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Correio do Ceará

Setembro de 1922 · 21 trechos transcritos

Manchetes desta página

  • CORRETO Irmãos cearenses conhece a caridade paulista generosa bondade, cantos Estado, tem corrido a ajudar a miséria populações flageladas, a socorrer a fome destroçados, a defender Nordeste inteiro, desgraças climatéricas, garantia trabalho sistemático refazimento regional, apoia lucros benditos valorização café.
  • Corações sabem e andam gemendo infinitas dores cruciantes; mentes famintas, peitos estancados, últimas gotas de sangue, a derradeira esperança de vida, filhos desenganados; heroísmo de vida suplanta desesperos redentores e mártires.
  • Ignorais, é terra de heroísmos Inexcedidos e a fornalha em que se tempera a alma indômita da raça de heróis.
  • Fastos da história nacional registam do Ceará feitos de excelsa grandeza, deles bastaria a consagração imorredoura do cearense, tipo inconfundível de cavaleiro da Independência, título da Liberdade, apóstolo da Democracia, herói da República, evangelizador da Civilização.
  • 1822 — ano da Independência — antes que pudesse ter chegado ao remoto sertão do Ceará a notícia da jornada gloriosa de Ipiranga, cearenses, reunidos na villa de Icó, no dia 16 de outubro, formaram governo temporário, proclamaram a Independência e nomearam vogal do governo o Coronel Antônio Bezerra Souza Menezes, que tinha batido em Forquilha tropas realistas de Sua Majestade.
  • A ideia da perigosa e talenta tentativa de realizar a Confederação do Equador coube aos cearenses a porção farta de glórias da revolução e a abundante partilha de sofrimentos e castigos daquela decepção política.
  • Jardim Público, debruçado sobre o mar, verde e tumultuoso, consagra aos heróis da República do Equador a gratidão do povo que tem perpetuados os nomes de Mororó, Pessoa, Anta, Caramuru, Bolão e Irapuã.
  • Há, porém, um nome que synthetiza a altivez e o desprendimento dos tempos e é o do alfaiate Félix Arêa Leão, o mulato Aracaly, preso e condemnado à morte.
  • O commissário militar, a pedido de amigos, offereceu a commulação da pena de morte por última açoites e o republicano e patriota eminente, não querendo conspurcar as suas idéas, diminuir a glória do seu heroísmo pela vergonha humilhante do chicote, recusou o oferecimento e bradou contra a vilania disfarçada de amizade do postulante, preterindo a estima dos pares e a honra do fuzilamento.
  • A guerra do Paraguay conta, entre a fama dos cearenses, aureolando-os com o nimbo da imarcessível valentia, o 25º Batalhão de Voluntários, composto de cearenses, que largavam a terra para vir ininterruptamente encher os claros onde a metralha e o canhão faziam.
  • À excepção da Bahia, foi o Ceará a província do Império com maior contribuição relativa de soldados para a defesa da Pátria.
  • A campanha abolicionista no Ceará é um cometimento notável para a história da libertação dos escravos.
  • Em 1880, mal abolida a escravidão no Brasil, organizou-se em Ceará a "Libertadora Cearense".
  • A sessão inicial da "Libertadora" teve a sinistra solenidade de uma epopeia, um cenário apavorante de tragédia.
  • Chamando à memória a cerimônia inicial da "Libertadora", a gente experimenta a vibração secular de uma página revivida da história medieval, uma façanha formidável dos lendários Cavaleiros da Távola Redonda, jurando sobre os brios um compromisso tremendo: que ninguém recuará.
  • A noite, numa sala escura da Praça José de Alencar, o presidente escolhido fecha as portas e as janellas.
  • No centro do aposento, uma larga mesa coberta com um panno, duas lanternas nas extremidades e vinte cadeiras ao derredor... É a sala do aço.
  • João Cordeiro, abrindo o paletot, tira um cavado colete e um punhal brunido e ferozmente o crava no centro da mesa.
  • À luz das velas, com lampejos da lâmina oscilante, o presidente chama os companheiros e diz: "Se tiverem ligações com o governo, respeito pela religião, obrigações de família, fortes ideais de libertação dos cativos, podem retirar-se. Eu vou fazer o juramento de vida e morte."
  • Onze companheiros acovardam-se e saem. Os restantes ficam e juram os estatutos da liberdade cearense, artigo por artigo e parágrafo por parágrafo: "A LIBERDADE CAPTIVA, POR TODOS OS MEIOS."
  • E a campanha cyclópica!