou no Teatro José de Alencar. Telefonar para 4.14-34. Faleceu, no Rio de Janeiro, semana passada, a mais expressiva figura da comédia, no Nordeste: José Júlio Barbosa. A imprensa local chamou-o de radialista. Radialista ele o foi, de verdade, porque polimorfo nas suas manifestações de arte. Mas José Júlio Barbosa era total, no palco, a sua grande tribuna, onde ganhou fama, e a sua capacidade de artista achou o maior intérprete. Foi na ribalta do “Pio X”, nos bons tempos de 1926, que José Júlio e Antônio Ribeiro fizeram chorar de riso toda a Fortaleza de então. A força de interpretação desses dois artistas fazia viver de fato, cada peça encenada. Os comediógrafos cearenses Carlos Câmara e Silvano Serra encontraram em José Júlio o fiel personificador das suas impagáveis criações. “O Ideal dos Coronéis”, “O Casamento da Peraldiana”, quem, daquele tempo, não se recorda deles com saudade?... Homem de natural simpático, estatura além da mediana, fino, voz de falsete, braços compridos, andar ondulante, olhos penetrantes e vivos, tudo lembrava o burlesco, a graça, a gargalhada. Não é que Zé Júlio fosse palhaço. Não! Era o artista, o intérprete de possibilidades múltiplas para o domínio na ribalta. Não era o cômico de pantomimas. Era o mago da comédia sadia e de interpretação das nossas constantes sociais. Foi por isso que me doeu o coração quando li o registro da sua morte, no Rio. Não sei se o Ceará sabe que perdeu um filho ilustre. Um homem que foi fiel à sublime missão de distribuir alegrias como abençoado semeador. A família do querido morto os nossos pêsames e condolências.
  • Anúncio VENDE-SE Vende-se uma Mercadoria. Caso interesse, o ponto é com residência. Tratar com o Nascimento, à rua Joaquim Nabuco, 4159, Bairro Pio XII, das 16 às 20 horas.
  • Expediente 0 NORDESTE Fortaleza, Quinta-feira, 10 de Janeiro de 1963 Direção de CAVALCANTI LIMA Expediente ÀS QUINTAS SE. VALDIVINO