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O Nordeste
Janeiro de 1963 · 6 trechos transcritos
Manchetes desta página
- SUBDESENVOLVIDOS PONTOS DE VISTA O PROBLEMA DO SOCIALISMO Vário do que muitos esperavam, o discurso no VI Congresso do PC alemão oriental foi sereno, tanto em relação ao Ocidente como em relação à China. Tão sereno que o governo da República democrática alemã conseguiu vencer o sono enquanto durava a prosa das palavras do orador. Nem mesmo a esperada referência ao dogmatismo chinês, foi inaugurada. O pincada de Moscou ainda continua sendo a da Albania. O governo soviético não avançou coisa alguma de suas velhas posições em torno do problema de Berlim. A paz se possa dizer que tenha recuado, mas não reconhecer que o tratado de paz com a Alemanha é necessário, não é mais urgente, em duas oportunidades anteriores a União Soviética já interveio em relação ao prazo por ela mesma estabelecido para a solução do problema de Berlim. A primeira em 1960, depois de haver marcado em 1959 o prazo de seis meses. A segunda, em 1961, disse que ainda se poderia esperar mais algum tempo. A terceira, agora, quase renunciando a forçar uma solução, uma vez que declarou essa questão como “uma mor urgência”. O que é esta mucunça de atitude? É que, entre a primeira data de há dois anos e a de haja, ocorreu em Berlim um acontecimento que Kruschev considerou de “importância histórica” no desenvolvimento da Alemanha comunista: a construção do muro de Berlim, que deu ao regime de Pankow uma fronteira em vez de evasão do seu território, sem pontos de escape ou de trânsito, como era o caso da antiga capital alemã. Por isso é que podemos afirmar que a urgência do governo soviético enfrenta o problema de Berlim, não para defender o princípio da coexistência pacífica, mas sim para evitar o escândalo de uma nova fuga em massa, como a que se deu em 1961. O governo soviético, aliás, tem que defender o princípio da coexistência pacífica, mas o premier cubano se alinha perigosamente ao lado de Pequim e de Tirana pregando abertamente a revolução das massas proletárias e camponesas. Sem guardar segredo em seus objetivos, faz um apelo aos revolucionários deste continente em prol de uma mobilização armada. Grande é a distância que separa de Moscou os países subdesenvolvidos do bloco soviético. E essa distância vem crescendo tanto nestes últimos tempos, que está bem perto o dia em que a China não será mais uma potência revolucionária, mas um país desenvolvido enfrentando no mundo os subdesenvolvidos do socialismo. O mesmo é que agora Kruschev descobriu um texto de Lenine, segundo o qual, depois da tomada do poder, a tarefa primordial dos comunistas é o desenvolvimento econômico, o que é o mesmo que dizer: o problema não é mais exportar a revolução, mas sim Fidel Castro, Mao-Tse-Tung e Enver Hoxha, que se alinham com os que querem exportar a revolução. O discurso teve também o seu trecho de dureza contra os “teóricos imaturos” que pretendem apressar o caminho da vitória do socialismo, pois, segundo ele, “o socialismo é a paz, a destruição e a guerra são o contrário do socialismo”. Corroborando a sua tese, apresentou informações baseadas em cálculos de que, na eventualidade de uma guerra nuclear, dentro de poucas horas já teriam morrido 500 milhões de pessoas, acrescentando que não é o heroísmo que consiste em encontrar uma bela morte, mas sim em criar as condições de uma vida cheia e bela. O governo soviético e o chefe do governo soviético enfrentam o problema de Berlim, não para defender o princípio da coexistência pacífica, mas sim para evitar o escândalo de uma nova fuga em massa, como a que se deu em 1961. O governo soviético, aliás, tem que defender o princípio da coexistência pacífica, mas o premier cubano se alinha perigosamente ao lado de Pequim e de Tirana pregando abertamente a revolução das massas proletárias e camponesas. Sem guardar segredo em seus objetivos, faz um apelo aos revolucionários deste continente em prol de uma mobilização armada. Grande é a distância que separa de Moscou os países subdesenvolvidos do bloco soviético. E essa distância vem crescendo tanto nestes últimos tempos, que está bem perto o dia em que a China não será mais uma potência revolucionária, mas um país desenvolvido enfrentando no mundo os subdesenvolvidos do socialismo. O mesmo é que agora Kruschev descobriu um texto de Lenine, segundo o qual, depois da tomada do poder, a tarefa primordial dos comunistas é o desenvolvimento econômico, o que é o mesmo que dizer: o problema não é mais exportar a revolução, mas sim Fidel Castro, Mao-Tse-Tung e Enver Hoxha, que se alinham com os que querem exportar a revolução. O discurso teve também o seu trecho de dureza contra os “teóricos imaturos” que pretendem apressar o caminho da vitória do socialismo, pois, segundo ele, “o socialismo é a paz, a destruição e a guerra são o contrário do socialismo”. Corroborando a sua tese, apresentou informações baseadas em cálculos de que, na eventualidade de uma guerra nuclear, dentro de poucas horas já teriam morrido 500 milhões de pessoas, acrescentando que não é o heroísmo que consiste em encontrar uma bela morte, mas sim em criar as condições de uma vida cheia e bela.
- ESTRUTURAS Tem-se dito e repetido muitas vezes que, no Brasil, as reformas andarão muito devagar graças à ocorrência de estruturas arcaicas que teimam em manter-se de pé e em vigência por tempo indefinido. Diz-se que, malgrado estejamos avançando a passos largos para uma reformulação mais dinâmica de alguns dos aspectos da vida brasileira, ter-se-á que vencer uma série de barreiras quase intransponíveis que subsistem cada vez mais consolidadas. OBS Antes de tudo, um aspecto desse conflito é a falta de, por sua vez, as propaladas reformas que se vislumbram por aí, carecem, igualmente, de substância humana para se implantarem e se consolidarem. Noutras palavras, o cerne, o âmago da cousa não são leis, estatutos, ordenamentos: o problema são HOMENS! O cotejo que se faz não se situa, precisamente, em torno de filosofias, de conceitos, de posições e legislação. O ponto vital, o centro de interesse final, é saber QUEM fará isso ou aquilo, quem comandará essas alterações, quem determinará os rumos que os fatos poderão tomar! Vejamos, para exemplificar, o tema apaixonante do momento — reforma agrária. Tem-se feito muita bulha em torno do assunto e quase todos, por entenderem ou não entenderem patavina do assunto, já disseram o que teriam a dizer ou poderiam muito bem ter deixado de dizer, (sem prejuízo), sôbre o tema. Suponhamos que, num passe de mágica, ocorresse, neste País de 4 milhões de quilômetros quadrados ainda por descobrir ou cultivar, fosse decretada uma reforma agrária dita radical: quem iria executar tão gigantesco plano? QUEM e com que elementos? Será que os mesmos desocupados que, de terra e campo só entendam, e mal, o nome, e que, por isso mesmo, encheram jornais e livros com palavrório destemperado acerca do assunto, vão orientar 40 milhões de brasileiros nas áreas rurais? Será que conversa fiada gera produtividade? Imitação de outros países, de outros sistemas, de outros modos de vida, encheria os paios de arroz, de farinha, de feijão? Isso para dizer que, mesmo se aceitando que as estruturas do País poderiam oferecer certa resistência às modificações — o que, historicamente, talvez não seja tão verdadeiro — muita cousa se exige para fazer as reformas. A liderança de que carecemos ainda não existe suficiente nem em quantidade e muito menos em qualidade. A solução merece urgentes trabalhos e dedicação.
- PONTOS DE VISTA Muito vêm falando os assanhados nacionalistas contra o que chamam de espoliação da nossa economia pelo capitalismo avassalador norte-americano. Quando se pede um exemplo dessa espoliação o que oferecem os acusadores é uma conversa fiada porque, na verdade, eles não encontram fundamento real para suas assertivas. No entanto, nenhuma palavra se eleva contra a verdadeira espoliação que está sofrendo o povo brasileiro. Por causa das emissões escandalosas de papel moeda, lançado em catadupas na circulação fiduciária o que concorre de maneira descontrolada para a desvalorização cada vez mais assustadora do nosso dinheiro. A desgraça da inflação Vai mais longe ainda, porque, além de roubar milhões de quem trabalhou para ganhá-los honestamente e os vê escorregar entre os dedos, em face do alto custo de vida, ainda permite que alguns aproveitadores consigam dobrar e triplicar seus ganhos, através de empréstimos vultosos, que são aplicados nos bons tempos e amortizados quando a moeda se desvalorizou. Exemplificando: uma grande empresa ou um poderoso empresário consegue um financiamento elevado seja dos bancos oficiais seja dos particulares. Recebendo, digamos, 500 mil contos, hoje, emprega-o imediatamente em negócios rendosos. Depois de quatro ou seis meses na época do pagamento a moeda se desvalorizou vinte ou trinta por cento. Isso significa que tal pagamento sofrerá essa diminuição, o que implica a mesma porcentagem em lucro, além dos proveitos normais que a operação oferecerá. Isso explica porque há tantos novos ricos, por aí gastando sem medidas e arrotando grandeza principesca. E quem paga tanta riqueza de tão poucos é o povo, duplamente espoliado: pelo governo (por causa da inflação), pelos negociatas, que exploram a inflação. NORONHA NETO
- RESPONSABILIDADE CONCRETA Dando desenvolvimento a um louvável processo de intercâmbio estudantil americano-brasileiro, estão convivendo nos Estados unidos e em nosso país, respectivamente, jovens das duas nacionalidades, que passam a frequentar estabelecimentos de ensino médio a fim de conhecerem de perto a vida de colegial lá e cá. Para tornar mais aproveitável essas estadas, são os estudantes acolhidos em famílias que, para tanto, se oferecem e nelas passam a ser tratados como filhos, vivendo na intimidade dos lares que os adotaram e, portanto com maiores possibilidades para um conhecimento melhor dos costumes de cada povo, principalmente no tocante à família e à escola. Um jornal da terra vem publicando interessantes correspondências de estudantes cearenses que foram fazer estágios na América do Norte, destacando-se, em todas as cartas, o sentido de camaradagem, simplicidade e dignidade reinantes no ambiente que passaram a frequentar. Numa dessas missivas uma nossa inteligente patrícia narra uma Convenção de Estudantes de que participou e com a qual ficou entusiasmada. Que diferença abismal entre os assuntos tratados nesse Conselho estudantil e o que aqui discutem os nossos estudantes. Aqui é a “politização”, a “conscientização”, a agitação faceiosa, sob pretexto de nacionalismo, anticapitalismo, etc. Lá a “finalidade consiste no estabelecimento de um clima democrático entre os estudantes, desenvolvendo a cidadania, o caráter e a responsabilidade em cada jovem, para que sejam líderes dinâmicos no mundo de amanhã”, e, em vez de recorrerem a “slogans” fanhosos de feitio esquerdo e de propósitos anarquistas, o que se leva a efeito é uma formação de verdadeiro patriotismo, com o culto à Pátria e o compromisso de elevá-la em todos os sentidos. Daí porque começam as sessões com “uma oração à bandeira”. E, enquanto vai sendo esta hasteada, os estudantes repetem, em uníssono, o “Preambulo of the Constitution of the United States”, ou seja o Preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos. E a senhorinha cearense, que participou dessas reuniões, diz textualmente: “Eu também aprendi muitas coisas. Tomei conhecimento da responsabilidade do estudante, quando recebe missão e encargo. Ele vive a seriedade dessas reuniões, que não encaram como simples passeio ou divertimento”. Eis aqui o que está faltando ao estudante brasileiro: é responsabilidade de sua missão. Em vez de “politização” inepta, compenetração dos seus deveres de estudante, sem servir de caudatário a pelegos e agitadores.
- ACADEMIA DE INVESTIGAÇÃO DA MODA SYBIL SHEER Os eventos que se realizaram em dezembro na metrópole econômica da Alemanha Ocidental não levaram apenas a casa novas ideias sobre a evolução dos tecidos e o nível internacional, mas pediram também conselhos aos seus colegas de Berlim. A INTERSTOFF, a feira de vestuário têxtil que se realizou na metrópole econômica, foi pela primeira vez ao público internacional com uma série de conferências e discussões sobre o tema “Diretrizes de Moda”. Apesar de a moda desempenhar um papel psicológico e econômico de peso na vida moderna, influenciando o indivíduo na sua profissão e na sua esfera particular, só foi até agora objeto de investigações sistemáticas sob o ponto de vista da história da cultura. Não existe sequer uma definição específica e reconhecida do fenômeno designado simplesmente de moda. Não há investigações de causa e efeito de temas tão essenciais para os fabricantes de tecidos e para os especialistas da moda como por exemplo “alterações de moda”, “leis que regem os fenômenos da moda” ou “atualidades da moda na produção em massa”. Por outro lado, a moda já não é há muito, um privilégio da “alta costura” e, com isso, de uma escassa cotação à população; ao contrário, a moda penetrou nas massas e dá trabalho a uma indústria de artigos de consumo de grande projeção. Quando nas montras aparecem as últimas coleções da primavera”, que seduzem as senhoras a compras espontâneas e levam os pais de família a suspirar sobre as “eternas alterações da moda”, o fabricante e o comerciante de tecidos já precisam, simultaneamente, em laborarão sete modas diferentes, naturalmente em fases de evolução diferentes. O perigo de uma moda feita com tanta antecipação ser rejeitada, envolve um grande risco para um ramo da economia que na República Federal apresenta um valor de 500 bilhões de marcos. A indústria e as federações já sugeriram há cerca de 30 anos que se criasse uma central de investigação da moda. Especialistas da Alemanha Ocidental uniram-se com cientistas, psicólogos, investigadores de mercado, sociólogos, químicos de fibras têxteis, especialistas da história do traje e médicos e aceitaram em 1939 estas sugestões e formaram um grupo de trabalho que se propôs promover investigações fundamentais (Conclui na 6a. página).
Anúncios, notas e expediente
- Telegrama TELEGRAMA De Berlim — Impressões de Sybil Sheer — Os visitantes alemães e estrangeiros da INTERSTOFF, a feira de vestuário têxtil, que se realizou em dezembro na metrópole econômica da Alemanha Ocidental não levaram apenas a casa novas ideias sobre a evolução dos tecidos e o nível internacional, mas pediram também conselhos aos seus colegas de Berlim. A INTERSTOFF, a feira de vestuário têxtil que se realizou na metrópole econômica, foi pela primeira vez ao público internacional com uma série de conferências e discussões sobre o tema “Diretrizes de Moda”. Apesar de a moda desempenhar um papel psicológico e econômico de peso na vida moderna, influenciando o indivíduo na sua profissão e na sua esfera particular, só foi até agora objeto de investigações sistemáticas sob o ponto de vista da história da cultura. Não existe sequer uma definição específica e reconhecida do fenômeno designado simplesmente de moda. Não há investigações de causa e efeito de temas tão essenciais para os fabricantes de tecidos e para os especialistas da moda como por exemplo “alterações de moda”, “leis que regem os fenômenos da moda” ou “atualidades da moda na produção em massa”. Por outro lado, a moda já não é há muito, um privilégio da “alta costura” e, com isso, de uma escassa cotação à população; ao contrário, a moda penetrou nas massas e dá trabalho a uma indústria de artigos de consumo de grande projeção. Quando nas montras aparecem as últimas coleções da primavera”, que seduzem as senhoras a compras espontâneas e levam os pais de família a suspirar sobre as “eternas alterações da moda”, o fabricante e o comerciante de tecidos já precisam, simultaneamente, em laborarão sete modas diferentes, naturalmente em fases de evolução diferentes. O perigo de uma moda feita com tanta antecipação ser rejeitada, envolve um grande risco para um ramo da economia que na República Federal apresenta um valor de 500 bilhões de marcos. A indústria e as federações já sugeriram há cerca de 30 anos que se criasse uma central de investigação da moda. Especialistas da Alemanha Ocidental uniram-se com cientistas, psicólogos, investigadores de mercado, sociólogos, químicos de fibras têxteis, especialistas da história do traje e médicos e aceitaram em 1939 estas sugestões e formaram um grupo de trabalho que se propôs promover investigações fundamentais (Conclui na 6a. página).