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Correio do Ceará
Dezembro de 1969, página 216 · 2 trechos transcritos
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- SIMPLICIDADE ATUAL: Chefe da Nação, comprovando o que dizia a respeito de se eximir da escolha de funções, vem adotando medidas aparentemente de pouca significação, mas de real importância como elementos configurativos da mentalidade dos homens públicos. No Brasil está proibido figurar, em obra empreendida pelo Governo Federal, o nome e procedimento demagógico adotado há quinze anos, a partir da Revolução de 31 de Março de 1964. Não consta que adotassem homens públicos do tempo do Império ou das três "Repúblicas" o recurso propagandístico, desconhecido no Brasil e nos países que já o tornaram usual, a fim de ser imitado pelos administradores brasileiros. Sabia-se que era prática em países e regimes totalitários, que vinham adotando e continuam a fazê-lo, em conformidade com o "culto à personalidade", com o objetivo principal de fazer o povo aceitar ditadores e "líderes carismáticos", responsáveis por países que chegaram a extremos. Exemplo: um engenheiro brasileiro, em visita à chamada "Arca Socialista", foi levado a um local onde pôde ver placa anunciando a construção da maior barragem de todas quantas existem na Terra. O visitante pôde verificar que não existia senão a tabuleta, com o nome do ditador sobressaindo às palavras inscritas, não a existência da barragem fenomenal, já constando roteiros de viagem e folhetos propagandísticos das realizações do governo. Destituídas de caráter ideológico, as ditaduras procuraram lograr ascendência pública através de uma propaganda intensíssima e encomiástica, tal a desenvolvida por um ditador latino-americano que se intitulava "Benfeitor" e colocava o nome. Sem precedentes recomendáveis, administradores brasileiros copiaram a prática, com o objetivo de fazer crer às pessoas a prestação de benefícios maiores do que os realmente prestados, a fim de conseguirem votos por ocasião das eleições. O povo compreendeu que as despesas com a confecção de placas e recursos propagandísticos representavam desperdício de dinheiro público, e a capacidade de compreensão da maioria dos cidadãos não foi levada em conta, a ingenuidade justificou a prática. Além disso, homens públicos chegaram ao ridículo de inaugurar obras não concluídas e repetir inaugurações. O atual Presidente do Brasil acaba igualmente de proibir, em relação às obras federais, devendo ser imitado nas áreas dos Estados e Municípios. É de esperar que passe vez, todas, no país, a época das placas encomiásticas, responsáveis não pela demagogia, mas pela extensão também pelo comprometimento ideológico e, em reação a governantes incapazes, cujas realizações não passam de placas. O resto, o "culto à personalidade" é mais adequado a regimes totalitários. Administradores pensam enganar o povo o tempo todo, esquecidos da impossibilidade de conseguir, sobretudo quando se trata de uma nação a brasileira, de se rebelar a todas as normas. A Igreja era respeitada no mundo inteiro. Hoje, o padre em casa, o padre bebe, o padre faz política, o padre faz greve, o padre namora, o padre abandona a batina, o padre faz comícios na Igreja, faz pascalhas, etc. Divulgadamente, a conduta de uma minoria conseguiu abalar sensivelmente a imagem da Igreja Católica, e, neste mundo, é um completar a mudança, mudando-se o público, duvidando, então, se o anterior não prestava? É a própria natureza humana.
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